“Vamos proteger a beleza e o poder redentor da arte”, disse o diretor, cujo filme “O Labirinto do Fauno” foi restaurado sem recurso a IA e regressa às salas de cinema em outubro. Em 2006, o mexicano Guillermo del Toro estreou aquilo que é, provavelmente, a sua obra-prima: O Labirinto do Fauno.
Agora, del Toro confirmou que uma versão restaurada de O Labirinto do Fauno volta às salas de cinema em outubro no 20.º aniversário do filme.
Ele disse, na San Diego Comic-Con, que a restauração do filme foi feita manualmente e sem recurso a IA. Del Toro, que anteriormente tinha afirmado que tudo o que a IA conseguia criar eram “protetores de tela semi-convincentes”, explicou que converteu o filme para 3D manualmente.
“Obviamente, disse: ‘Absolutamente com nenhuma da maldita IA’”, contou, frase recebida com aplausos da plateia.
“Queremos proteger a beleza e o poder redentor da arte. Não se trata de saber quem fica com o trabalho. Protegemos uma linhagem artística. Se cortarmos uma geração inteira de pessoas do processo de aprender o seu ofício, afastamos elas de todo o resto da história desse meio por qual razão?”
Acrescentou que decidiu dedicar tempo à conversão, afirmando: “É preciso investir tempo. É preciso fazer cada elemento à mão. Um ser humano tomou a decisão sobre a profundidade.”
Não é a primeira vez que del Toro se manifesta contra a controversa tecnologia e os seus malefícios.
No ano passado, no Festival de Cinema Lumière, onde apresentou Frankenstein, criticou o uso de IA no cinema, afirmando: “Vivemos tempos perigosos, tempos em que temos vergonha das nossas emoções, em que nos dizem que a arte não é importante e que podemos fazer arte numa aplicação de merda…”
“Quando nos roubam a arte e a emoção, isso empurra-nos para a estética do fascismo”, acrescentou, antes de dizer sobre Frankenstein: “Neste filme, todos os cenários são reais, a decoração é à escala humana, há miniaturas criadas ao detalhe… É uma ópera, feita por humanos para humanos. É um filme que existe para nos lembrar que a arte não é apenas necessária, é urgente. E a IA que se lixe!”.
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Com informações da Euronews.
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