O show do Dream Theater que não irei e o problema dos metaleiros. Por Pedro Zambarda - Drops de Jogos

O show do Dream Theater que não irei e o problema dos metaleiros. Por Pedro Zambarda

Pensando um pouco sobre

Por Pedro Zambarda, editor-chefe.

Phil Anselmo fez uma saudação nazista em 2016, um sieg heil. Depois mandou um pedido de desculpas e “foi mal, tava doidão”. Mas foi mais um episódio lamentável do heavy metal internacional envolvendo uma das principais figuras do Pantera.

Ouço metal desde menino. Colecionei CDs do Black Sabbath quando começavam as manhas dos downloads ilegais. E, entre as bandas, enquanto coloco Pink Floyd como a minha favorita, Dream Theater vem em seguida.

Fui em pelo menos cinco ou seis shows do DT. Sempre me chamou atenção a técnica da banda de Boston, o que certamente emputece a turma do punk e do hardcore. Mas acho belíssimas as músicas “de duas horas” com longos solos e até os discos conceituais. Images and Words, Awake e Falling Into Infinity é a tríade da perfeição.  Metrópolis pt. 2 foi amor a primeira vista. E gosto até dos albuns recentes.

Da banda toda, o guitarrista John Petrucci chegou a falar positivamente de Donald Trump em 2017, falando em “dar uma chance” ao presidente de extrema direita. Mas se calou depois. Enquanto o baterista Mike Portnoy sempre menosprezou o extremista. Sempre foi declaradamente progressista.

O Dream Theater não é uma banda propriamente politizada, mas basta prestar atenção em suas letras para entender a mensagem de uma sociedade decadente, de futuros distópicos, entre outros diversos temas. Estava comentando com minha amiga Vanessa Lippelt que tem muito metaleiro que talvez ache que artista pode flertar a vontade com o extremismo. O DT sempre se afastou disso.

Embora os integrantes não digam claramente o que pensam politicamente (e não precisam, especialmente se não se sentem a vontade), nunca vi eles colando em discurso de supremacia branca. Que infelizmente tomou conta de setores do metal. A ponto de Anselmo ter feito o que fez em 2016.

Um lembrete

Em 2025, Ozzy Osbourne, um dos padrinhos do metal, nos deixou. A história dele e do Sabbath sempre nos relembra que o heavy metal era o som de trabalhador pobre.

É horrível que parte desse som, energético e potente dentro do rock, tenha mergulhado não nas trevas do diabo (o que seria libertário e maravilhoso) e sim nas trevas da extrema direita.

O DT não caiu nessa – e eu gostaria de ver um show deles no Brasil hoje.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do Portal UAI.

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