Adriano Viaro é autor do livro ANTICOACH, âncora no DCM e historiador.
Quando penso em um app para intelectuais, imagino que ele localize e organize de forma mais dinâmica links e artigos sobre temas diversos, ajudando o pesquisador/escritor a adquirir e ler a fonte. Ou seja, seria um app de praticidade e dinamismo junto a bancos de pesquisa ou livrarias (o que já me deixaria com nariz torcido). Pois bem, não é.
A Revista Exame chamou o Blinkist de “startup de microlivros”. Sim, é exatamente isso. Trata-se de um fornecedor de “resumos de quinze minutos” de grandes e clássicas leituras. Sinônimo dos tempos, o app para intelectuais é na verdade uma plataforma de construção de superficialidades. Tem como objetivo principal resumir obras como “Os Irmãos Karamazov” em pouco mais de duas dezenas de páginas.
A desqualificação junta-se à uberização do hábito (conceito que desenvolvi em meu livro ANTICOACH) como forma de facilitar o diálogo dos “inteligentinhos” de Luiz Felipe Pondé. Não há mais nada que não haja.

Adriano Viaro
** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do Portal UAI.
