Opinião: Antes de cancelamento, E3 cometeu erros. Por Pedro Zambarda

Sobre a crise da E3, que não começou em 2020

E3. Foto: Reprodução/Shacknews

“A maior feira de games do mundo” já não era tão grande assim.

“Estive em todas as 25 E3’s, então conheço muito bem o evento. Quando olhei as informações que me foram passadas sobre o programa deste ano, e baseado nas minhas conversas com a ESA [organização do evento], apenas não senti que poderíamos fazer um Coliseum que pudesse corresponder às expectativas dos fãs”, disse o apresentador Geoff Keighley em entrevista ao site IGN neste ano.

Keighley era frequentador da feira há 25 anos, desde o começo. Eu fui apenas em duas edições da mais relevante feira de games do mundo (2017 e 2018). Foram viagens que marcaram a minha carreira e a cobertura do Drops de Jogos. Mas a E3 estava em crise.

A Nintendo já estava fazendo eventos digitais à parte. A Electronic Arts apostava no EA Play, um evento que ocorre em outra localização de Los Angeles em datas próximas. Depois de tantas mudanças, foi a vez da Sony zarpar do evento em 2019. Todas as grandes empresas estavam apostando em eventos corporativos e digitais próprios, colocando o modelo da feira em xeque.

Criada como um espaço da CES, mais relevante feira de tecnologia dos Estados Unidos, a E3 resolveu reagir às mudanças e abriu sua entrada para o grande público a partir de 2017. Antes disso, o evento era fechado para a imprensa e para players do mercado.

Calculando a concentração de público, a E3 não era tão grande e ficava no oitavo lugar das feiras, em cerca de 60 mil visitantes. Para se ter uma ideia, a Gamescom na europa reúne mais de 370 mil pessoas, enquanto ChinaJoy concentra 360 mil e a Brasil Game Show fica em 320 mil.

Para completar a sopa de problemas, milhares de dados de jornalistas, YouTubers e produtores de conteúdo foram vazados por um erro do site oficial no ano passado, prejudicando terceiros.

O evento não sabia, exatamente, para qual lado correr.

O que fazer para mudar.

E eis que veio a pandemia do coronavírus, partindo da China e chegando à costa oeste dos Estados Unidos. Com a saúde dos visitantes ameaçada, o evento considerado de maior relevância para os principais lançamentos de games do ano foi cancelado.

Irá se transformar em conferências digitais. Nisso, a E3 é forte. Só no Twitch oficial da feira, há dois anos, eles totalizaram quase 100 milhões de views.

As empresas que apoiam a feira muito provavelmente farão transmissões especiais em 2020, para dar o financiamento necessário para a ESA reinventar o evento daqui a um ano, quando o coronavírus estiver mais controlado.

Resta saber se a instituição fará mudanças para atrair melhor o seu público e encontrar seu caminho.

Isso será possível? A ver.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do Portal UAI.