Editorial: Começou confuso e depois ficou melhor

O episódio da carta aberta assinada por 300 desenvolvedores (sim, o número aumentou) com críticas ao BIG Festival teve um bom desfecho. Depois de convocar uma reunião presencial (o que não foi uma medida errada em tese), a maior feira de jogos independentes brasileira fez a sua parte e respondeu a carta ponto a ponto.

Foto: Divulgação

Os devs podem até não concordar com as respostas oficiais do evento, mas agora sabem exatamente o que pensam boa parte dos seus organizadores e o que podem solicitar para melhorias gerais de um festival que conquistou o espaço do Centro Cultural São Paulo na história do Brasil.

No entanto, dois pontos da carta do BIG saltam aos olhos. Abaixo:

"Temos um pouco de dificuldade de entender por que a comunicação com o festival se deu de forma por vezes um pouco virulenta e irredutível, como se o evento fosse um 'inimigo'. Já estabelecemos diversas vezes conversas com grupos e indivíduos com críticas e sugestões ao festival e muito frequentemente essas sugestões foram incorporadas ao evento, como no caso da criação do prêmio para jogos brasileiros (…)".

Mais adiante:

"É importante declarar que são boatos totalmente infundados quaisquer possibilidades de retaliação ou lista negra por parte do BIG a quem quer que seja signatário da carta. Não sabemos quem teve a ideia de inventar isso (de fato, vários comentários inventados e não checados circularam, inclusive pela imprensa, esse é apenas um dos mais absurdos deles)! Seria totalmente absurdo gerar uma lista negra para uma carta que propõe melhorar o evento".

O Drops de Jogos publicou em seu editorial o boato sobre a tal lista. Escrevemos o seguinte: "Nos bastidores, correu o boato que os devs que assinaram o documento estão entrando para uma 'lista negra' do próprio BIG Festival".

Cabe um esclarecimento da nossa parte.

O bom jornalismo não pode se basear em boatos, sem dúvida alguma. Uma boa reportagem checa fatos, levanta dados e os publica com a confiança de que são reais ou petinentes ao que é relatado. No entanto, a divulgação de informações não funciona como matemática. E, acima de tudo, o texto do Drops era um editorial se posicionando sobre a discussão levantada, não uma reportagem propriamente dita.

É um texto de opinião, embora represente a opinião do veículo como um conjunto. Tal como este que você está lendo.

O boato foi citado no texto num contexto em que algumas centenas de desenvolvedores faziam reclamações ao evento e este mesmo evento deu como resposta, até aquele momento, uma reunião presencial que poderia excluir os devs que não estão presentes em São Paulo. Naquele contexto havia um mal-estar quanto à postura do BIG. Com isso posto, valeria mencionar as conversas de bastidores.

O BIG, corretamente, nos procurou para desmentir o que foi só especulado. Mas a situação não teria ocorrido se a carta aberta tivesse sido respondida ponto a ponto antes.

Levantar o boato, naquele contexto, significava explicar um pouco da controvérsia presente no debate. E ele estava embasado em outros fatos. É bom que o festival, de maneira imediata, tenha respondido às dúvidas e desmentido o que circulou de forma errônea.

Mas não é absurdo, de forma alguma, que a imprensa publique o que está acontecendo, ressaltando o que é boato e o que é fato.

Isso também é bom jornalismo. E não é baseado em boatos, mas dados reais.

Começou confuso, mas agora está melhorando. E prosseguimos no debate por uma cena brasileira de games melhor para todos.

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** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do Portal UAI.

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