Os canais de denúncia de exploração sexual de crianças e adolescentes registraram um crescimento expressivo nas notificações nos últimos dias. O aumento ocorreu após a divulgação de um vídeo que viralizou nas redes sociais, publicado pelo influenciador Felca, que denunciou a exposição de menores nas plataformas digitais.
As informações são do Jornal Nacional, da TV Globo. Desde o dia 6 de agosto, data da publicação do vídeo, o Disque 100, canal do governo para denúncias de violações de direitos humanos, recebeu mais de mil notificações relacionadas ao tema.
A ONG SaferNet, que atua na proteção de direitos na internet, apontou um aumento de 114% nas denúncias de pornografia infantil em redes sociais no mesmo período.
De acordo com dados atualizados, a Polícia Federal prendeu quase 200 pessoas em flagrante neste ano de 2025, acusadas de armazenar, compartilhar ou comercializar material de abuso sexual de menores na internet.
A juíza Vanessa Cavalieri, da Vara da Infância e Juventude do Rio de Janeiro, fez um alerta importante sobre os perigos da superexposição de crianças nas redes sociais: “A internet é a rua, é um lugar público perigoso. Você iria para a rua com um pacote de fotos da sua filha de biquíni, do seu filho sem camisa jogando futebol, da sua filha fazendo balé e sairia distribuindo essas fotos para um estranho que estivesse passando?”.
“Quando a gente pega aqui na Vara da Infância, computadores, celulares e extrai o conteúdo em grupos de pedofilia, em comunidades de abuso sexual infantil, 90% do material que a gente encontra não são imagens explícitas. São fotos e vídeos absolutamente normais, da rotina de uma criança, que qualquer mãe, qualquer pai tira, fotos e vídeos e posta nas suas redes”, completou ela.
Em fevereiro, a SaferNet já havia identificado um aumento de 80% no número de grupos com imagens de exploração infantil no Telegram. Esses canais, segundo a organização, somam 1,4 milhão de usuários, e funcionam sem moderação da plataforma.
“Os números comprovam que há um aumento sistêmico, consistente e persistente do problema e que exige uma resposta à altura por parte dos reguladores”, afirma Thiago Tavares Nunes de Oliveira, presidente da SaferNet.

Após vídeo de Felca, denúncias de exploração sexual na internet mais do que dobram em seis dias.
A ONG SaferNet, por exemplo, registrou um aumento de 114% nas denúncias recebidas sobre pornografia infantil em redes sociais.
Confira: https://t.co/1NJoBfzf3D #JN pic.twitter.com/t0j4WxcsFW
— Jornal Nacional (@jornalnacional) August 13, 2025
Em resposta à crise, o governo federal informou que enviará nos próximos dias um projeto de lei ao Congresso Nacional para regular as big techs e responsabilizar empresas pela divulgação de conteúdos criminosos. O tema mobilizou o Senado Federal, onde 70 senadores já assinaram um pedido de abertura de CPI para investigar a atuação de influenciadores e redes sociais.
Na Câmara dos Deputados, já tramitam 35 novos projetos de lei relacionados à proteção de crianças na internet.
** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do Portal UAI.
