Eu vi Horizon Chase nascer, de um protótipo, e ser assassinado pela Epic Games. Por Pedro Zambarda - Drops de Jogos

Eu vi Horizon Chase nascer, de um protótipo, e ser assassinado pela Epic Games. Por Pedro Zambarda

O desaparecimento de um gigante jogo indie brasileiro

RETRO-RACERS virou Horizon Chase e foi um game indie brasileiro entregue ao presidente Lula. Foto: Drops de Jogos/Geração Gamer/ABRAGAMES

RETRO-RACERS virou Horizon Chase e foi um game indie brasileiro entregue ao presidente Lula. Foto: Drops de Jogos/Geração Gamer/ABRAGAMES

Por Pedro Zambarda, editor-chefe.

Quando a gigante Epic Games comprou a empresa gaúcha Aquiris em abril de 2023, eu fui uma das pessoas que criticou o acordo. A aquisição deve ter sido um excelente negócio para os proprietários da companhia, mas foi um péssimo negócio para a cena brasileira de jogos indie. Demorou três anos, mas as consequências surgiram.

O corte de Wonderbox deu a letra.

Nesta semana a Epic demitiu cerca de mil trabalhadores no mundo, um deles que trabalhava com a marca há mais de 10 anos no Brasil. E descontinuou o game Horizon Chase e Horizon Chase Turbo nas lojas. Como ele foi desenvolvido pela Aquiris, foi sumariamente cortado do catálogo (ele vai ter o acesso cortado dia primeiro de junho). Horizon Chase 2, desenvolvido em parceria com a empresa americana, foi mantido.

Mas eu não me surpreenderia se ele fosse cortado também.

E valem algumas considerações sobre isso. Algumas eu abordei no vídeo do Meteoro Brasil acima.

Vi Horizon Chase no berço

Em 20 de março de 2015, eu noticiei com exclusividade no Geração Gamer, site mãe do Drops de Jogos, que um game chamado RETRO-RACERS para fãs de Top Gear, um clássico do Super Nintendo. O Drops foi convidado, em uma viagem apoiada pela ADJogosRS, para visitar a sede da Aquiris em Porto Alegre.

Horizon nunca foi o game mais vendido de todos os tempos, mas tornou-se case internacional dos games indie daqui. Capturou fãs de jogos de corrida, fãs de retrô e ainda ganhou uma expansão inspirada e autorizada de Ayrton Senna, o maior corredor brasileiro de Fórmula 1.

RETRO-RACERS virou Horizon Chase e foi um game indie brasileiro entregue ao presidente Lula. Foto: Drops de Jogos/Geração Gamer/ABRAGAMES

RETRO-RACERS virou Horizon Chase e foi um game indie brasileiro entregue ao presidente Lula. Foto: Drops de Jogos/Geração Gamer/ABRAGAMES

Essa DLC com o jogo base chegou a ser presenteado pela ABRAGAMES ao presidente Lula na presença do presidente da França, Emmanuel Macron, em abril de 2024.

As justificativas em torno das demissões e cortes

Em nota oficial, a Epic justifica as providências em cima de uma recepção mais fraca do que o esperado em Fortnite, um dos seus carros-chefes. Afirma que essas mudanças não estão relacionadas com a expansão da inteligência artificial, a IA. Nem citam a situação de que muitos trabalhadores estão sendo colocados em regime de freelance e com contratos temporários para reduções absurdas de custos – e não de lucros.

Acredita na nota quem quiser acreditar.

A lição que fica

Luiz Inácio Lula da Silva disse uma certa vez, e repetiu em diversas entrevistas: “Americanos se preocupam com eles em primeiro lugar, em segundo lugar, em terceiro lugar e, em quarto lugar, ele voltam a pensar neles mesmos”.

O Brasil precisa aprender, sobretudo no universo dos videogames, a pensar seriamente sobre soberania, em defender o seu próprio mercado e os seus interesses. Entender que nem todo “imposto é roubo”. E que empresas americanas vão pensar no mercado americano e não nas necessidades de preservação de jogos brasileiros.

Por fim, importante lembrar: Pirataria é crime. No entanto, com todas ações predatórias em mercados do primeiro mundo, parece que a gente vai ter que pensar alternativas para defender nossa propriedade intelectual diante de ações tão eticamente questionáveis.

Por isso é fundamental defender ações de preservação de jogos antigos e iniciativas jornalísticas, como este próprio Drops de Jogos. Você pode fazer uma doação aqui ou virar membro em nosso canal no YouTube.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do Portal UAI.

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