Do site da Headscon. Por Gabriel Zissou, da Agência Collab na Headscon Acre 2025
Na última quarta-feira (19), a Headscon Acre apresentou o painel “Falar é Jogar: Como a Comunicação Muda o Jogo”. A plateia, formada por estudantes de Ensino Médio de escolas de Rio Branco (AC), acompanhou um franco debate de ideias entre personalidades da área de comunicação e jornalismo de games: os influencers Malena e Akira Yoshiga (o “Japa do Acre”) e os jornalistas Pablo Miyazawa e Marcelo Gimenes Vieira (editores da Agência Collab e do portal The Gaming Era).
A conversa, de cerca de 50 minutos, serviu como uma verdadeira aula sobre como a paixão por jogos pode se transformar em uma carreira flexível e dinâmica, desde que alimentada por curiosidade, coragem e uma boa dose de cara de pau. A jornada de cada um dos presentes no palco, se tornou um testemunho de como raramente existem linhas retas quando o assunto é criação de conteúdo e comunicação com o público gamer.
Abrindo os trabalhos, Malena relembrou seus primórdios na internet, aos 13 anos com o jogo Habbo Hotel, que descreveu como sua porta de entrada para o mundo da locução e da performance digital. Marcelo Vieira, por sua vez, descreveu um caminho que passou por desejos profissionais tão diversos quanto a filosofia e a engenharia mecânica, até encontrar seu porto seguro no jornalismo – mais especificamente, na interseção entre jornalismo e tecnologia. Foi essa busca que o levou a fundar o projeto The Gaming Era, uma tentativa de estabelecer uma plataforma sustentável para cobrir o lado “B2B” do mercado de games.
Akira também falou sobre sua própria história, que transitou pela atuação como comentarista em campeonatos de eSports até uma graduação em Veterinária, seguida de uma experiência como integrante da Agência Collab na Headscon Acre 2024. Em seguida, Pablo Miyazawa detalhou a importância dessa mesma Agência Collab, explicando seu significado dentro do contexto da Headscon. Ele também confessou que sempre soube que queria ser jornalista, relembrando de seus primeiros passos na carreira, dando dicas de games por telefone (trabalhando para a Nintendo brasileira) e escrevendo em revistas especializadas.
Se a primeira parte do painel foi sobre experiências pessoais, a metade seguinte foi uma verdadeira aula para quem sonha em entrar no jogo da comunicação, com dicas diretas, pessoais e, acima de tudo, motivadoras.

Malena levantou uma reflexão poderosa sobre autenticidade e quebra de barreiras. Ao comentar sobre “elogios” que já recebeu, (“ela joga igual homem!”), a influenciadora de 30 anos celebrou a diversidade de sua própria comunidade, definindo-a como “uma grande bagunça gostosa, que sempre fazemos juntos”. Suas orientações para quem está começando são pautadas pela ação imediata: “A cara de pau é muito importante! Se pensar demais, não vai fazer nada na vida, Se você quer ser criador de conteúdo, vai lá e faz”. Como dica final, ela recomenda encarar os problemas como uma forma de evoluir. “Aprenda com o processo e viva o processo”, aconselhou, enfatizando que “produzir conteúdo na internet é sobre conexão” e que tudo o que é “fake e fabricado não se consegue sustentar”. Em resumo: “O processo gera progresso”.
Mais jovem integrante do debate, Akira Yoshiga trouxe para a mesa um conselho atemporal e inquestionável: o valor do conhecimento. De forma contundente, o “Japa do Acre” aconselhou a plateia de estudantes: “Estudo é uma coisa que ninguém tira de vocês. Estudem”. Ele também expôs o sentimento de que muitas vezes “não falta só incentivo, mas coragem também”, validando os medos de quem está em início de carreira, mas sem deixar de aplaudir a superação.
Sempre um incentivador do sucesso alheio, Pablo Miyazawa direcionou sua mensagem final ao público com um conselho que quase soou como uma ordem: “Escutem essas pessoas e inspirem-se”, ele decretou. “Vocês podem fazer tudo. Eu acredito!”.
Fechando o ciclo do painel, Marcelo Vieira trouxe a perspectiva da paciência estratégica e da persistência. “Nem sempre o momento certo é o primeiro momento”, ensinou, “mas é fundamental não tirar o seu objetivo da cabeça”.
Mais do que uma discussão sobre carreiras no setor de jogos eletrônicos, o painel “Falar é Jogar” foi uma demonstração prática de como a comunicação – seja por meio do jornalismo, da criação de conteúdo ou da simples coragem de contar a própria história – é a ferramenta essencial para a construção de um futuro promissor no universo dos games. A palavra final, proferida por Pablo, sintetizou não apenas o nome do estado que há três anos sedia a Headscon, mas também a atitude necessária para seguir em frente: “ACREditem”.
** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do Portal UAI.
