Uma opinião sobre eSports e objetificação da mulher. Por Hellen Oliveira, pesquisadora

Texto originalmente postado no Medium com colaboração de André Teixeira, estudante de ciência política.

Segundo o site Polygon, a audiência do eSports no ano passado esteve entre 70% e 96% de assiduidade do público masculino, não existindo competidoras ou equipes formadas somente por mulheres na maioria dos campeonatos. O espaço feminino dentro deste tipo de competição é extremamente limitado, e isso está diretamente ligado a visão que se forma acerca da atuação das mulheres quando se trata de eSports.

Foto: Claúdio Manculi/Drops de Jogos

A cultura do estupro e da objetificação pelas quais as mulheres são expostas todos os dias no mundo gamer existem. A postagem mostra como são sexualizadas as competidoras da CLG Red. Comentários mostram que o meio faz apologia ao estupro.

A objetificação feminina é utilizada e reproduzida constantemente em páginas, fóruns e sites relacionados a jogos, colocando-as como entretenimento ao verdadeiro público alvo, que são os homens. Usadas como moeda de troca para o fetichismo masculino, construídas através de um esteriótipo de mulher sexualizada que não sabe o que está fazendo, existe a questão do porquê uma mulher gamer é diferente. A resposta está nas estatísticas, porque este meio é majoritariamente masculino.

A falta de valorização da mulher não está apenas no discurso misógino de competidores e espectadores. A diferença nas premiações traz a tona as disparidades de tratamento entre homens e mulheres. Enquanto o jogador mais bem pago do eSports recebe US$ 1.985.992,36, a mulher mais bem paga recebe US$ 122.000,00. Ou seja, a conta final mostra que há US$ 1.863.992,36 de diferença.

Na tentativa de diminuir a barreira de gênero, organizações como a Blizzard e a Federação Internacional de eSports passaram a organizar ligas somente para equipes femininas.Mas essa ainda é uma alternativa rasa, paliativa, diante do preconceito de gênero. É necessário criar um espaço seguro e livre de misoginia para as mulheres, no qual estas possam mostrar a qualidade do seu trabalho. Separar por separar não leva a nada. É necessário expor os discursos misóginos e fazer um trabalho de base mostrando o quão errado é por exemplo sugerir que uma equipe masculina deveria “estuprar” uma equipe feminina.

Termos como este são usados no sentido figurado como se isso atenuasse a violência que ele contém, mas na verdade só exalta um comportamento de abuso que deve ser duramente combatido.

O espaço seguro e o debate de gênero devem ser fomentados em todo meio do eSports. Deve-se repelir todo comportamento machista, misógino e violento. É necessário na luta por um ambiente mais igualitário. Mulheres, nós não devemos nos calar diante de comentários como estes. Vamos expor esse machismo que não esconde suas intenções. Retomo a campanha mais do que necessária no combate ao assédio: Vamos fazer um escândalo!

Para mais informações sobre o eSport feminino confira este site.

Hellen Oliveira é graduanda em Ciência Política pela Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro (UNIRIO) e pesquisadora em Teoria Politica e a Construção Constitucional do Estado brasileiro.

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** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do Portal UAI.

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Cultura