“Escrever biografias é um exercício de ética e distanciamento”, diz Fernando Morais - Drops de Jogos

“Escrever biografias é um exercício de ética e distanciamento”, diz Fernando Morais

Teve comentário no Meteoro Brasil sobre essa entrevista

  • por em 7 de novembro de 2025

Do IREE. No episódio do Podcast Reconversa, que foi ao ar no dia 27 de outubro de 2025, o escritor Fernando Morais contou bastidores de sua convivência com o presidente Lula durante a produção da biografia do petista e explicou como faz para manter a objetividade diante de seus biografados, sejam figuras contemporâneas, como o próprio Lula ou Paulo Coelho, sejam personagens cuja trajetória já teve um ponto final, como Olga Benário e Assis Chateaubriand.

Morais comentou os cuidados éticos e profissionais que teve ao escrever sobre Lula, destacando a relação de confiança entre os dois, mas também sua independência como autor. Ele contou que combinou com o ex-presidente que este não leria os originais antes da publicação e relatou momentos em que precisou lembrá-lo de que estava ali como biógrafo, não como amigo.

“Quando ele começava a falar, na minha presença, coisas que eu achava que, se aproveitadas, poderiam criar problemas para ele, para a imagem dele, eu dizia o seguinte: ‘Presidente, o senhor está se esquecendo de que quem está aqui não é mais o Fernando Morais que ia para a porta da fábrica em 75, 77, 79, mas o cara que vai escrever um livro sobre a sua história. O senhor está falando coisas aí sem se preocupar com a minha presença do seu lado. E eu tenho o dever de honestidade, tenho a obrigação de advertir o senhor sobre essas coisas.’ Eu sou autor, não sou biógrafo oficial”, disse.

Fernando Morais é um dos escritores mais bem-sucedidos do país. Desde a reportagem “A Ilha”, publicada em 1976, sobre Cuba, até o primeiro volume da biografia de Lula, lançado em 2021, somam-se dez livros, que já venderam seis milhões de exemplares em 38 países. Morais resume: “O maior desafio de um biógrafo é manter um distanciamento da personagem, de modo a não se apaixonar por ela nem a odiá-la”.

Ao falar sobre o processo de escrever a biografia de Paulo Coelho, Morais refletiu sobre o paradoxo de ser um dos autores mais vendidos do mundo e, ao mesmo tempo, desprezado pela elite literária. Ele atribui isso, em parte, à inveja em relação ao sucesso popular do escritor.

“Todo mundo tem inveja do cara que vendeu 300 milhões de livros. Como é que você explica que um cara como Paulo Coelho seja o mais vendido em Israel e no Irã? Ele é o best-seller dos dois países. Como é que se explica isso? Umberto Eco disse, depois de ler tudo do Paulo: ‘A crítica o trata muito mal porque tem preconceito contra o fenômeno Paulo Coelho. E ele escreve para quem acredita, para quem tem fé’.”

Podcast Reconversa é apresentado pelo jornalista Reinaldo Azevedo e pelo Presidente do IREE, Walfrido Warde. As entrevistas vão ao ar toda segunda-feira, às 21h30! O vídeo completo pode ser visto aqui.

Opa, Pedro Zambarda aqui: Eu também gravei um vídeo no Meteoro Brasil comentando essa entrevista. Vocês também podem ver logo acima.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do Portal UAI.

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