Por Pedro Zambarda, editor-chefe.
Miguel Angelo Laporta Nicolelis, o famoso neurocientista Miguel Nicolelis, nasceu em 7 de março de 1961, em São Paulo. Ele é graduado em Medicina pela Universidade de São Paulo (USP), onde fez doutorado em Ciências. O pós-doutorado em Fisiologia e Biofísica foi feito nos Estados Unidos, na Universidade Hahnemann.
Nicolelis se aposentou como professor da Universidade de Duke, nos Estados Unidos, em 2021. É fundador do Instituto Internacional de Neurociências de Natal-Edmond e Lily Safra (IINN-ELS) e do Centro de Educação e Pesquisa em Saúde Anita Garibaldi, unidades do ISD, localizadas na zona rural de Macaíba, Rio Grande do Norte.
Estive ontem em uma entrevista com Nicolelis e com o jurista Lenio Streck no Diário do Centro do Mundo.
O neurocientista fez algumas colocações sobre profissionais, estudantes e pesquisadores que abusam no uso de inteligências artificiais, IAs como ChatGPT e DeepSeek. Não só no DCM, mas em podcasts como o Flow, Nicolelis tem insistido no ponto que a IA “não é inteligência e nem artificial”.
Falou um pouco sobre isso, inclusive, em entrevista ao programa Meteoro Microscópio, de Sophia La Banca.

IA e o problema da memória
De acordo com Nicolelis, pesquisas recentes, sobretudo envolvendo estudantes, apontam que os usuários de IA generativa não memorizam o que “escrevem” ou publicam 30 minutos após a execução da tarefa. A ferramenta que serviria para ampliar a produtividade humana estaria, na realidade, atrofiando os processos intelectuais.
Na conversa completa no Diário do Centro do Mundo, o neurocientista também aponta para a amplicação dos conteúdos de inteligência artificial para tomar mais de 80% da internet, tornando o processo criativo cada vez mais inviável. Como a IA generativa gera textos, imagens e vídeos baseados em materiais pré-existentes, o processo de emissão de materiais inéditos seria inibido nessa evolução.
Seria a internet dos prompts destruindo a própria internet – uma vez que não produziria nada novo ou original. E isso passa longe da questão dos direitos autorais, que já são um problema.
Afetariam o processo de educação e de conhecimento.
A importância de se fazer um movimento contrário às IAs
IA é uma ferramenta que pode ser utilizada. No entanto, ela desperdiça recursos hídricos em datacenters e alimenta big techs que promovem invasões em países em desenvolvimento, alimentando nações do norte global. E cientistas e especialistas enxergam prejuízos para o processo educacional.
Defendo que você deixe o ChatGPT de lado e volte a escrever seus textos. Você pode até não ser tão catastrofista quanto Nicolelis é. Mas é inegável que o processo de apropriação tecnológica precisa de crítica.
Do caso contrário, o lado lesado será o seu próprio conhecimento.
Veja a entrevista no DCM aqui.
** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do Portal UAI.
