Nesta quinta (19) a Sony fechou a Bluepoint Games, desenvolvedora que foi comprada em 2021 e desde então fazia parte da PlayStation Studios. E a pergunta é: o que raios essa galera tem na cabeça?!
A verdade é uma só: sai CEO, entra CEO, vem novas promessas vazias de que as coisas vão mudar, mas a única certeza que a gente tem é que a Sony irá cometer erros inimagináveis na gestão de seus estúdios.
Bluepoint e PlayStation: sucesso brecado pelo ego
No mercado desde 2006, a Bluepoint se destacou como uma empresa especializada em fazer ports, coletâneas e remakes de jogos de outros estúdios. A empresa sempre trabalhou em parceria com a Sony, e se destacou com jogos como God of War Collection (um remaster para o PS3 do primeiro God of War + God of War 2 num único disco), Metal Gear Solid HD Collection (uma remasterização dos três primeiros Metal Gear Solid para PS3, PS Vita e Xbox 360) e Uncharted: The Nathan Drake Collection (um remasterização dos três primeiros Uncharted para o PS4), além dos remakes de Shadow of the Colossus para o PS4 e o de Demon’s Souls para o PS5.

Demon’s Souls Remake. Foto: Divulgação
Devido a essa longa parceria, em setembro de 2021 a Sony anunciou a compra oficial da Bluepoint, trazendo a desenvolvedora para dentro do guarda-chuva do PlayStation Studios. Na época da aquisição, a esperança dos jogadores era de que a empresa ficaria focada na produção de remakes de alguns jogos clássicos da Sony, como os God of War do PS2 ou, para uma pequena parcela muito ruidosa, um remake de Bloodborne para o PS5 (ou ao menos um port dele para PC).
Infelizmente, em 2021 nós estamos na era do CEO Jim Ryan, e ele tinha uma visão bem clara de futuro: a Sony precisava se tornar uma concorrente real no mercado de jogos multiplayer do tipo “games as service”. Não importa que os grandes sucessos da empresa neste século tenham sido jogos single player focados em narrativa (Uncharted, The Last of Us, God of War, Ghost Of Tsushima, Spider-Man) e que as tentativas de criar jogos multiplayer que seguiam tendências (como PlayStation All-Stars) tenham sido, em geral, um fracasso. Mas nada disso importava: Jim Ryan enxergava que o futuro dos videogames estava em jogos como Fortnite, Roblox e Overwatch, e a Sony precisava entrar de cabeça neste mercado.
O resultado disso nós sabemos qual foi: a demissão de Jim foi anunciada em 2023, Concord se tornou o lançamento mais fracassado da história dos videogames, e a empresa cancelou diversos jogos que estavam em desenvolvimento há anos. Um deles era um jogo multiplayer no universo de God of War, que estava sendo desenvolvido justamente pela Bluepoint.
PlayStation: nova era, mesmos erros
Após a demissão de Ryan, a Sony Interactive Entertainment anunciou um “modelo de transição” com dois CEOs: Herman Hulst e Hideaki Nishino (esse modelo chega ao fim em no dia primeiro de abril deste ano, quando Nishino assumirá de vez como um CEO único da empresa). Mas, já nos seus primeiros discursos, eles deixaram claro que a empresa iria começar uma “nova era”, abandonando as ambições de dominar o mercado multiplayer e focando naquilo que os estúdios PlayStation sabem fazer melhor: jogos single player focados em narrativas.
Esta mudança na estratégia culminou no mais recente State of Play, que oficializou algo que muitos fãs pediam: a empresa está trabalhando em um remake da trilogia grega de God of War. E aí tudo parecia que estava certo: a Sony tinha sob seu comando um estúdio especializado em criar remakes de sucesso, e este estúdio atualmente estava sem nenhum projeto. Ou seja, ela não só tinha a faca e o queijo na mão, mas ambos já estavam fatiados e servidos sobrepostos um do outro. Era só chegar com o garfo e mandar pra boca.
Mas aí ela achou que a melhor decisão era pegar o garfo e furar repetidamente a cara.

Claro, a principal manchete sobre o fechamento da Bluepoint deve ser sempre sobre os 70 trabalhadores que da noite pro dia estão desempregados. Mas ela revela algo também sobre a Sony: o problema não é exatamente as decisões de um CEO específico, mas uma cultura corporativa que parece estar sempre pronta para cometer decisões de gerenciamento absurdas ao invés de fazer o básico.
Afinal, se você comprou um estúdio especificamente pela capacidade dele em entregar ótimos remakes, por que raios você vai investir milhões pra ele trabalhar num jogo que não é um remake e – quando este plano obviamente dá errado – decide fechar o estúdio justamente no momento que você anunciou que vai fazer um remake muito aguardado pela sua base de jogadores?
O fechamento da Bluepoint é apenas mais um de uma série de decisões que a Sony Interactive Entertainment tomou nesta última década que não faz sentido nenhum. E, se o PlayStation continua sendo o console caseiro mais vendido do mundo, é muito mais por incompetência de concorrentes como a Microsoft do que por uma gestão acertada da Sony.
E a mensagem que ela passa para seus estúdios não poderia ser pior: não importa se você vende pouco, vende muito, faz jogos de baixo orçamento, jogos AAA, é um queridinho da crítica ou só lança bombas – o futuro de um estúdio que pertence à PlayStation é ser fechado sem qualquer explicação ou lógica.
Mas tudo bem, porque daqui a pouco ela anuncia um novo The Last of Us e todo mundo esquece a série de auto-sabotagens que fazem do PlayStation 5 um console que usa todo um marketing baseado em jogos exclusivos, mas que não tem quase nenhum jogo exclusivo pra mostrar.
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** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do Portal UAI.

