Moderador da fanpage Video Game Ball, do Facebook, ameaça cosplayer na BGS 2016

"Me responda a seguinte pergunta: O que você faria se você visse alguém que detesta, tem treta com ela, na sua frente e tivesse uma arma na mão e ainda estaria meio puto?" disse Pedro numa mensagem privada a um amigo de Gisele Bustos. O tom ameaçador do texto foi dirigido a Luciana (Lumi) Kumagai, cosplayer e dona de um pequeno negócio que faz acessórios para fantasias e bichos de pelúcia. Os registros são de dias antes da Brasil Game Show 2016, maior evento de jogos digitais da América Latina, em chats coletivos da fanpage Video Game Ball e no grupo da página.

Foto: Reprodução/Facebook

Pedro diz que as pessoas deveriam contê-lo diante de Luciana e que não sabe o que faria se estivesse diante da menina. Os membros da VGB, sobretudo os administradores, não tentaram conter o comportamento agressivo do jovem e ainda deram cobertura para ele. O jovem estava frustrado porque queria uma réplica do braço do personagem Mercer, do game Prototype. Em mensagens, Pedro se referiu a ela como "ingrata" e fez contato com inúmeras pessoas para se queixar. Diferentes mensagens foram enviadas, de amigos de Luciana Kumagai até outras pessoas na internet. 

Luciana procurou o site Drops de Jogos e esclareceu que ofereceu ao jovem apenas um orçamento pelo serviço. "Por conta do machismo e dos comentários ruins, eu me desliguei do grupo, porque não sou obrigada", declarou.

Pedro e Luciana Kumagai foram até a BGS 2016, mas não se encontraram. "Soube por outras pessoas que ele queria me achar". A jovem bloqueou ele das redes sociais e alegou que se sentia perseguida. A ameaça de ir armado ao evento foi confidencializada à amiga de Luciana, Gisele Bustos, que tentou conter o rapaz. Mas a mesma mensagem foi distribuída em grupos de WhatsApp de membros relacionados. Dias depois, ela foi bandida do VGB Army, o grupo de Facebook dos integrantes da fanpage.

Slutshaming dentro do grupo Video Game Ball

Depois de ataques a Luciana Kumagai, o próximo alvo de comentários machistas e depreciativos foi a própria Gisele. Inconformada com o tratamento da questão, ela protestou e foi excluída. Comentou também que era contrária ao vazamento de nudes (fotos íntimas de ex-namoradas) da parte dos garotos.

Mateus Damázio, o líder do grupo, foi quem incentivou os ataques a Gisele Bustos. Ele resgatou uma história antiga, de dois anos atrás, em que ela teria pegado R$ 60 de sua mãe para fazer cosplay. O dinheiro, supostamente, seria para medicamentos de seu pai.

"Eles pegaram essa história, que eu já me acertei com a minha mãe, e tiraram de contexto. E agora ficam fazendo memes e me mandando mensagens sem parar no Facebook", diz ela.

A prática deste tipo de ataque feita por Damázio e seu grupo é chamada de slutshaming. Trata-se de uma expressão inglesa para caracterizar o constrangimento público de uma mulher, normalmente por um viés machista, chamando-a de "puta" ou "prostituta" e diminuindo o seu valor. No caso de Gisele Bustos, ela chegou a ser comparada com o ex-presidente Lula em postagens do blog de extrema-direita Antagonista. Os ataques não pararam até o momento e a ofensiva ocorreu depois a ameaça contra Luciana na BGS.

Dados íntimos da jovem chegaram a ser compartilhados pelo grupo, incluindo número de celular atribuído falsamente a ela e fotografias.

Mateus Damázio foi palestrante e representante da P&G durante a Brasil Game Show 2016.

Video Game Ball é uma fanpage que surgiu há três anos fazendo sátiras similares ao internacional Pollandball, que fazia memes de países em 2013.

Gisele e Luciana conversaram diretamente com o Drops de Jogos e concordaram em deixar suas identidades públicas contra os acusados. O primeiro personagem citado nesta reportagem teve sua identidade guardada a pedido de nossas fontes. As duas pretendem tomar as providências legais para evitar futuras agressões do grupo.

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O Drops de Jogos reproduz o direito de resposta concedido à Mateus Damázio, uma das pessoas retratadas nesta reportagem.

Boa noite, 

Creio que senhor seja um jornalista de respeito e reconhece que um artigo jornalistico deve ser imparcial, pedindo a opinião de todos os envolvidos antes de caluniá-los publicamente e sem analisar todos os lados da história.

Por este motivo, estarei lhe enviando minha resposta, juntamente com provas do que estou falando, e eu espero, realmente espero, que você tenha o bom senso, achando correto ou não o que direi nas linhas a seguir, de me dar esse direito de resposta no mesmo post em que você decidiu me caluniar.

Primeiramente, em nenhum momento, eu incentivei ataques a Gisele Bustos, em nenhum momento citei o nome completo dela no grupo, ou qualquer tipo de link que levava ao Facebook dela. Ao contrário disso, ela entrou no grupo por livre e espontânea vontade, se envolvendo em uma discussão comigo, por um problema relacionado a outro membro do grupo, que havia sido banido semanas atrás.

As brincadeiras envolvendo um fato protagonizado meses atrás por ela, em um grupo de cosplayers, foram feitas todas com fotos censuradas da Gisele, afim de evitar qualquer tipo de constrangimento a pessoa dela. Eu realmente fiz brincadeiras, mas em nenhum momento a Gisele teve o bom senso de me procurar e dizer que não estava gostando, e de que era para parar imediatamente com tais postagens, isso teria resolvido o problema dela muito mais rapidamente, mas ela decide procurar a imprensa, com intenção de causar alarde e ataques a minha pessoa, porque a intensão dela não é resolver, é causar mais atrito ainda.

Antes de tudo, a Gisele direcionou esse ad hominem, me acusando de coisas que jamais fiz e jamais faria:

Neste momento, eu realmente pensei em ofender a mesma e não o fiz. Comecei a brincar com a ofensa que ela direcionou a mim, e a este acontecimento que ela mesma protagonizou em outro grupo.

Detalhe, os acontecimentos que você publicou em seu site foram feitos depois que ela já estava banida do grupo. Sendo assim, nada foi direcionado diretamente a ela.

As brincadeiras contra a Gisele irão parar da minha parte a partir de hoje, apesar de eu preferir que ela tivesse me procurado dignamente, para falar de algo que ela não estava gostando.

Em relação a publicação de vocês:

A Gisele não tem motivos para mover uma ação legal contra mim, pois todas as fotos delas estão censuradas em respeito a imagem dela, e nenhuma vez, eu citei ela diretamente, além disso, em nenhum momento ela entrou em contato comigo para falar sobre isso. Mas vocês, usaram uma imagem pessoal minha, com meu nome completo, a empresa que trabalho e minha foto sem censura, sem nenhum tipo de autorização da minha parte, então se não removerem tal imagem, eu estarei entrando com uma ação judicial contra você, e motivos pra isso, eu realmente tenho.

Não peço a censura do publicação de vocês, apenas peço que você reconheçam o quão imparcial é a mesma, dando o direito de resposta a todos os lados da história, e a remoção da imagem com informações pessoais minha, pois isto foi claramente um erro de julgamento.

Em relação ao Pedro Marcondes: Até essa publicação, eu não tinha nenhum conhecimento de que ele ameaçou a Gisele, estarei conversando com ele agora em busca de uma explicação do que foi isso.

O Drops de Jogos esclarece que:

  • Não cometeu nenhuma infração de direitos autorais ou direitos de reprodução ao usar uma foto publicada na rede Instagram. No entanto, a fim de evitar problemas judiciais com o reportado, nós retiramos a imagem. Porque ela pode ser privada dentro do mesmo site, de acordo com as opções do usuário. Dúvidas? Leia este texto;
  • Mantivemos a informação sobre o trabalho profissional do retratado, relatada por uma de nossas fontes. Julgamos que o dado é relevante, uma vez que a ameaça do outro acusado envolveu também a Brasil Game Show.

Atualizado às 17hrs de 23 de setembro de 2016: O autor do texto alterou a informação de que a mensagem da ameaça foi enviada a um amigo de Gisele, cuja identidade foi preservada, e não para a própria. O primeiro acusado, chamado apenas de Pedro no início do texto, teve sobrenome igualmente resguardado a pedido das fontes. Pedimos desculpas pelo deslize inicial na apuração, mas ela não altera o sentido dos acontecimentos aqui relatados.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do Portal UAI.

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Cultura