Cor da pele: ciência demonstra racismo no Brasil - Drops de Jogos

Cor da pele: ciência demonstra racismo no Brasil

E os dados não mentem. A Culpa é da Ciência é a newsletter mensal da Bori que reúne histórias, descobertas e debates relevantes para você, que dá valor à ciência.

  • por em 31 de janeiro de 2026

Memory Card: 10 games brasileiros com visual retrô para jogar - Imagem: fotomontagem

Da newsletter A Culpa é da Ciência da Agência Bori. A cor da pele não deveria definir o quanto você vai viver. Mas no Brasil, a ciência mostra que define — e muito. Pessoas negras têm 49% mais chance de morrer assassinadas do que pessoas brancas, mesmo quando têm a mesma idade, escolaridade e vivem em locais com níveis parecidos de violência.

Pesquisadores da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto da USP analisaram 42.441 homicídios registrados no Brasil em 2022 e chegaram a essa conclusão incômoda.

Em modelos estatísticos menos conservadores, essa probabilidade chega a dobrar. O estudo, publicado na revista Ciência & Saúde Coletiva, usou técnicas de análise geoespacial combinadas com o chamado “escore de propensão”, que permite ponderar pelos diversos fatores. (também na Folha de S.Paulo e no Alma Preta)

E há um passado que também pesa. Quem é preto ou pardo e cresceu durante a ditadura chega aos 50 anos com saúde pior do que quem não é.

A descoberta é de um estudo da Universidade de Michigan publicado no Journal of Gerontology: Social Sciences que mostra como traumas históricos e desigualdades estruturais de décadas atrás continuam impactando a saúde da população negra.

A pesquisa indica que o período autoritário intensificou privações, gerando consequências que se estendem até a vida adulta: menor acesso à educação, piores condições de moradia, insegurança alimentar e exposição a violências durante a infância e juventude na ditadura criaram um quadro de vulnerabilidades que se manifesta em piores indicadores de saúde cinco décadas depois. (também no Nexo e no Notícia Preta)

E quando o corpo adoece e pede socorro, o sistema de saúde brasileiro também responde de forma desigual. Pesquisa da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ) publicada na Revista Brasileira de Cancerologia revela disparidades no acesso a exames preventivos que afetam desproporcionalmente mulheres negras.

Imagem: fotomontagem

O câncer do colo do útero é uma doença prevenível quando há diagnóstico precoce, mas as desigualdades no acesso ao Papanicolau — exame básico de rastreamento — significam que mulheres negras têm menos chances de detectar a doença em estágios iniciais. (também na Galileu)

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do Portal UAI.

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