Games brasileiros somam 20% dos finalistas no BIG. “Muito Dev BR já desistiu”, diz Renato Degiovani

"[Há] verba pra trazer gente de fora mas não pagar para os daqui", salientou.

  • por em 25 de maio de 2018

A organização do BIG Festival lançou, esta semana, a lista completa de projetos finalistas nas várias categorias do evento. Os jogos desenvolvidos no Brasil, no entanto, somam apenas 20% dos indicados, considerando o total de 15 trabalhos entre os 71 anunciados nas diversas categorias do festival.

O número é ainda menor se considerada a categoria Melhor Jogo Latino Americano, que privilegiou games de outros países latinos, deixando nossas produções de fora. O cálculo não leva em conta, obviamente, a categoria Melhor Game Brasileiro, apenas com projetos nacionais.

Para Renato Degiovani, o primeiro profissional brasileiro a ser designer de games, o número se deve a uma série de fatores. Basicamente, no entanto, os desenvolvedores locais não se sentem representados no evento, como mostrou a recente polêmica da Carta Aberta à organização.

"Depois que assisti aquela reunião do BIG com os devs, algumas coisas passaram a fazer mais sentido. Primeiro ficou claro que o BIG não é (nem nunca foi) um festival voltado para o desenvolvedor brasileiro e sim uma mostra/competição internacional", comentou, em bate papo com o Drops de Jogos.

Degiovani salienta que o discurso de fomento ao desenvolvimento nacional também não se sustenta. "Se olharmos para os temas das palestras, [percebe-se que] elas focam o cenário mundial de um jeito que só vai ter utilidade para quem já está dentro dele".

Em certas categorias, como Melhor Arte, Inovação, Melhor Narrativa e Melhor Gameplay, não há nenhum brasileiro competindo com projetos de outros países. Nas categorias Educacional e Questões Sociais, no entanto, o Brasil totaliza seis produções de estúdios locais. Para o criador do game Amazonia, este panorama decorre de dois fatores: "Primeiro que muito dev brasileiro já desistiu do BIG e, portanto, não se abala em participar". Em parte, afirmou, esse desinteresse se justifica pelo fato do retorno do BIG no mercado local ser "próximo de zero".

Como segundo motivo, o decano considera que pode não haver interesse da organização em deixar os estrangeiros de lado, substituindo-o por um profissional brasileiro. "[Há] verba pra trazer gente de fora mas não pagar para os daqui", salientou.

"Acho que as categorias mais novas, que ainda não ficaram conhecidas lá fora, terão sempre mais BR's mesmo", explicou, destacando que, "se o game educacional já tende a ser chato, imagine um game educacional do Tataquistão(!)".

O BIG Festival acontece em São Paulo, entre os dias 23 de Junho a 1º de Julho, no Centro Cultural São Paulo.

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** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do Portal UAI.

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