Opinião – O assassinato da jovem não é culpa dos jogos, mas precisamos discutir a ‘cultura gamer’

Uma análise

Guilherme Alves Costa. Foto: Reprodução/Record

Por Pedro Zambarda, editor-chefe do Drops de Jogos

A notícia passou quase batido e podia ter ficado restrita nas páginas policiais e de política no Brasil, com uma cobertura quase inexistente na mídia especializada em games. Guilherme Alves Costa, de 18 anos, matou a jovem Ingrid Oliveira Bueno da Silva, de 19 anos, nesta segunda-feira, 22 de fevereiro de 2021. O crime tem paralelos preocupantes com o atentado que ocorreu em uma escola pública em Suzano.

Ingrid era conhecida pelo apelido Sol e era jogadora profissional de Call of Duty Mobile. Os dois jogavam o game de tiro e eram amigos. Guilherme matou ela com facadas e golpes de espada, segundo relatos dados pela polícia para emissoras como Record e SBT.

Pior do que a notícia como um todo: Guilherme filmou a ação e mandou o vídeo em grupos de WhatsApp e para militante feminista Lola Aronovich. Antes de se entregar para polícia, registrou as motivações em um arquivo. Reclamava da falta de emprego, do fracasso de sua vida pessoal e culpou mulheres. O comportamento do assassino confesso é típico dos incels de fóruns anônimos, conhecidos como chans.

Com a notícia correndo, amigos e membros da comunidade gamer já questionaram se a imprensa estava culpando o Call of Duty pelo crime. No passado recente, a mídia nacional recorreu a essa simplificação insuficiente.

Ninguém está culpando o Call of Duty pelo crime, mas a pauta dos gamers ressurge na imprensa.

O comportamento de Guilherme Alves Costa não é isolado. É sintoma de um distúrbio social e psicológico muito presente no machismo de jogadores de videogame. Pertencentes a uma classe privilegiada economicamente, eles se sentem livres para agredir mulheres (que estão crescendo no cenário), negros e minorias pertencentes à diversidade de gênero.

Xingam nos chats.

No limite, fazem como Guilherme: assassinam seus alvos.

Precisamos parar de nos preocupar apenas com a reputação dos games perante o grande público e questionar que tipo de público estamos cultivando glorificando somente jogos violentos, além de não fiscalizar o comportamento abusivo na internet. Eu sou jogador de Call of Duty, mas vejo com crítica esse tipo de exaltação. A comunidade gamer precisa ser urgentemente discutida.

Seus aspectos preconceituosos, racistas e machistas precisam ser repudiados e reformados.

E isso passa por discutir videogames de maneira séria – não como coisa de fã, tão e somente.

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** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do Portal UAI.

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