Cinco indícios que a economia e a cena brasileira de jogos não vão melhorar pós-queda de Dilma

O noticiário desta terça-feira (15) está mexendo com o governo Dilma Rousseff em Brasília. A delação premiada homologada do senador Delcídio Amaral aponta a própria presidente da República no escândalo da operação Lava Jato, a ciência do ex-presidente Lula, propinas pagas ao senador tucano Aécio Neves, uma suposta propina do ministro Aloizio Mercadante e diretores corruptos indicados pelo vice-presidente Michel Temer.

Foto: Lula Marques/Agência PT

O escândalo de corrupção da Petrobras soma aproximadamente um rombo de 10 bilhões de reais e envolve políticos de praticamente todos os partidos do cenário brasileiro. E o que isso tem a ver com o mercado nacional de jogos eletrônicos?

Existe ligação com a cena porque o PIB brasileiro teve uma retração de 3,8% em 2015 numa crise econômica. Tal circunstância afeta a produção de games brasileiros com sobretaxas, incertezas de investimentos e falta de perspectivas. O dólar, por exemplo, pulou de cerca de dois reais nas eleições para ultrapassar quatro reais no ano passado. As adversidades econômicas inibem a compra de programas e equipamentos no exterior para aquecer a produção nacional, entre outras diversas implicações.

O ex-presidente Lula sofreu uma condução coercitiva no dia 4 de março, para prestar esclarecimentos na Polícia Federal sobre um apartamento no Guarujá e um sítio em Atibaia que teria sido reformado por empreiteiras ligadas à Lava Jato. A pressão sobre o petista e a hipótese de impeachment da presidente Dilma fizeram o dólar despencar de quatro reais para fechar em 3,76. Novas acusações a políticos do PT chegaram e diminuir a cotação para R$ 3,61.

A diminuição significativa do câmbio, no entanto, pode ser uma falsa sensação de melhora econômica. Drops de Jogos elenca cinco indícios de que a crise no país está longe de melhorar com o afastamento da presidente. Analisamos como isso afeta negativamente o mercado de games. Confira.

  1. A corrupção da Petrobras não dá sinais de que vai parar: A coluna da jornalista Mônica Bergamo, na Folha de S.Paulo, apontou que Renan Calheiros (PMDB) e Aécio Neves (PSDB) negociam acordos para cessar as investigações da Lava Jato. "Calheiros disse, em reunião recente, que é generalizada a sensação, entre os políticos, de que qualquer um deles pode ser preso a qualquer momento", diz o texto. No curto prazo, isso significa que as notícias de corrupção vão desaparecer. No entanto, a reputação brasileira pode piorar internacionalmente ao enclodir novos escândalos;
     
  2. Desemprego no Brasil chegou em 9% da população no quarto trimeste de 2015: Os dados são da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua do IBGE e equivalem a 9,1 milhões de pessoas sem emprego formal. Embora boa parte do mercado nacional de jogos digitais seja formado por freelancers, de acordo com a GEDIGames, levantamento do BNDES com professores da USP, o número é um indicador negativo e não tende a reduzir. Só muda com alterações na política econômica;
     
  3. Não há uma política de games no Ministério da Cultura: O ministro Juca Ferreira abriu um grupo de trabalho sobre jogos e comentou políticas na área para a mídia. Mas nenhuma atitude concreta foi tomada;
     
  4. Ancine ventila possibilidade de tributar vídeos sob demanda: Boataria em Brasília tornaria caríssimos os jogos brasileiros na internet;
     
  5. Governo estadual cogitou aumentar ICMS para produtos comercializados em download: STF barrou a decisão da gestão Alckmin, mas a crise econômica pode forçar os atores a reverem este posicionamento. Sobretaxação era prevista desde o fim de 2015. 

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