Criado na gestão Alckmin, ProAC, que hoje inclui games, completa 20 anos - Drops de Jogos

Criado na gestão Alckmin, ProAC, que hoje inclui games, completa 20 anos

É a principal política estadual de fomento à cultura; financia projetos culturais em todo estado por meio de editais e renúncia fiscal; até 2025, contemplou 31 mil projetos e aplicou R$ 2,6 bilhões na cultura paulista

  • por em 25 de julho de 2026

Do site da Alesp. Faltaram cadeiras para acomodar os mais de 500 artistas presentes na Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo na tarde de 2 de dezembro de 2003. Entre os presentes, grandes nomes da televisão brasileira, como Raul Cortez, Fábio Assunção e Regina Duarte.

Essa audiência pública foi apenas uma das várias que ocorreram entre 2003 e 2006 e discutiram a criação de um fundo estadual de arte e cultura no estado. A proposta inicial era destinar R$ 100 milhões por ano para o setor.

O então deputado estadual Vicente Candido foi um dos nomes da Alesp mais ativos na luta pela criação de uma política transparente e eficaz para a classe artística. Ele conta que o projeto foi construído pelas mãos de políticos, artistas, produtores culturais e sindicatos. ?Foi um entrelaçamento de valorizar a cultura e ter visão estratégica do setor na formação de uma nação?, explica o ex-deputado.

Foi assim que em 20 de fevereiro de 2006 o governador de São Paulo à época, Geraldo Alckmin, sancionou a Lei 12.268/2006 e instituiu o Programa de Ação Cultural – PAC. Posteriormente, a sigla passou a ser ProAC, como é usada até hoje.

Duas décadas depois, a política se consolidou como referência no fomento à cultura no país e inspirou iniciativas semelhantes no resto do território nacional, como o Fundo de Arte e Cultura do Estado de Goiás; o Pró-Cultura RS, no Rio Grande do Sul; o Programa Estadual de Incentivo ao Patrocínio Cultural, na Bahia; e o Sistema Estadual de Cultura e o Programa Estadual de Fomento e Incentivo à Cultura, no Rio de Janeiro.

Como funciona?

O programa da Secretaria da Cultura, Economia e Indústria Criativas (SCEIC) possui duas fontes de financiamento principais. O primeiro modelo é o ProAC ICMS, no qual projetos culturais aprovados podem captar recursos junto a empresas patrocinadoras, que utilizam parte do imposto devido ao Estado para apoiar as iniciativas. Já o ProAC Editais é um mecanismo de fomento direto, onde os projetos são selecionados por meio de editais públicos e recebem recursos diretamente do cofre do governo estadual.

Enquanto o processo de submissão de projetos ao ProAC ICMS é contínuo, os editais são divulgados ao longo do ano e possuem prazos definidos. ?Essa combinação foi pensada desde a criação do programa para atender diferentes perfis de projetos culturais. Há iniciativas mais experimentais ou emergentes, que dependem mais do apoio público direto, e também projetos com maior capacidade de mobilização de patrocinadores?, explica a diretora de Fomento, Economia e Indústria Criativas, Liana Crocco.

Para avaliação e seleção dos projetos contemplados, os editais contam com uma comissão específica para cada chamada pública. Os critérios analisados são divulgados junto com o chamamento. As bancas são formadas por cinco especialistas, sendo dois indicados pela Secretaria e três selecionados a partir de indicações de entidades representativas do setor cultural.

Já na análise de quem está apto ao ProAC ICMS, quem atua é a Comissão de Análise de Projetos (CAP), banca especializada e de caráter permanente. Os integrantes fazem parte de um mandato de dois anos e são indicados pelo titular da Secretaria.

Impactos e alcance

?É muito difícil fazer arte na América do Sul, então através do ProAC conseguimos ver uma luz no final do túnel?. É assim que Marcelo Lujan, diretor da companhia de entretenimento LaClass Excêntricos, descreve o impacto do programa no seu trabalho.

Marcelo também é artista e produtor e já usou recursos da política para viabilizar apresentações de teatro, circo, música e mímica da companhia. ?É uma injeção energética criativa de infinitas possibilidades artísticas. Os incentivos públicos fortalecem as artes?, completa.

Entre 2006 e 2021, o ProAC Editais destinou quase R$ 500 milhões para cerca de 8 mil projetos, distribuídos em 570 editais. Já a modalidade ICMS destinou mais de R$ 1,7 bilhão desde sua criação. As áreas contempladas incluem música, artes visuais, teatro, dança, literatura e outras.

Segundo a Secretaria, até 2025, o ProAC aprovou mais de 31 mil projetos culturais e mobilizou cerca de R$ 2,6 bilhões em investimentos, considerando ambas as modalidades.

No Brasil, a Cultura representa 3% do Produto Interno Bruto (PIB), segundo dados do Ministério da Cultura. O setor ainda emprega por volta de 5,9 milhões de pessoas, e assume papel importante na economia brasileira.

Os impactos são ainda mais relevantes para São Paulo. De acordo com boletim divulgado pela SCEIC, a cultura representa 5,2% do total do PIB paulista, enquanto o estado emprega 20,6% dos trabalhadores do setor no Brasil.

Um estudo da Fundação Getúlio Vargas sobre os impactos sociais e econômicos do ProAC entre 2013 e 2017 apontou que, durante o quadriênio, para cada R$ 1 milhão produzido no setor, o retorno é de R$ 550 mil ao PIB. Esse valor é maior do que outros setores fundamentais para economia, como o de fármacos (R$ 399 mil), veículos e equipamentos de transporte (R$ 197 mil) e eletrônicos (R$ 161 mil).

Adaptações e melhorias

Ao longo dos anos, o governo estadual criou uma série de ferramentas para expandir e modernizar a atuação da política pública. No ano passado foi lançada a Vitrine de Projetos, plataforma virtual que reúne as iniciativas culturais aprovadas pela modalidade ICMS e que estão aptas a captar recursos incentivados.

?O processo de captação se tornou mais acessível, transparente e eficiente, ampliando as oportunidades de conexão entre patrocinadores e projetos”, explica Liana.

A instauração de cotas regionais ajudou ainda mais na democratização e descentralização, ampliando o alcance dos benefícios para todo o estado. Os editais preveem uma reserva de recursos para projetos realizados fora da Capital. Em 2024, esse percentual foi ampliado de 50% para 60%.

Para os próximos anos, a Secretaria pretende expandir ainda mais os trabalhos. Entre as prioridades listadas por Liana, estão o aprimoramento dos processos internos, a busca pela ampliação do orçamento destinado às políticas de fomento e investimentos em pesquisas de impacto social, econômico e cultural para avaliações permanentes das políticas públicas implantadas.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do Portal UAI.

Inscrever-se
Notificar de
guest
0 Comentários
mais antigos
mais recentes Mais votado