1º medalhista de ouro olímpico de inverno do Brasil faz foto com Colin Kaepernick - Drops de Jogos

1º medalhista de ouro olímpico de inverno do Brasil faz foto com Colin Kaepernick

Lucas Pinheiro Braathen é o cara

  • por em 16 de fevereiro de 2026
Foto: Reprodução/PayDay Report

Foto: Reprodução/PayDay Report

Publicado na Folha TV. De Mike Elk no PayDay Report. Mike é repórter especializado em assuntos trabalhistas. Indicado ao Emmy, fundou o Payday Report com os recursos que recebeu de um acordo com o NLRB (Conselho Nacional de Relações Trabalhistas) por ter sido demitido ilegalmente pelo site Politico durante campanha sindical em 2015.

Tirando algumas pequenas nevascas anuais nas montanhas do extremo sul do Brasil, perto da Argentina, nunca neva aqui. Muitas vezes, por ser norte-americano, brasileiros me perguntam como é ver neve. Para a maioria dos brasileiros, ver neve é ​​uma fantasia que jamais realizarão.

No sábado, os brasileiros viveram uma fantasia que muitos jamais imaginaram: assistir a um brasileiro conquistar uma medalha de ouro pela primeira vez na história dos Jogos Olímpicos de Inverno, quando o esquiador brasileiro Lucas Pinheiro Braathen venceu o slalom gigante na Itália.

Para todos que estão assistindo no Brasil, me acompanhando e torcendo por mim, espero que isso possa ser uma fonte de inspiração para a próxima geração de crianças”, disse Braathen momentos após a vitória. “Nada é impossível. Não importa de onde você vem, suas roupas ou a cor da sua pele.”

Ao subir ao pódio na Itália, Braathen começou a sambar, rodeado pelas cores verde e amarela da bandeira do Brasil. O resto do Brasil, já nas ruas para o Carnaval, sambou com ele.

O presidente brasileiro, que financiou a participação recorde de 14 brasileiros nos Jogos Olímpicos de Inverno de 2026 , usou o Instagram para comemorar a vitória.

O resultado inédito mostra que os brasileiros não têm limites no esporte”, escreveu Lula no Instagram.

Após receber a medalha, Braathen não conseguiu conter as lágrimas ao ser entrevistado por brasileiros.

Só espero que os brasileiros vejam isso e realmente entendam que a sua diferença é o seu superpoder”, disse ele, ainda soluçando. “Ela pode se manifestar na sua pele ou na forma como você se veste. Mas espero que isso inspire todas as crianças que se sintam um pouco diferentes a confiarem em si mesmas.”

Braathen, que é meio brasileiro e meio norueguês, cresceu no Brasil até os 9 anos de idade. Após o divórcio dos pais, mudou-se para a Noruega para aproveitar o sistema escolar do país. Lá, seu pai o ensinou a esquiar.

Na Noruega, porém, ele disse que sofreu racismo por ser brasileiro e que muitas vezes se sentia um forasteiro.

“Não me sentia em casa em lugar nenhum”, disse Braathen em entrevista recente à Folha de São Paulo . “Adotei o sotaque local, imitei os comportamentos. Mudei minha personalidade, meu sotaque, meus interesses, frequentemente, só para perdê-los depois. Então parei de fazer isso e aprendi a ser eu mesmo.”

De 2018 a 2023, Braathen competiu internacionalmente pela seleção norueguesa de esqui. No entanto, passou a discordar da cultura corporativa da equipe norueguesa e, em 2024, decidiu começar a competir internacionalmente representando o Brasil. Ele afirmou que, representando o Brasil, conseguiu abordar o treinamento e o esporte de uma maneira diferente.

Ao refletir sobre o desconforto que sentia quando criança, Braathen disse que, em retrospectiva, percebeu que a exposição a muitas culturas diferentes o ajudou a pensar sobre as coisas de maneiras diferentes.

Hoje em dia, percebo que minha diferença é uma superpotência”, disse Braathen.

Poucos dias antes da vitória, Braathen postou uma foto no Instagram em que aparece com o ex-quarterback do San Francisco 49ers, Colin Kaepernick.

Em 2016, Kaepernick, que era o quarterback titular dos 49ers, começou a se ajoelhar durante o hino nacional em protesto contra a brutalidade policial e em apoio ao movimento Black Lives Matter. Após a temporada, Donald Trump pressionou os times da NFL para que não o contratassem, e ele ficou impossibilitado de jogar na liga novamente. Eventualmente, Kaepernick chegou a um acordo financeiro após ser banido pela NFL.

Para Braathen, que havia rompido com a equipe norueguesa de esqui para se juntar à equipe olímpica brasileira, Kaepernick é um de seus heróis.

Que honra compartilhar um dos dias mais importantes da minha vida com essas minhas referências”, escreveu Braathen. “Momentos como esses são resultado de incontáveis ​​horas de estudo a respeito de pessoas extraordinárias como essas, que me inspiram a ousar e a seguir meus próprios sonhos.”

O gesto de solidariedade de Braathen à esquerda americana foi um dos muitos gestos recentes de brasileiros que estão alcançando sucesso internacional.

Em janeiro, quando o cineasta brasileiro de esquerda Kleber Mendonça Filho ganhou o Globo de Ouro de Melhor Filme Estrangeiro pelo thriller antifascista brasileiro O Agente Secreto , o produtor da premiação tentou tocar música para expulsá-lo do palco. Mesmo assim, ele continuou falando para transmitir uma mensagem de solidariedade internacional entre as duas maiores democracias do continente americano.

Dediquei este filme aos jovens cineastas. Este é um momento muito importante. Este é um momento muito importante na história do cinema. Aqui nos EUA e no Brasil, jovens cineastas americanos fazem filmes”, gritou Kleber por cima da música.

Para os brasileiros, a vitória de Braathen no sábado foi mais um exemplo da crescente influência global do país de 215 milhões de habitantes, que os países do Norte Global têm ignorado com muita frequência.

No sábado, enquanto os brasileiros dançavam sob um calor de 35 graus durante o Carnaval, eles comemoravam o fato de suas vozes estarem sendo ouvidas novamente no cenário internacional.

Foto: Reprodução/PayDay Report

Foto: Reprodução/PayDay Report

“Não consigo nem dizer quantos comentários li desde o dia em que comecei a representar o Brasil até me tornar campeão olímpico hoje, que eram do tipo: ‘Não faço ideia do que está acontecendo, mas vamos lá, Brasil! Vamos lá, Lucas!'”, contou Braathen. “Acho que foi todo esse amor e apoio incondicional dos brasileiros, mesmo ainda estando nessa jornada de introduzir o esqui alpino no Brasil, que me impulsionou e me permitiu esquiar tão rápido quanto esquiei.”

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do Portal UAI.

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