Games são ferramentas em projeto voltado ao desenvolvimento de crianças neurodivergentes - Drops de Jogos

Games são ferramentas em projeto voltado ao desenvolvimento de crianças neurodivergentes

Produtor musical e sound designer Thiago Adamo falou da carreira e do projeto Jade Autism durante a Headscon Espírito Santo 2025

Por Bruna Damin, da Agência Collab na Headscon Espírito Santo 2025

Na Headscon ES 2025, o produtor musical e sound designer Thiago Adamo, conhecido por trabalhos em títulos como Blazing Chrome” Garden Paws”, mostrou que fazer games é muito mais do que saber programar. Durante a palestra “Como transformar paixão por games em profissão: caminhos além da programação”, ele compartilhou experiências de mais de uma década na indústria, incluindo orquestras temáticas de jogos e iniciativas de ensino.

Entre os destaques, falou de sua participação no Projeto Jade” – um jogo/app disponível no site oficial da Jade Autism -, idealizado para apoiar o desenvolvimento de crianças neurodivergentes, termo que engloba pessoas com condições como autismo, TDAH e dislexia. São pessoas que processam informações e percebem o mundo de formas diferentes da maioria.

A plataforma oferece versões para escolas (Jade EDU) e famílias (Jade APP), que geram relatórios personalizados e estimulam habilidades cognitivas de forma lúdica e adaptativa.

Ao falar sobre o cuidado na produção sonora, Adamo destacou que o áudio não serve apenas para ambientar, mas também para guiar, reforçar recompensas e transmitir sensações – fundamentais para todos os jogadores, mas especialmente para pessoas neurodivergentes, que podem reagir de forma mais intensa a certos estímulos.

“Chamei um musicoterapeuta, que é meu aluno, para ser consultor durante o processo, para que a gente não criasse músicas ou efeitos sonoros com intensidade ou ritmo que pudessem sobrecarregar crianças mais sensíveis a estímulos auditivos”, contou.

O Jade utiliza tecnologia de áudio adaptativo, sistema que altera sons em tempo real de acordo com o comportamento do jogador, e lógica de repetição calibrada para evitar sobrecarga sensorial, quando estímulos repetitivos ou muito intensos causam desconforto ou ansiedade. Segundo Thiago, “se a criança clica no coelho, ele não vai falar ‘coelho’ toda vez (…) fazemos isso em cerca de 60% das interações, calibrando o sistema para não gerar vícios de repetição.”

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do Portal UAI.

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