10 jogos de videogames que marcaram o ano de 2025 - Drops de Jogos

10 jogos de videogames que marcaram o ano de 2025

De Clair Obscur: Expedition 33 a Horses, esses foram os jogos que serão sempre lembrados quando falarmos do anos de 2025 nos videogames.

(Imagem: montagem por Rafael Silva/Drops)

Eu não sei pra você mas, pros jogos de videogame, 2025 foi um ótimo ano. Praticamente toda semana tivemos algum grande lançamento, seja no sentido de “blocksbuster que vendeu milhões de cópias na semana de lançamento” ou no sentido de “jogo indie que ninguém esperava que seria um sucesso e dominou o noticiário”.

Como estamos na época obrigatória das retrospectivas, vamos fazer aqui uma diferente: não dos “10 melhores jogos do ano” (algo completamente subjetivo e, por isso, sem tanto valor), mas 10 jogos que marcaram o ano de 2025. Aqui falamos de grandes sucessos e de grandes fracassos – a qualidade do jogo em si não importa, mas sim o quanto ele dominou o discurso gamer ao longo do ano.

E, para ficar uma lista mais justa, vamos agrupar eles aqui do único jeito possível: pela quantidade de caracteres no nome.

Horses

(Imagem: divulgação/Santa Regione)

Praticamente todo o mês de novembro – e o início de dezembro – foi dominado por Horses, um jogo de terror produzido pelo estúdio italiano Santa Regione. Este game de terror com status de arte poderia ser apenas mais um indie nichado que é muito amado por poucos e ignorado por todo o resto, mas ele dominou as manchetes por semanas devido a uma decisão controversa da Steam de impedir a venda dele na plataforma – decisão essa que também foi seguida pela Epic Games.

Em um ano em que diversos estúdios independentes foram vitimados por pressões de companhias de cartões de crédito, Horses foi um lembrete de que as pressões externas do capital podem facilmente vitimar as vozes mais criativas dessa indústria – principalmente porque a ideia de que “videogame é arte” nunca saiu do papel e, na prática, os jogos são vistos apenas como mercadorias desenvolvidas unicamente para gerar lucro com entretenimento.

E isso ficou muito claro com toda a controvérsia em cima de Horses, um jogo que é tão “pesado” quanto qualquer filme de terror psicológico da A24 que todo ano tá disputando meia dúzia de Oscars e aparecendo em listas de “melhores filmes”.

Fortnite

Fortnite retorna à Apple Store nos EUA depois de quatro anos fora — Foto: Divulgação/Montagem Pedro Zambarda/Drops

Foto: Divulgação/Montagem Pedro Zambarda/Drops

Tá, eu sei que parece fácil demais colocar o jogo mais popular do mundo entre aqueles que marcaram o ano, mas não tem como deixar de citar Fortnite por aqui. Mesmo com rivais como Marvel Rivals e Arc Raiders querendo roubar uma fatia do público de jogos multiplayer, Fortnite continuou dominando de maneiras que nenhum desses outros jogos conseguiu fazer cócegas.

Desde uma turnê especial da Ariana Grande, uma transformação completa do jogo no mundo dos Simpsons ou o lançamento de uma cena inédita de um filme clássico dentro do jogo, Fortnite encontrou meios de não apenas ser um dos games mais jogados – mas também um dos mais comentados – durante todo o ano. E, por mais um ano, continuou sendo um dos grandes responsáveis por levar o discurso gamer para caminhos sempre seguros e que não trazem nenhuma ameaça ao status quo.

Blue Prince

Em um ano com tantos indies de sucesso, Blue Prince foi a primeira grande surpresa. De um game com praticamente nenhum hype em torno do lançamento, ele dominou o discurso das primeiras semanas de abril como o primeiro “candidato real” a Melhor Jogo do Ano.

Apesar de ele não ter dominado as premiações como esperado (muito por conta de 2025 ter sido o ano dos jogos independentes de altíssima qualidade), Blue Prince ajudou a redefinir o gênero de “jogos de lógica”, criando uma maneira muito inteligente e criativa de misturar mecânicas de repetição estilo roguelike em um jogo que é basicamente sobre desvendar mistérios e resolver enigmas.

Split Fiction

Split Fiction. Foto: Divulgação/Montagem Pedro Zambarda/Drops de Jogos

Split Fiction. Foto: Divulgação/Montagem Pedro Zambarda/Drops de Jogos

O mais recente game de Joseph Fares foi o primeiro “grande sucesso” deste ano, e mostrou que o conceito de jogos multiplayer locais, onde as pessoas compartilham a mesma tela, ainda pode fazer muito sucesso mesmo em uma época onde todo mundo joga pela internet.

Split Fiction mostrou que inovação não é necessariamente criar algo do zero, mas muitas vezes pode ser apenas dar novos significados aquilo que já existe. Nenhuma das mecânicas do jogo são novas, mas a forma como os elementos de gameplay mais clássicos dos videogames foram usados tornam este um dos jogos mais diferentes e inovadores lançados nos últimos anos.

Ghost of Yotei

Um dos principais exemplos de como o discurso gamer muitas vezes é apenas um monte de gente gritando numa câmera de eco sem ouvir ninguém. Ghost of Yotei é um jogo que, para praticamente todas as reviews da imprensa, é uma evolução das mecânicas e temas de Ghost of Tsushima. E, de acordo com a própria Sony, vendeu 3,3 milhões de cópias no mês de lançamento.

Mas, para parte do público, nada disso importa, porque eles já decidiram que o jogo é um fracasso. E o motivo? A protagonista é uma mulher, e que é dublada por uma pessoa que se diz não-binária. Desde que Erika Ishii foi anunciada como a voz da protagonista Atsu, uma parte do público já definiu o jogo como a pior definição possível na cabeça dessa turba: “woke”. E nada – nem a opinião da crítica, do público, os números de venda ou mesmo jogar a merda do jogo – vai convencer essa galera que Ghost of Yotei não é um fracasso comercial e um dos piores jogos já produzidos pela Sony. Porque ela foi formada depois de ouvir um monte de youtubers que não jogaram o jogo repetir essa opinião repetidamente desde o primeiro trailer, e eles não são ovelhas que mudam de opinião só porque a realidade do mundo não se adequa à expectativa criada na cabeça deles.

Death Stranding 2: On The Beach

Tem quem ama, tem quem odeia, mas a realidade é que ninguém consegue ignorar quando o assunto é Hideo Kojima. E, como esperado Death Stranding 2 dominou o discurso por semanas desde o lançamento no fim de junho.

Não importa se você é daqueles que chama o jogo de simulador de carteiro e não consegue achar graça nenhuma neste universo ou se você é alguém que acha um absurdo o jogo não ter levado nenhuma estatueta no The Game Awards em dezembro, o que importa é que eu tenho certeza que você escreveu pelo menos uma unidade de tweet sobre Death Stranding 2 este ano.

Hollow Knight: Silksong

2025 também foi o ano do fim de um dos maiores memes gamer com o lançamento de Hollow Knight: Silksong. Durante cerca de sete anos, todo chat de qualquer evento sobre videogames era inundado de pessoas comentando “SILKSONG”; diversas conversas no Reddit foram abertas com o intuito de desvendar quando o jogo seria lançado; e muitos detetivões esmiuçavam cada palavra publicada por qualquer um da meia dúzia de desenvolvedores do jogo, na ânsia de encontrar alguma dica de quando ele seria finalmente lançado.

Por sete anos, uma parte do público viveu numa versão indie de “apenas mais 72h” e “se vocês soubessem a verdade ficariam enojados”, e toda essa riqueza cultural de teoristas da conspiração chegou ao fim da maneira mais anticlimática possível: um anúncio definitivo com a data de lançamento mostrada de forma clara e sem enigmas, e um lançamento que ocorreu na data anunciada, sem atrasos. E o pior de tudo: o jogo lançado foi fenomenal e correspondeu a todas as expectativas.

De que adiantaram sete anos de conspirações se tudo o que precisava ser feito era aguardar pacientemente e confiar na Team Cherry? Silksong foi um dos jogos mais marcantes de 2025 e também um lembrete de que nem todo jogo precisa de uma máquina de hype por trás para ser um sucesso.

Metroid Prime 4: Beyond

Outro jogo que também já tinha atingido o status de meme foi lançado em 2025. Mas, ao contrário do anterior, que atingiu o mercado com a força de uma bomba atômica, Metroid Prime 4 atingiu a todos com o estouro de uma biribinha úmida.

Este também foi um jogo que ficou cerca de sete anos em produção. Mas, apesar da série Metroid ser uma das marcas registradas mais importantes da Nintendo, ela nunca foi um líder de vendas em nenhum console da empresa. Assim, o fato de pouca gente ter se importado com o lançamento não foi uma surpresa – e menos surpreendente ainda foi as pessoas continuarem a não se importar quando a reação geral de quem jogou foi um coletivo dar de ombros.

E, de certa forma, Metroid Prime 4: Beyond dominou uma parte do discurso neste fim de ano, mas talvez não da forma que a Nintendo estava esperando. Ao invés de celebrações sobre o jogo, ele foi constantemente usado como um exemplo do quão o Switch 2 é falho por ainda não ter nenhum “jogo que faça a compra valer a pena”.

Clair Obscur: Expedition 33

(Imagem: divulgação/Sandfall Interactive)

Chegamos na parte que todo mundo esperava: o jogo indie francês que foi feito por 30 pessoas mas na verdade foram centenas delas com um orçamento de milhões de dólares. Mas ironias à parte, Clair Obscur: Expedition 33 é um ótimo jogo. Dizem, porque eu não joguei pra poder afirmar com propriedade.

O que eu posso afirmar com propriedade é que qualquer pessoa que chega com o papo de “mas ele faz coisas que nenhum outro jogo faz!” precisa jogar mais JRPGs. E eu também não consigo me desligar do fato de que quanto mais desse jogo eu vejo, mais ele me lembra de Final Fantasy XIII (que é um dos meus preferidos da franquia e que eu sempre defendo que levou hate gratuito pela fato de ter lançado numa época que todo mundo tinha decidido que a única forma possível de fazer um RPG era copiar Skyrim).

Críticas e piadas à parte, 2025 definitivamente foi o ano de Expedition 33. E eu espero de verdade que ele seja um pivô para que mais empresas apostem em RPGs em turno e mais pessoas comecem a querer conhecer outros tipos de RPGs. Se o sucesso do game levar mais pessoas a ir atrás de franquias como Tales of, Mana e Star Ocean, esse jogo vai ter lugar cativo no meu coração mesmo que eu nunca consiga comprar um console ou PC que rode ele. 

Final Fantasy Tactics: The Ivalice Chronicles

(Imagem: divulgação/Square-Enix)

O terceiro “meme que virou realidade” de 2025, The Ivalice Chronicles é a versão definitiva de Final Fantasy Tactics e que aplica um conceito que mais remasters e remakes deveriam seguir: e se ao invés de apenas relançar de qualquer jeito para levantar uma grana fácil com a nostalgia, a gente realmente aproveitasse o potencial dos consoles atuais para lançar a forma perfeita do jogo – ou seja, o mesmo mas com todos os defeitos corrigidos e diversas melhorias mecânicas que não existiam na época do lançamento original?

FF Tactics: The Ivalice Chronicles foi uma surpresa que, eu espero, não apenas tenha dominado o discurso gamer em 2025, mas sirva de exemplo de qualidade para novos remasters e remakes que serão lançados. Porque ele prova que é possível tirar um dinheiro fácil com a nostalgia sem parecer predatório.

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** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do Portal UAI.

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