10 filmes que marcaram o ano de 2025 - Drops de Jogos

10 filmes que marcaram o ano de 2025

De Pecadores a Uma Batalha Após a Outra, esses foram os filmes que serão sempre lembrados quando falarmos sobre o estado dos cinemas em 2025.

(Imagem: montagem por Rafael Silva/Drops)

Uma coisa que todo cinéfilo vai concordar: 2025 foi um bom ano pro cinema. Não ótimo, não excelente, não surpreendente – bom. Apesar de muitos estúdios terem levado esse ano como uma espécie de “transição” para 2026 – este sim que promete demais – no geral, o ano trouxe diversos bons filmes para os amantes da sétima arte.

Como estamos na época obrigatória das retrospectivas, vamos fazer aqui uma diferente: não dos “10 melhores filmes do ano” (algo completamente subjetivo e, por isso, sem tanto valor), mas 10 filmes que marcaram o ano de 2025. Aqui falamos de grandes sucessos e de grandes fracassos – a qualidade em si não importa, mas sim o quanto ele dominou o discurso ao longo do ano.

E, para ficar uma lista mais justa, vamos agrupar eles aqui do único jeito possível: pela quantidade de caracteres no nome.

F1

Depois de chocar o mundo com Top Gun: Maverick ao conseguir pegar o conceito de uma continuação feita apenas para ganhar grana fácil com a nostalgia e transformar num filme realmente bom e que faz jus ao original, o diretor Joseph Kosinski trocou os jatos de caça por carros de corrida, e entregou mais um filme de muito sucesso.

F1 não apenas foi mais um sinal de que o público está interessado em grandes épicos que não necessariamente envolve superpoderes e pessoas com colant, mas também é mais uma vitória da Apple no mercado de entretenimento. Os maiores sucessos da empresa este ano foram no streaming, mas F1 mostrou que a empresa também consegue emplacar filmes de sucesso no cinema – com uma arrecadação de mais de US$600 milhões, o longa foi uma das maiores bilheterias do ano.

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Superman

(Imagem: divulgação)

Fazia tempo que um filme de super-heróis não tinha tanta responsabilidade nos ombros: com o seu Superman, James Gunn precisava provar que estava pronta para iniciar um novo universo compartilhado de seres superpoderosos e filmes que custam um terraço na paulista, provar que o público não cansou de filmes de super-heróis e iria pagar para assistir um que fosse decente, e que a sombra do Snyderverso era só meia dúzia de fãs raivosos comandando alguns milhões de perfis fakes no Twitter.

E, com Superman, ele meio que conseguiu vencer todos esses testes. Apesar de não ser um filme perfeito e a bilheteria não ter chegado ao nível de um Vingadores (na casa dos bilhões), o filme não apenas foi um sucesso comercial (o primeiro da DC a gerar lucro só com a bilheteria dos cinemas desde sabe-se-lá-quando) como também foi abraçado por público e crítica, que considerou este um retorno à época de quando esses filmes tinham uma alma, uma mensagem para passar que não fosse apenas “POW! SOC! PÁ! O status quo é bonito e perfeito e devemos derrotar todos aqueles que sugerem que não e querem fazer mudanças nele!”

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Pecadores

(Imagem: captura de tela/YouTube)

Este com certeza foi a maior surpresa de 2025. O mais recente filme de Ryan Coogler estava sendo aguardado como algo para se tornar um novo “clássico cult”, e não o sucesso blockbuster que acabou sendo.

Primeiro, porque muita gente não esperava que o público fosse abraçar um filme sobre vampiros que também era, ao mesmo tempo, um filme sobre como os negros transformaram toda a opressão que sofrem em resiliência e uma cultura que só seria levada a sério quando tomada pelos brancos. Segundo, porque ninguém imaginava que um filme que claramente coloca a KKK e a branquitude como vilões seria um sucesso no atual clima político do mundo.

Mas para além do sucesso, Pecadores é uma lição de força criadora dentro da própria indústria do cinema. O filme superou até mesmo o marketing negativo de diversas camadas da imprensa e dos estúdios, que queriam que o filme fracassasse pelo fato de Coogler ter conseguido manter os direitos sobre a sua própria obra. Sim, os direitos de Pecadores são do diretor, e não do estúdio – e isso é visto por muitos como algo perigoso e uma ameaça à forma (predatória para com os reais criadores) que os filmes sempre foram feitos em Hollywood.

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A Hora do Mal

(Imagem: captura de tela/YouTube)

O mais recente filme de Zach Cregger é mais um ótimo filme do diretor que gosta de misturar terror com crítica social foda. Como uma metáfora para os tempos atuais, o filme mostra uma pacata cidade que começa a procurar culpados pelo desaparecimento de suas crianças enquanto ignora completamente uma bruxa que parece o Bozo que surgiu na cidade exatamente na mesma época dos desaparecimentos.

A Hora do Mal faz uma clara alegoria a um momento atual do mundo, onde muitas pessoas continuam apontando um fantasma do comunismo com “medo do futuro” enquanto ignoram os literais líderes fascistas que deterioram as estruturas sociais, atentam contra suas liberdades individuais e perseguem aqueles que se opõem contra a nova ordem – tudo aquilo que o comunismo imaginário irá fazer, mas que é sumariamente ignorado quando feito por um monte de gente que se diz “cristã” e “de direita”. Porque se tem algo que a história nos ensinou é que pessoas que defendem com unhas e dentes interesses religiosos e mercadológicos nunca fizeram mal a ninguém.

A Meia Irmã Feia

Este filme entra na conta de sua contribuição memética. Pouca gente viu de verdade este longa sobre a “irmã feia” da Cinderela, mas tenho certeza que muitos sentiram o almoço voltando pra garganta cada vez que essa imagem aí de baixo passou pela timeline das redes sociais.

Esse é o poder midiático de alguns filmes: muitas vezes ele se tornam parte das nossas vidas e permanecem na nossa memória mesmo que a gente nunca tenha os tenha assistido.

E se você ainda não tinha visto isso: de nada.

O Agente Secreto

O Agente Secreto. Foto: Divulgação

O Agente Secreto. Foto: Divulgação

O novo filme de Kleber Mendonça Filho é o mais novo “nome forte” do Brasil para o Oscar. O longa traz Wagner Moura como um professor universitário que acaba envolvido em uma rede de espionagem contra a ditadura militar brasileira, e retrata um pouco de como era viver em um país onde a propaganda massiva tentava convencer as pessoas de que aquilo que elas viam com os próprios olhos e sentiam na pele não era real.

O filme não apenas é um dos mais fortes concorrentes ao Oscar de Melhor Filme Estrangeiro, como também colocou Wagner Moura como um dos favoritos ao Oscar de Melhor Ator. Depois de anos sempre batendo na trave, O Agente Secreto pode ajudar o Brasil a levar um (ou alguns) Oscar(es) pra casa por dois anos consecutivos.

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Amores Materialistas

(Imagem: divulgação)

O segundo filme da diretora Celine Song foi também um dos mais controversos deste ano. Ao contar a história de um triângulo amoroso com “os pés no chão”, a diretora sul-coreana frustrou os fãs de comédias românticas que esperavam uma história clássica igual a todas as outras.

E nesta (como em quase todas as vezes) os fãs estão errados. Amores Materialistas é um dos romances mais sensíveis já feitos pro cinema justamente por romper a tradição e trazer uma história onde necessidades materiais – como ter dinheiro pra pagar as contas – é tão ou mais importante do que apenas o sentimento amoroso. Porque qualquer pessoa que já tentou ter um relacionamento sabe que o amor supera muitas coisas, mas uma dívida com o banco, contas atrasadas e não conseguir pagar um combo básico do Mac é um complicador muito real e que (quase) nenhum filme leva em conta.

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Como Treinar Seu Dragão

O remake em live action de uma animação de muito sucesso lançada em 2010, dirigida pelo mesmo diretor da animação e que, ao considerar o ajuste da inflação, conseguiu basicamente a mesma bilheteria mundial do filme original (US$494 milhões a versão de 2010, US$636 milhões a de 2025).

Como Treinar Seu Dragão é um lembrete de como muitas vezes a vida é um ciclo contínuo e infinito no pior sentido – de fazer você perceber que está se movimentando o tempo todo para acabar sempre no mesmo lugar e ficar se perguntando qual o sentido de tanto esforço.

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Jurassic World: Recomeço

A regra é clara: não importa o quão ruim seja um filme com dinossauros, se ele for alguma espécie de continuação de Jurassic Park ele será um dos filmes de maior hype de qualquer ano. E isso diz muito mais sobre o Jurassic Park original – um dos melhores (senão o melhor) filmes de toda a história do cinema – do que sobre essas continuações em si.

E essa história se repete em Jurassic World: Recomeço. O filme não é exatamente ruim para o padrão de sequências da franquia (existem muito, MUITO piores) mas, ao terminar de assisti-lo, o único sentimento que perdura é “legal, mas eu podia ter usado esse tempo pra ver Jurassic Park de novo né?”

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Uma Batalha Após a Outra

(Imagem: captura de tela/YouTube)

Possivelmente o filme mais “explosivo” da carreira de Paul Thomas Anderson, Uma Batalha Após a Outra é um grande épico sobre a luta diária, invisível e quase que inútil contra sistemas opressores que fazem o que quer e manipulam a opinião pública para não receber nenhuma punição para com seus atos. É também um épico sobre como atos de rebeldia não são um exercício exclusivo da juventude, e é preciso que pessoas de todas as faixas de idade e camadas sociais precisam fazer sua parte – mesmo quando já estão cansados e sentem que a luta é em vão. E é também um épico sobre como um cara de meia-idade branco que estava apenas ali vai receber muito mais créditos por uma vitória do que todas as minorias que realmente fizeram o trabalho.

Mas mais importante de tudo: Uma Batalha Após a Outra é um épico de como nem todos os críticos de cinema de mundo te falando que um dos melhores diretores vivos está lançando um dos melhores filmes de toda a carreira vai fazer as pessoas levantarem a bunda do sofá e irem pro cinema assistir um filme de mais de 3h de duração que não tenha índios alienígenas azuis e uma mensagem muito superficial sobre como é importante preservar a natureza.

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** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do Portal UAI.

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