Mais uma vez, as redes sociais do governo dos EUA usaram imagens de videogames como parte de seu exercício de propaganda pró-guerra. E desta vez os envolvidos foram Call of Duty e os bombardeios ao Irã.
Na última quarta (4) a conta oficial da Casa Branca postou um vídeo de um jato bombardeando alvos como helicópteros, fragatas e bases militares com a legenda “Cortesia do Vermelho, Branco e Azul” (as cores da bandeira dos EUA).
Courtesy of the Red, White & Blue. pic.twitter.com/kTO0DZ56IJ
— The White House (@WhiteHouse) March 4, 2026
O vídeo em questão é um “filminho” especial de Call of Duty: Modern Warfare 3, que é desbloqueado apenas quando um jogador consegue matar 30 pessoas em sequência sem morrer. Ao conseguir essa façanha, o jogador destrava a MGB: um chamado de bombardeio aéreo que finaliza a partida e garante a vitória para o time do jogador que ativou a arma.
Além do conceito de “comemorar uma guerra” com um vídeo de Call of Duty já ser absurdo por si só, tudo fica ainda pior no contexto atual dos ataques ao Irã, onde diversos alvos civis foram bombardeados. O mais horrendo deles aconteceu no dia 28 de fevereiro – quatro dias antes da postagem da Casa Branca – quando a escola de ensino fundamental Shajareh Tayyebeh atingiu uma marca assustadora: com estimativas entre 165 e 180 pessoas mortas, ela se tornou o ataque mais letal de toda a campanha contra o Irã até agora. E, como é de se esperar de um bombardeio que aconteceu numa escola, a maior parte das vítimas foram crianças que estavam ali estudando.
Apesar de os bombardeios ao Irã serem uma campanha aberta e conjunta dos EUA com Israel, nenhum dos países assumiu a autoria do ataque à escola – um verdadeiro exercício de gaslighting para tentar convencer o público de que uma bomba simplesmente surgiu no ar e calhou de cair na escola, e não que o bombardeio fez parte da estratégia coordenada de ataque de ambos os países.
Esta também não é a primeira vez que entidades do governo Trump usam “memes gamers” na estratégia oficial de comunicação. Imagens e frases do jogo Halo já foram usados em campanhas de recrutamento para a ICE que demonizavam imigrantes, e a própria Casa Branca já publicou uma montagem horrenda do presidente Trump na armadura do Master Chief, meio que “assumindo” a responsabilidade pelo “fim” da Guerra dos Consoles.
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** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do Portal UAI.

