[ATUALIZADO] Editorial: A carta aberta de 250 desenvolvedores, a resposta do BIG Festival e a falta de posicionamento

ESTE TEXTO FOI ATUALIZADO NO DIA 23 DE ABRIL DE 2018, ÀS 5H41.

Nesta semana tivemos uma grande discussão que movimentou a cena brasileira de jogos digitais. Uma carta aberta assinada por 250 desenvolvedores foi enviada ao BIG Festival com críticas ao evento. A maior feira de games independentes no Brasil respondeu com uma mensagem de Gustavo Steinberg, um dos responsáveis, solicitando uma reunião presencial em São Paulo. Os diferentes autores da carta acharam a resposta do BIG aquém do desejável. 

Foto: Divulgação

Objetivamente, a carta aborda os seguintes pontos:

  • Os signatários da carta aberta afirmam que há critérios pouco transparentes na escolha dos finalistas. Segundo eles, pela análise de keys enviadas por Steam, muitos dos games não são sequer jogados;
  • A presença de desenvolvedoras internacionais como Bandai Namco julgando os games brasileiros feitos por pequenos estúdios também foi questionada;
  • Uma premiação para jogos de grandes marcas e publicitários também foi questionado, uma vez que o BIG normalmente não abre muito espaço para games brasileiros universitários e os mais novatos da cena;
  • A carta por fim também aponta possíveis soluções para as críticas levantadas.

Erroneamente muitos atribuíram a autoria da carta aberta para a desenvolvedora Thais Weiller, da JoyMasher. Ela mesma deixou claro em diferentes postagens no Twitter que não é autora do documento, mas uma das signatárias. Com 250 desenvolvedores apoiando a iniciativa, praticamente o dobro de profissionais que foram para a GDC pela ABRAGAMES (120 pessoas), a iniciativa de se criticar o BIG Festival não poderia passar batida.

A organização do BIG optou por tentar resolver os problemas através de uma reunião presencial com menos gente. É viável? É. Mas o evento poderia ter dado o exemplo e tentado responder, ponto a ponto, o que pode ou não pode fazer a respeito de tais mudanças.

Nos bastidores, correu o boato que os devs que assinaram o documento estão entrando para uma "lista negra" do próprio BIG Festival.

Se isso existe, é de se lamentar profundamente. Nenhuma ação visando melhorar a imagem do BIG deveria envolver o boicote de desenvolvedores.

A falta de um posicionamento mais consistente do evento, que é um dos mais importantes do calendário nacional, força este Drops de Jogos a também se posicionar editorialmente.

O Drops está sempre do lado de desenvolvedor de jogos, porque sabe que ele é um indivíduo fundamental para a mudança da compreenssão dos games eletrônicos no país. Independente da grande diversidade e da individualidade dos devs, muitos deles com visões de mercado diferentes (uns são liberais e outros são mais favoráveis aos investimentos governamentais), todos sabem que uma maior união fortalece a cena. Outro lado que o Drops de Jogos defende é o do consumidor. Por isso mesmo, há muito espaço neste site para os games mainstream. Mas o público pode sim, de maneira consistente, dar maior espaço para produtos nacionais.

E, como veículo de comunicação, acreditamos que atuar regionalmente na cena brasileira de jogos, sem meramente reproduzir o conteúdo externo, significa também defender as iniciativas dos nossos produtores.

O que se espera do BIG Festival é um posicionamento mais consistente, não apenas uma reunião pouco transparente para evitar problemas de imagem pública.

Isso não é bom somente para o BIG, mas para a cena como um todo.

ATUALIZAÇÃO: O BIG Festival entrou em contato com o Drops de Jogos para esclarecer que o boato sobre a suposta lista negra é falso e que deve fazer novos comunicados em breve.

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** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do Portal UAI.

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