Entenda por qual razão as GPUs estão tão caras

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Preço alto não é um problema brasileiro, é mundial: dólar, Bitcoin e política interferem diretamente no mercado de GPUs.

Em 2020 as placas de vídeo mais recentes da Nvidia e AMD já estavam bem caras, isso se você conseguisse encontrar. Mas em 2021 as marcas se superaram, e os preços estão surreais, ficando fácil acima dos R$ 10 mil no Brasil.

Quais os motivos desses valores?

2020: ano da pandemia e das criptomoedas

Tudo começou no exterior, no início de 2020 com a pandemia. Com fábricas paradas, bem como as cadeias de distribuição, a fabricação de chips para as novas GPUs da AMD e Nvidia foi seriamente afetada.

Para piorar a situação, com o pouco que era produzido, os varejistas normalmente esgotam em segundos seus estoques. O problema é que não eram clientes comuns comprando, mas sim cambistas e mineradores de criptomoedas que usavam bots para comprar o maior número possível de placas gráficas.

Antes de 2020, o mercado de criptomoedas estava mais focado no BitCoin, a mais conhecida delas. Porém, foram introduzidas maneiras mais fáceis de lucrar com equipamentos caseiros. Por exemplo, é possível minerar o Ethereum, outra criptomoeda, usando uma placa de vídeo potente em um PC caseiro.

A situação chegou ao extremo de que varejistas tiveram que implementar táticas anti-bot, como listas de espera, sistemas de verificação humana mais agressivos e limites rígidos sobre quantas GPUs os clientes poderiam comprar.

E, para encerrar o ano com chave de ouro, a partir de 31 de dezembro de 2020, GPUs e placas mãe foram incluídas nas tarifas que o então governo Trump colocou sobre as importações chinesas.

Esses componentes de PC eram anteriormente isentos dessas tarifas, mas essas exceções expiraram e nenhuma prorrogação foi aplicada. Isso significou um aumento de 25% nos produtos. As GPUs mais afetadas foram as high-end — incluindo as novas RTX 3090, 3080, 3070 e 3060 Ti da Nvidia e RX 6800 e RX 6800 XT da AMD.

Apenas alguns dias após o término das isenções tarifárias, vários fabricantes de placas gráficas de terceiros e empresas de PC personalizados atualizaram seus preços para contabilizar os novos impostos de importação.

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No Brasil a situação piorou

Como nós brasileiros somos eternos sofredores, se lá foi ruim, aqui foi pior ainda.

Como os varejistas brasileiros importam suas GPUs, e comprando em dólar, o preço da moeda americana comercializada no Brasil afeta em muito o preço final.

Em janeiro de 2020, antes da pandemia, o dólar estava cotado na casa dos R$ 4, que já era um preço alto. Após isso, a moeda chegou próximo dos R$ 5,90.

Vamos dar um exemplo: a ASUS RTX 3090 custava cerca de U$ 1.800 nos EUA antes das tarifas americanas sobre produtos da China, após, subiu para cerca de U$ 2.000. Com o dólar de hoje (19 de abril) isso daria praticamente R$ 11,2 mil!

Mas calma, esse é o preço nos EUA. Chegando aqui, é somado todo o chamado “custo Brasil” que nem vamos entrar em detalhes.

Basta uma procura na internet para ver uma placa desse modelo acima de R$ 20 mil! Porém, não há nada de novo, o preço de qualquer coisa importada no Brasil sempre ficou em torno do dobro do preço americano.

A situação irá melhorar?

Nosso melhor conselho para quem quer construir ou atualizar seu PC, é fazer compras com sabedoria e saber como escolher uma placa de vídeo boa e barata.

Você não pode evitar os aumentos de preços, mas também vale a pena avaliar se você realmente precisa de uma GPU moderna que custa acima dos R$ 10 mil.

Pense em que tipo de jogo você costuma jogar e se realmente todas as novas tecnologias afetarão o principal: o prazer de jogar.

Por enquanto, infelizmente, não há previsão de melhoras. Fabricantes como a Nvidia já avisaram que a escassez de chips se estenderá até o resto de 2021, ao mesmo tempo que a demanda só cresce. Isso significa que os preços continuarão altos, devido a quantidade limitada de produção.

Já no Brasil, com a crise sanitária e política que o país vive, economistas não apontam para uma queda do dólar, o que significa que os preços continuarão estratosféricos por aqui.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do Portal UAI.

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