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A RECLAMAÇÃO DA GAMESCOM LATAM, O JOGO DA TRAVESTI E O ATAQUE AO DROPS DE JOGOS

Fizemos o resumo de duas reportagens do Drops de Jogos em vídeo. Confira o nosso resumão e faça um comentário para que a gente possa entender o que você está pensando.

Relembre a reportagem principal.

O desenvolvedor Matheus Borba da GoGo Games, organizador da GameJam Plus, utilizou o jogo de uma criadora travesti para tecer críticas à organização da Gamescom Latam. Escreveu Borba: “Gostaria de expressar minha insatisfação a falta de profissionalismo no processo de seleção de jogos para eventos como Big Festival e Gamescom Latam”.

No texto, já apagado por Borba, ele diz que há jogos em wishlist que ultrapassam 50 mil ou 100 mil que deveriam ser reconhecidos pelo evento. E dá como exemplo o jogo lunr.rdio.taxi, da desenvolvedora travesti Talbone, da Soín, como um que não deveria ser contemplado pelo encontro.

Talbone escreve no LinkedIn sobre o caso, criticando Borba.

Como o LinkedIn apaga recompartilhamentos de posts apagados, minha resposta ao post de um colega aqui na rede foi perdida. Porém, reconhecendo a importância dos pontos feitos na minha resposta, decidi por redigir novamente parte do meu texto, omitindo relações com o autor do post original.

“Pra explicar um pouquinho pra quem ainda não conhece, lunr.rdio.taxi é um jogo de ritmo e drift com uma pesadíssima carga cultural brasileira. Naves inspiradas em clássicos carros do nosso dia-a-dia (tem uma nave que é um paredão de som!) e temáticas reais e concretas na vida do jovem brasileiro.

Temos trabalhado com DJs e produtores musicais de todo o país para construir um line-up que não será apenas uma trilha sonora, mas também uma experiência documental e metafórica da vida urbana noturna brasileira nos tempos atuais. É música BRASILEIRA DE VERDADE, que as pessoas ouvem, curtem e dançam.

Além dessa carga pesadíssima que nosso projeto já tem, enquanto produto, temos também uma outra frente importante na nossa produção: somos um time quase 100% formado por pessoas trans, neurodivergentes, e principalmente, de origens humildes e nada privilegiadas. A seleção do nosso projeto significará muito na vida de cada membro do time.

Não é nenhuma novidade que a indústria de desenvolvimento de jogos nacional é refém, a muito tempo, de eventos nada transparentes em respeito à seleção de jogos expostos, bem como também de uma escassez enorme de atenção midiática voltada para projetos nacionais. Não acreditamos que é o nosso jogo que vai mudar isso, mas é um tanto quanto triste ver que nossa presença em eventos como a Gamescom Latam é vista por alguns não como motivo de comemoração, mas sim de post indignado no LinkedIn. Porém, seguimos.

Alguns devem ainda lembrar de uma famosa ‘carta aberta’ para o BIG Festival reinvindicando mais transparência e critérios mais claros de seleção, redigida e assinada coletivamente, anos atrás. (https://lnkd.in/dSxJqQwv)
Meu nome (morto) estava entre as assinaturas da carta.

Sucesso pra todos nós.”

Lembrando duas coisas: Transfobia é crime, equiparado ao crime de racismo, e a falta de inclusão diversa na cena brasileira de jogos gera discussões como essa.

A RECLAMAÇÃO DA GAMESCOM LATAM, O JOGO DA TRAVESTI E O ATAQUE AO DROPS DE JOGOS. Foto: Divulgação/Drops de Jogos

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Pedro Zambarda

É jornalista, escritor e comunicador. Formado em Jornalismo pela Faculdade Cásper Líbero e em Filosofia pela FFLCH-USP. É editor-chefe do Drops de Jogos e editor do projeto Geração Gamer. Escreve sobre games, tecnologia, política, negócios, economia e sociedade. Email: dropsdejogos@gmail.com ou pedrozambarda@gmail.com.

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