Entenda o Game Jam das Minas, que ocorre neste mês de março

Uma maratona de desenvolvimento de jogos ocorreu e vai continuar neste mês de março de 2018. O Game Jam das Minas teve momentos distintos.

Foto: Divulgação

No dia 24 de fevereiro, a mentora Tatyane Calixto fez uma oficina de Unity para a maratona criada exclusivamente para mulher na cena brasileira de jogos digitais. Neste final de semana, entre os dias 2 e 4 de março, as mulheres inscritas na jam colocaram a mão na massa. A organização é do Porto Digital de Recife.

Uma semana depois, no dia 10, a Game Jam terá o Recap para troca de experiências e apresentação de tudo o que foi criado.

Para entender a Game Jam das Minas, o Drops de Jogos entrevistou as idealizadoras.

Confira.

Drops de Jogos: De quem foi a ideia da Game Jam das Minas? Como foi o desenvolvimento da ideia?

Catarina Macena: Basicamente, eu cheguei com a vontade de fazer a Jam das Minas, mas construímos tudo juntas. O projeto saiu do papel graças ao Porto Digital, que está oferecendo sua estrutura para todas atividades do evento e criou força com a participação de Clara Vasconcelos, que é responsável pelas qualificações em economia criativa do Porto Digital, Tatyane Calixto, instrutora de Unity, Camila dos Anjos, artista 2D que criou nossa ilustração, e algumas outras mulheres da área.

Antes a ideia seria fazer apenas a maratona de desenvolvimento mesmo, mas agora haverá também o workshop de Unity e um Recap uma semana após a Jam, um formado permitido também pelo apoio da Manifesto Games e do Grupo São Braz. Teremos mentoras de diferentes backgrounds profissionais para orientar as equipes e conversei ainda com algumas brasileiras de destaque na área, que mandaram vídeos com dicas para as participantes. 

Drops de Jogos: O que vocês acham da cena brasileira atualmente e da participação de mulheres no desenvolvimento?

Camila dos Anjos: O cenário de games no Brasil vem ganhando mais espaço e cada vez mais as mulheres se interessam em integrá-lo. Os desafios dentro da industria, que é majoritariamente masculina, variam desde serem levadas a sério à serem respeitadas por suas posições e habilidades.

Catarina Macena: Particularmente, percebo as mulheres começando a aparecer mais. É um longo processo, mas estamos no caminho. Dois sinais positivos que identifiquei durante a construção do evento foram a receptividade das empresas à ideia da Portomídia Game Jam das Minas durante a prospecção de patrocínio e o fato de ter conseguido montar uma equipe de mentoria formada somente por mulheres artistas, designers de UI/UX, game designers e desenvolvedoras com experiência de mercado. Ou seja, existimos e estamos lutando por nosso espaço.

Drops de Jogos: Como os homens desenvolvedores podem ajudar as minas neste cenário?

Catarina Macena: Acredito que, como em qualquer área onde ainda são maioria, as principais atitudes que os homens podem ter é abrir espaço, ouvir com respeito e não menosprezar a capacidade profissional(ou emocional) da colega de trabalho só porque é uma mulher. Falando é simples mas, na prática, a gente ainda vê muita mulher tendo que ralar o dobro pra "provar" que é competente ou sendo o tempo todo testada para saber se realmente entende de games ou conteúdo geek em geral. 

Quer ajudar? Divulga o trabalho das minas (com os devidos créditos), dá um toque no colega que faz comentários machistas, observa se as mulheres que trabalham para você são tratadas com respeito, inclusive em relação à remuneração… 

Drops de Jogos: Quais resultados vocês esperam com a Game Jam?

Catarina Macena: Nossos objetivos são fortalecer nas mulheres o senso de pertencimento à comunidade desenvolvedora, fazer com que elas conheçam quem está no mercado e fazer com que o mercado conheça o trabalho delas. Além disso, queremos chamar atenção para o fato de que existem mulheres aptas e dispostas a trabalhar com jogos digitais e que não somos tão poucas.  Para ter ideia, dos 199 inscritos na Portomídia Game Jam das Minas, 70% são mulheres. A longo prazo, o objetivo é que este tipo de evento não precise mais existir, porque atingimos um cenário onde as mulheres são boa parte do mercado de games e são respeitadas ali. 

Camila dos Anjos: Conhecer e aprender coisas novas, por em prática habilidades, integrar-se no mercado de jogos e divertir-se!

Drops de Jogos: Tem algo que eu não perguntei e vocês gostariam de falar?

Catarina Macena: Se possível, gostaria de citar os nomes das mulheres que de alguma forma participaram, da construção da Jam das Minas e agradecer pelo apoio: Clara Vasconcelos, Tatyane Calixto, Camila dos Anjos, Jessica Bastos, Erika Ferreira, Erica Oli Ferrer, Paula Pithon, Alessandra Pereira, Jacqueline Alves, Bruna Oliveira, Carol Azevedo, Thalita Oliveira, Camila Perazzo, Amora Bettany, Camilla Avellar, Drussila Hollanda-Grönberg, Elayne Neves e Ramony Evans. 

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** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do Portal UAI.

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Indie