Uma mudança nas regras de classificação de jogos na Europa podem trazer uma consequência engraçada: tornar EA Sports FC e diversos outros jogos esportivos em algo recomendado apenas para “maiores” de 16 anos.
Nesta quinta (12) a PEGI (associação que define a classificação indicativa de jogos de videogame no continente europeu) anunciou a adição de novos critérios para definir para a partir de qual idade esses jogos são recomendados. Estes novos critérios serão baseados no uso de design viciante, comunicações online sem monitoramento e a existência de um sistema de lootboxes.
Estas novas adições podem fazer com que jogos como EA Sports FC, que sempre receberam uma classificação PEGI3 (indicados para qualquer pessoa com mais de 3 anos de idade) passem a ser classificados como PEGI16 (indicados apenas para maiores de 16 anos) devido à venda de pacotes de cartas no modo Ultimate Team.
E não é só o EA Sports FC que deverá ser afetado, já que praticamente todos os jogos baseados em esportes que existem hoje no mercado (NBA 2K, UFC, F1 etc.) possuem mecânicas do gênero.
Essa mudança nos critérios de classificação passarão a valer a partir de junho deste ano. Ou seja, muito provavelmente o próximo EA Sports FC, próximo NBA 2K e próximo F1 já virão com uma classificação indicativa muito maior do que normalmente recebem.
Como irá funcionar as novas classificações
No total, quatro critérios serão adicionados na hora de classificar um jogo. Serão eles:
- Compras no app: se um jogo tiver mecânicas de compras dentro de um app que só estarão disponíveis por um determinado período (como os famosos “passes de batalha”) ou possuem uma quantidade limitada de itens para a venda (como um item especial que só terá 500 unidades vendidas), o jogo automaticamente receberá uma classificação PEGI12. Mas, caso um jogo possua uma opção que permite aos jogadores desabilitar todo o sistema de compras dentro dele, esta classificação pode cair para PEGI7. E se qualquer jogo exigir a compra de NFTs para que ele possa ser acessado, receberá automaticamente uma classificação PEGI18.
- Compra de itens aleatórios: essa regra fala especificamente da compra com dinheiro real de um item que você só vai descobrir qual é após efetuada a compra – as famosas lootboxes ou pacotes de cartas do Ultimate Team. Se um jogo possui este tipo de mecânica, ele já é automático PEGI16. Agora se esta mecânica está vinculado a um sistema de cassino social, aí o jogo receberá a classificação PEGI18.
- Obrigação de jogar: este é um critério usado em jogos que possuem mecânicas que te obrigam a ficar retornando para o game, o que é considerado como um tipo de design que leva ao vício. Este critério não tem exatamente a intenção de penalizar o jogo – pois eles sabem que muita dessas mecânicas ajudam a tornar o game interessante, como no caso de Animal Crossing – mas servir como um aviso aos pais de que o game que estão adquirindo para os filhos possui este tipo de “obrigação” de ficar retornando ao game diariamente como uma mecânica própria dele. Por isso, jogos com este tipo de mecânica receberão a classificação PEGI7. Só há uma “punição” caso esta mecânica esteja vinculada à compra de um passe de batalha ou se ela é punitiva (você perder itens adquiridos ou algum status especial dentro do jogo se não retornar para ele todos os dias). Nestes casos, o jogo é classificado como PEGI12.
- Comunidades online: a comunicação com outros jogadores dentro de um jogo é uma das maiores preocupações dos pais hoje em dia, principalmente com o aumento de casos de pedófilos usando jogos de videogame para se aproximar de crianças. Então, se um jogo possui a possibilidade de se comunicar sem qualquer tipo de moderação – seja por voz, vídeo ou texto – ele automaticamente irá receber uma classificação PEGI18. A moderação considerada para isso não é prévia, mas posterior – ou seja, ferramentas de denúncia que permitem que pessoas que abusem do sistema possam ser punidas.
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** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do Portal UAI.

