Uma resposta ao deputado anti-games e falsos moralistas: “Videogame e Violência”, do pesquisador brasileiro Salah Khalled

"A criminalização cultural de jogos, criadores e gamers ainda é uma espantosa e anacrônica realidade", afirma o autor.

  • por em 2 de abril de 2019
Imagem: fotomontagem

O deputado Júnior Bozzella, do PSL de São Paulo, acaba de registrar o Projeto de Lei 1577/2019, com o intuito de criminalizar o desenvolvimento, publicação, importação e empréstimo de games considerados “violentos” no país.

É mais um ataque gratuito e infundado contra a cultura dos jogos e uma clara tentativa de ganhar notoriedade às custas da polêmica que, mais uma vez, reacende na sociedade a busca de um responsável pela vergonhosa miséria existencial e falta de valores éticos no país.

Contra esta cruzada brancaleõnica ao famigerado videogame, o Drops de Jogos recorre àquilo que pode auxiliar decisivamente o embate, de forma propositiva e com conteúdo embasado: informação. Para tanto, apresentamos brevemente o livro "Videogame e Violência", do escritor e pesquisador Salah H. Khaled Jr.

A obra foi lançada em 2018, e traz informações precisas e atualizadas sobre a movimentação pseudo-moralista de governos e personalidades políticas, bem como uma profunda análise do panorama no qual se inserem os jogos na atualidade, como expressão cultural e entretenimento.

Ao longo de 400 páginas, Salah elenca os malabarismos hipócritas e morais contra o rock e os quadrinhos, primeiras vítimas culturais da desinformação e oportunismo político no passado, a perseguição a games como Wolfenstein 3D e Night Trap, a mercantilização do crime pelas mídias tradicionais e a banalização da guerra, os muitos projetos de lei já apresentados no país contra os games e casos da justiça internacional referentes ao embate do tema e seus resultados.

Mais importante que este painel histórico, no entanto, é a avaliação de inúmeras pesquisas que apontam, sem deixar margem a dúvidas, que a relação entre o entretenimento eletrônico e a violência social é mentirosa, exagerada e trabalha a serviço de grupos de poder, especialmente no Brasil.

Como salienta o Doutor e Meste em Ciências Crinminais pela PUCRS, não há "razão para assumir que os jogos violentos tenham efeitos criminógenos", ressaltando que "quem sustenta algo diferente parte de suas próprias significações morais e não é possível esconder isso com nenhum tipo de colorido científico".

No encerramento da obra, Khaled avalia que "no Brasil, o preconceito contra os games é ainda muito mais forte". Para o estudioso, "a criminalização cultural de jogos, criadores e gamers ainda é uma espantosa e anacrônica realidade. E contra ela, é preciso resistir no âmbito de uma Criminologia abertamente engajada em defesa da liberdade e da democracia, contra a criminalização cultural promovida por reacionários culturais e empreendedores morais".

O livro de Salah Khaled pode ser facilmente encontrado em sites de livrarias e megastores a preços bem aceitáveis.

P.S.: Para quem quiser conhecer mais sobre pesquisas que demonstram a falta de fundamento entre games e violência social, o artigo "Pesquisas acadêmicas contestam vice: games não promovem violência" pode ser de grande ajuda para para o debate.

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** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do Portal UAI.

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Cultura