COP30: IA desafia agenda climática em relação ao consumo de energia e água - Drops de Jogos

COP30: IA desafia agenda climática em relação ao consumo de energia e água

As empresas têm investido para otimizar a utilização desses recursos, além de adotar a inteligência artificial para trazer soluções sustentáveis

  • por em 19 de novembro de 2025
Inteligência artificial // Artificial intelligence, conceptual illustration. (Photo by JULIEN TROMEUR/ JTO / Science Photo Library via AFP)

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Drops recebeu informações oficiais.

Inteligência artificial // Artificial intelligence, conceptual illustration. (Photo by JULIEN TROMEUR/ JTO / Science Photo Library via AFP)

Inteligência artificial // Artificial intelligence, conceptual illustration. (Photo by JULIEN TROMEUR/ JTO / Science Photo Library via AFP)

A rápida adoção da inteligência artificial traz um alerta sobre o consumo dos recursos naturais que são imprescindíveis para seu funcionamento. Os data centers consomem muita energia elétrica e precisam de água para que sejam resfriados. Os equipamentos dessa tecnologia têm minerais críticos em sua composição, como cobre e terras raras. “O uso de IA pelas empresas saltou de 55% em 2023 para 78% no ano passado, com previsão de atingir 88% neste ano.
A IA generativa aparece como destaque nesse cenário. Ou seja, IA não é uma tendência, mas realidade, embora existam algumas expectativas infladas”, disse David Dias, sócio-líder de IA da EY na América Latina, que palestrou, na EY House durante a COP30, em painel sobre riscos e oportunidades da IA na agenda climática. “Basta ver a velocidade de adoção do ChatGPT, que, na sua primeira semana, registrou 1 milhão de visitas, mas já chegou à marca de 700 milhões. Em apenas 32 semanas, o volume de acessos explodiu, com velocidade incrível de adoção, inclusive nas organizações”, completou.
O treinamento de modelos de IA generativa consome até oito vezes mais energia do que os tradicionais. O impacto ambiental se divide em três vetores: no treinamento dos modelos, no refinamento constante deles e na chamada inferência, que se refere à fase de operação da tecnologia. Na inferência, o consumo de energia é gerado pela utilização das ferramentas de IA pelo usuário – ao enviar, por exemplo, uma pergunta para o ChatGPT ou Gemini. “O consumo de energia é maior na inferência por estar ligada à operação”, observou o executivo.
Uma única geração de imagem por IA equivale a percorrer seis quilômetros em um carro a gasolina. Já uma consulta no ChatGPT consome cinco vezes mais eletricidade do que uma busca no Google. Por fim, o resumo de 1,5 mil textos em uma ferramenta de IA equivale, em termos de energia consumida, a um carregamento completo da bateria do carro elétrico.
Além disso, para cada versão lançada das plataformas de IA, são realizados testes, resultando em maior consumo de energia elétrica pelos data centers. Nos países que lideram a corrida por IA, com destaque para China e EUA, cuja matriz energética provém principalmente de combustíveis fósseis, isso significa maiores emissões de dióxido de carbono.

“Essas emissões passaram de 588 toneladas de dióxido de carbono na versão do GPT-3 para quase 9 mil toneladas em modelos atuais. Até 2026, o consumo demandado por essa infraestrutura global de data center vai equivaler ao quinto país que mais consome energia no planeta”, observou David.
As próprias empresas, no entanto, têm investido para otimizar o consumo de energia elétrica e o uso da água. “Isso parte dos provedores dessa tecnologia, como a chinesa DeepSeek, que trouxe uma disrupção para a indústria ao reduzir em 18 vezes o custo de inferência e em 36 vezes o custo de treinamento, sem perder performance”, afirmou o executivo da EY. Além disso, a própria IA está sendo usada para mitigar o problema. O Google, utilizando tecnologia da DeepMind, reduziu em 40% o consumo de energia para resfriamento dos seus data centers.
A tecnologia também atua na otimização de cadeias de suprimentos, podendo reduzir a pegada de carbono em cerca de 30% ao melhorar o transporte e a previsibilidade de estoques, evitando desperdícios. A IA generativa tem sido usada ainda no monitoramento por satélite das florestas e para o avanço da agricultura de precisão, trazendo nesse caso redução do consumo de água e do uso de fertilizantes. “Surgiu recentemente aplicação de IA no mercado de carbono, a fim de elevar a confiabilidade dos créditos comercializados.”
“Ainda em relação ao consumo de energia no treinamento, os chips e GPUs se tornam 40% mais eficientes a cada ano. Em 2017, o modelo da NVIDIA, uma das maiores empresas de tecnologia do mundo, fazia 74 bilhões de cálculos por segundo por watt. Hoje, alcança 2,5 trilhões de cálculos por segundo por watt. Isso representa uma eficiência 34 vezes maior, refletindo na redução do consumo de energia”, disse David.
O MIT (Massachusetts Institute of Technology) está propondo uma visão mais clara para os usuários do quanto esses modelos de IA emitem carbono na inferência – nos mesmos moldes daquilo que é feito com os voos no Google Flights. “A cada pesquisa ou interação de IA, apareceria o volume emitido de carbono”, finalizou.
As três BIAs do Bradesco

No setor financeiro, o Bradesco tem se destacado na otimização do uso dos recursos, conforme detalhou Cíntia Barcelos, CTO (Chief Technology Officer) do banco, que também palestrou no painel da EY. “Temos três data centers próprios que passam por constantes atualizações tecnológicas com foco em sustentabilidade. As medidas incluem a redução de 10% no consumo de ar-condicionado, diminuição de 58% no consumo de óleo diesel em geradores, sistema de monitoramento e equalização das baterias, estendendo em 40% sua vida útil, e reutilização de 134 quilômetros de cabeamento”, afirmou. “Além disso, nossa área de compras tem como procedimento verificar com nosso time técnico se os fornecedores de cloud e de outras tecnologias que consumimos têm as certificações de sustentabilidade adequadas.”
Esses desafios são enormes ao considerar que a BIA, inteligência artificial do banco, acumulou 2,7 bilhões de interações em uma década de existência. “Tínhamos dificuldade na fluidez da conversa com a IA clássica. Brincávamos que a BIA tinha memória seletiva”, relembrou Cíntia. “Com a IA generativa, a mudança foi drástica. O que antes era difícil de estruturar tornou-se rápido. Todas as nossas BIAs já contam com IA generativa.” O Bradesco conta com três versões da BIA: a corporativa para uso interno dos funcionários; a do cliente, que resolve, de acordo com a CTO, 99% das transações digitais; e a BIA Tech, focada no ciclo de vida dos profissionais de tecnologia, auxiliando na geração e no teste dos códigos.
“Temos, na utilização da IA, uma vantagem competitiva em relação aos outros países: a matriz energética brasileira é limpa”, destacou Cíntia. “No caso do Bradesco, por exemplo, desde 2020, 100% da energia que consumimos é proveniente de fontes renováveis. Além disso, somos carbono neutro operacionalmente.” Isso significa que quando a instituição financeira roda seus modelos de IA, utilizando sua infraestrutura e energia, já parte de um patamar de sustentabilidade superior aos de outras regiões do mundo que dependem de energia advinda de combustíveis fósseis.

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As equipes da EY atuam em todo espectro de serviços em assurance, consulting, tax e Strategy and Transactions, agora EY-Parthenon. Impulsionadas pela visão dos setores da indústria, parceiros de diversos ecossistemas e uma rede multidisciplinar e globalmente conectada, as equipes da EY podem fornecer serviços em mais de 150 países.

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** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do Portal UAI.

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