Artigo em site internacional enfatiza o legado de Amazônia como o 1º game brasileiro

Game de Renato Degiovani

  • por em 10 de março de 2020

Renato Degiovani, um pioneiro, e seu jogo. Foto: Divulgação

Não existe uma informação precisa sobre quem teria programado o primeiro game brasileiro ou sua data de lançamento, mas é incontestável que Renato Degiovani, formado em Desenho Industrial e Comunicação Visual pela PUC/RJ, em 1981, e criador de jogos desde o início de sua carreira, pode ser designado o 1º Game Designer brasileiro. Ele fez isso conciliando duas características fundamentais dessa área de atuação.

O reconhecimento deste fato começa a atravessar fronteiras, por meio do artigo do articulista Nior, que escreve para o site Destructoid e atesta: “O jovem era um game designer antes mesmo do termo ter sido inventado”.

No artigo “Brasil dos Games: O legado de Amazônia, o Primeiro Videogame Brasileiro”, o autor discorre sobre o trabalho de um dos pioneiros do desenvolvimento de games no país e resgata uma história de perseverança e foco, movida pela paixão com este insurgente campo da tecnologia.

“Renato tomou contato com o universo da programação em 1980, no período em que estudava desenho industrial na universidade. Nessa época, ele trabalhava para conseguir um NEZ80, um clone do ZX80 e, a partir daí, começou a programar”.

Nior continua, informando que a busca de Renato pelo conhecimento o levou a encontrar uma revista que continha programas compatíveis com o Sinclair ZX81, na qual encontrou os códigos para o game City of Azlan, “Um título de aventura primitivo sobre fugir da cidade que dava nome ao jogo – e que se tornou uma grande fonte de inspiração para Degiovani”.

Naquela época, explica o articulista, os programas precisavam ser digitados no computador. O usuário basicamente jogava ao mesmo tempo em que programava o jogo, usando os códigos que vinham nas revistas. Após seis meses de um intenso trabalho de programação, “Aventuras na Selva” estava pronto.

“Seu objetivo era criar um título complexo que levasse o sistema ao limite e, para isso, dedicou todo o seu tempo livre ao projeto, virando noites inteiras e até finais de semana de trabalho sem fim”, comenta Nior, destacando a perseverança do designer.

“O programa deveria ser distribuído em uma fita cassete, junto com um manual de instruções, um livreto contendo o código fonte e instruções sobre como usar o sistema operacional”. A ideia do desenvolvedor, muito à frente de seu tempo, era não oferecer apenas ter um produto similar aos jogos internacionais, mas permitir que os jogadores criassem suas próprias aventuras, tornando o projeto um dos primeiros jogos de código aberto de todos os tempos.

O texto ressalta a elegância do código criado por Renato em seu game: “Havia uma hierarquia na maneira como as informações eram exibidas e não havia texto desordenado na tela”.

Mais à frente, Nior comenta como as trocas de cartas e contribuições frequentes de Renato à então recém-criada revista Micro Sistemas, levou ao convite para tornar-se um colaborador efetivo do veículo, viabilizando a primeira distribuição em massa de um game de sua autoria, Aeroporto 83. “Um game no qual você deve limpar uma pista de pouso com bombas antes de pousar seu avião, mais ou menos como um Space Invaders ao contrário”, explica, afirmando que o game foi um sucesso, considerado o primeiro game brasileiro distribuído comercialmente. No mês seguinte, a revista esgotaria a edição com a distribuição em fita cassete de Aventuras na Selva. Em 1985, a versão do jogo para outros sistemas converteria o nome do projeto definitivamente para Amazônia.

“A importância de Amazônia para nossa cultura de jogos não pode ser subestimada”, indica o autor. “Com sua paixão e visão, Renato literalmente criou nossa indústria, inspirando e indicando o caminho para os outros seguirem seus passos”, defende Nior.

“Ele acredita firmemente que nossa cultura tem um potencial inexplorado para jogos e, no mundo globalizado de hoje, pode fazer toda a diferença separar nossos games dos demais”, diz o texto. “Até hoje, ele continua criando, ensinando e promovendo a indústria que ajudou a criar”.

Para ler o texto completo em inglês, basta acessar a página do Destructoid.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do Portal UAI.