O que significa ser “indie” no mercado brasileiro? Por Renato Degiovani, colunista do Drops de Jogos

"Com o boom das stores, isto é, das lojas virtuais, a coisa ficou meio sem sentido, afinal cabe a pergunta: independente de que, cara pálida?"

Fotomontagem: Kao Tokio

Esse lance de ser índio tem rendido vários coments em posts na internet.
Resolvi, então, deixar aqui o que acredito ser uma possível solução para esta questão.

Em primeiro lugar, o termo "indie" começou a ser usado nos anos 80 para designar bandas e músicos que (por um motivo qualquer) não dependiam das gravadoras para criar, produzir e divulgar a sua arte. Não entra aqui nenhum juízo de valor ou considerações comerciais.

Até meados de 2006, usar o termo ainda fazia algum sentido no mundo dos games, uma vez que a produção da mídia (cassete, disquete, cd rom, dvd etc) requer uma estrutura de distribuição complexa e investimento alto para que o produto fique disponível no mercado. E tome pirataria, por motivos óbvios.

Com o boom das stores, isto é, das lojas virtuais, a coisa ficou meio sem sentido, afinal cabe a pergunta: independente de que, cara pálida?

Se nos apegarmos ao significado original da palavra indie, adicionando uma pitada de atualização e mais um tiquinho de brasilidade, para dar o sabor da coisa, entendo que poderiamos usar dois termos distintos:

Indie

É o game feito por empresa pequena ou média, que está na luta por um lugar ao sol e cujas responsabilidades assumidas (principalmente no quesito funcionários) impõem um certo grau de compromisso com resultados concretos.

Assim, a gente preserva o sentido original do termo, já que embora não necessários mais, ainda existam publishers.

Indie do B

É o game feito de curtição, paixão, para mostrar serviço, artisticamente falando, de cunho cultural forte, "olha eu aí, mamãe", "vamos ver no que dá", de olho no edital etc.

Não tirando, claro, o mérito de tentar levantar uma grana nas stores, mas isso não seria pré-resquisito essencial.

Digamos que sua situação seja game Indie, então, eu diria BIG e BGS são sua praia e é bom dar um jeito de nadar de braçada nela.
Já se é caso Indie do B, SBGames seria mais confortável de participar, academicamente falando, embora até o próprio evento ande meio "comercial".

Em tempo, na próxima segunda-feira (11/07) sai um podcast do Player 2 sobre essa questão. Fique atento.

Renato Degiovani é o primeiro game designer de jogos digitais, desde 1981. É colunista do site Drops de Jogos no espaço DEV.LOG, com textos regulares sobre sua experiência de décadas. Foi o desenvolvedor do jogo Amazônia, é conhecido na comunidade nacional do aparelho MSX, editou a revista Micro Sistemas e é responsável pelo espaço TILT Online.

Acompanhe Drops de Jogos no Facebook e no Twitter.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do Portal UAI.

Categorias:
Negócios