Laboratório da USP identifica primeiros casos de gripe aviária no Parque Ibirapuera - Drops de Jogos

Laboratório da USP identifica primeiros casos de gripe aviária no Parque Ibirapuera

Cientistas detectaram e Secretaria de Agricultura e Abastecimento confirmou a presença do vírus da Influenza Aviária de Alta Patogenicidade em aves silvestres encontradas no parque

  • por em 11 de julho de 2025
Amostras de duas aves aquáticas testaram positivo para o vírus da influenza aviária - Foto: Igor Schutz / Flickr

Amostras de duas aves aquáticas testaram positivo para o vírus da influenza aviária - Foto: Igor Schutz / Flickr

Do Jornal da USP. O Laboratório de Pesquisa em Vírus Emergentes do Instituto de Ciências Biomédicas da USP (LPVE/ICB-USP) detectou a presença do vírus da Influenza Aviária de Alta Patogenicidade em aves silvestres encontradas no Parque Ibirapuera, na zona sul da capital paulista, um dos parques mais visitados do mundo. A identificação ocorreu no último dia 30 de junho, e a confirmação oficial dos resultados foi divulgada pelo Laboratório Federal de Defesa Agropecuária (LFDA) nesta sexta-feira (4) pela Defesa Agropecuária da Secretaria de Agricultura e Abastecimento (SAA).

Foram recebidas amostras de dois irerês (Dendrocygna viduata) e um socó (Butorides striata), aves aquáticas que não são residentes do parque, das quais duas testaram positivo para o vírus, e a outra segue em investigação. Os animais foram recolhidos após serem encontrados pela equipe da Secretaria do Verde e Meio Ambiente de São Paulo, responsável pelos parques e pela coleta das amostras biológicas, que foram enviadas para o laboratório da USP.

“Nosso laboratório monitora vírus em aves silvestres há muitos anos em diversas regiões do Brasil, e por se tratar de uma suspeita de influenza aviária, assim que recebemos as amostras, priorizamos os testes moleculares.

Amostras de duas aves aquáticas testaram positivo para o vírus da influenza aviária - Foto: Igor Schutz / Flickr

Amostras de duas aves aquáticas testaram positivo para o vírus da influenza aviária – Foto: Igor Schutz / Flickr

“Os primeiros resultados por PCR em tempo real indicaram se tratar realmente do vírus da Influenza Aviária de Alta Patogenicidade e, por isso, iniciamos imediatamente a confirmação por sequenciamento genético”, explicou o professor Jansen de Araujo, coordenador do LPVE na USP.

A influenza aviária é uma zoonose de grande impacto para a economia e risco para a saúde pública, especialmente no setor avícola. Embora as aves silvestres sejam hospedeiras naturais do vírus, a confirmação da presença em um dos parques mais visitados do Brasil acende o alerta para medidas de contenção e conscientização. “Os estudos ainda estão em andamento para melhor análise genômica. Dados preliminares de sequenciamento parcial demonstram uma linhagem diferente da encontrada na costa brasileira até o momento”, complementa o virologista Luciano Thomazelli, do Departamento de Virologia do ICB.

Cuidados para evitar a transmissão

A transmissão entre aves ocorre pelo contato direto com secreções ou fezes de animais infectados, ou ainda por meios indiretos, tais como água, alimentos e o próprio ambiente contaminados. A transmissão para humanos é rara e só ocorre em contato muito próximo com um animal doente, especialmente criadores e cuidadores. Para os pesquisadores, é fundamental que a população não entre em pânico, mas colabore seguindo as orientações.

“Não mexam em aves silvestres moribundas e mantenham distância caso encontrem animais mortos”, reforça o professor.

A gripe aviária não é comum em humanos, mas pode levar a casos graves quando ocorre. Até o momento, não há registro de transmissão direta em pessoas no Brasil. Em nota, a Defesa Agropecuária reforça que, por se tratar de um foco em aves silvestres, não há restrições às exportações de carne e ovos do Brasil, nem alteração do status sanitário do Estado ou do País junto à Organização Mundial de Saúde Animal (OMSA).

As autoridades intensificaram as ações de educação sanitária no Parque Ibirapuera para orientar visitantes a não se aproximarem dos animais silvestres e notificarem imediatamente a Defesa Agropecuária caso avistem algum animal morto ou doente. A prefeitura de São Paulo e a direção do parque também anunciaram que equipes de monitoramento farão rondas constantes para avaliar a situação da fauna e manter os frequentadores informados.

O que fazer ao encontrar uma ave doente ou morta?

  • Não toque no animal
  • Avise imediatamente os administradores do parque
  • Mantenha distância e oriente outras pessoas a não se aproximarem

*Com informações dos pesquisadores. Adaptado para o Jornal da USP

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do Portal UAI.

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