Editorial: Em defesa do BIG Festival 2019 e de todas as suas edições futuras

Entrevistei na Rádio Geek, nossa parceira, o empresário dono da consultoria GamePlan, André Faure, sobre a organização do BIG Festival. No final da conversa, Faure falou algumas coisas interessantes sobre o evento que é o mais relevante para a cena brasileira de jogos:

Foto: Reprodução/YouTube

"Eu me sinto ridículo dizendo isso, mas hoje a política de impostos dos nossos games é o menor dos problemas. Por incrível que pareça, porque jogo internacional no lançamento ainda está a R$ 250. Game brasileiro ainda assim é barato. A gente precisa quebrar essa que brasileiro não compra jogo de brasileiro. Temos títulos incríveis sendo desenvolvidos aqui. O que está acontecendo é que toda essa situação política e toda essa situação econômica global está vitimando a indústria criativa. O BIG precisa de muito respeito em relação ao que ele é, das pessoas que organizam, os que vão lá mostrar seus jogos e quem está fazendo o evento acontecer. E quem tá vindo ao evento BIG, que vá lá com esse espírito de respeito. Lote o Clube Homs (na Avenida Paulista). Vamos derrubar aquele prédio de gente. Mais do que nunca, agora é o momento pra gente mostrar que a nossa indústria é forte. O BIG é o terceiro maior festival de games independentes do mundo! Com tudo o que está acontecendo, com eventos clássicos sendo derrubados, o BIG está de pé. É importante que a gente dê o devido respeito para as pessoas que fizeram ele, porque eu posso te garantir que nada disso foi fácil. Não posso te dar os nomes, no entanto posso assegurar que a realização do BIG neste ano foi o maior desafio profissional de muitos dos que estão ali. Vamos nos inscrever, lotar palestras, fazer fila na porta. Esse é o grande recado. A Apex está trazendo para o Brasil dezenas de gringos para conversar com brasileiros e continuar gerando divisas para o nosso país. O importante é gerar divisas pro Brasil e não levar pra fora. Ninguém tá falando que não pode viajar. Mas vá pra Orlando e volte. Vou falar uma coisa pessoal aqui. Eu perdi uma quantidade enorme de amigos e amigas que foram para fora do Brasil simplesmente porque não estão suportando a realidade que está aqui. A coisa tá muito polarizada e eu acredito que existe o meio termo, que você consegue respeitar as ideias de todo mundo e trabalhar pelo bem comum. Isso tá faltando muito. E a gente não deve desmontar o país, enquanto isso".

Faure é um profissional experiente. Já trabalhou com publicações especializadas e até com a Microsoft no Brasil. Seu depoimento sobre o BIG Festival é importante e reflete o posicionalmento do próprio Drops. 

Em 2019, graças ao corte de financiamento nos diferentes níveis de governo no Brasil e a saída de investidores, o Anima Mundi, maior festival de animação da América Latina, pode não ser realizado de acordo com o jornal O Globo. O Expomusic encerrou suas atividades após 34 anos. Muitas atividades da economia criativa, por irresponsabilidades das mais diferentes níveis e por interesses de fora da cultura, estão em crise.  

Em 2018, um grupo de desenvolvedores se manifestou numa carta aberta com críticas ao BIG Festival. O Drops de Jogos cobriu o assunto e se manifestou editorialmente de maneira crítica ao BIG, o que incomodou uma parcela dos organizadores.

No entanto, nunca fomos contra a realização do evento e nem contra o sucesso que ele adquiriu nesta década. Pelo contrário.

A defesa da cena brasileira de games do BIG é a mesma defesa que o Drops tem. Críticas à parte, o evento precisa ser mantido e deve ser melhorado.

Assista o depoimento de Faure abaixo, a partir do minuto 50.

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** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do Portal UAI.

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