Indie brasileiro Things That Bounce and Explode homenageia os ‘Anos 70’ e ‘jogos pra tia’

Jogo brasileiro

  • por em 2 de abril de 2021

Indie brasileiro Things That Bounce and Explode homenageia os 'Anos 70' e 'jogos pra tia'. Imagem: frame de gameplay de Throneful

O desenvolvedor Leonardo Ferreira lançou, esta semana, um jogo digital simples e dinâmico que envolve, como afirma, uma “mistura hiperativa de jogos de quebra-blocos e RPGs de ação”.

Things That Bounce and Explode, que pode ser livremente traduzido para algo como ‘Coisas que Saltam e Explodem’, mescla referências tão diversas como Breakout, Space Invaders e Diablo e está disponível na loja virtual Steam.

Ferreira, que explicou ser criador de jogos desde muito jovem, destaca que sua intenção era fazer um jogo direto, sem ‘firulas’, divertindo pela simplicidade de interação, ainda que possua um contexto narrativo subliminar, que vai se revelando gradativamente para os jogadores.

Em conversa rápida com o Drops de Jogos, o criador detalha o projeto que se orgulha de ter produzido sozinho, contando apenas com o auxílio de Natalia Petrutes, responsável pela trilha sonora e efeitos de áudio.

Leia, abaixo, o bate papo:

Drops de Jogos – Você comentou que o game é uma “mistura hiperativa de jogos de quebra-blocos e RPGs de ação” na divulgação online, mas o vídeo apresenta uma ação que se assemelha a um shmup scroller vertical. Pode comentar?

Leonardo Ferreira – Então, o TTBAE é um jogo cujo DNA tem elementos de vários jogos clássicos, misturados de modo a produzir algo novo e diferente.

Os inimigos se apresentam em ondas, e o jogador tem um tempo limite pra destruir todos; mas ao invés de disparar tiros, ele atira bolas (ou melhor, B.O.L.A.s – Bólidos Onipotentes de Devastação Avançada), que tem comportamento imprevisível. Porém, esses disparos do jogador também podem causar dano se ele deixar passar pela tela, então cabe a ele equilibrar risco, recompensa e tempo.

O jogo surge pela minha fascinação com os jogos clássicos e sua possibilidade de gerar novos sentidos de jogo sem necessariamente muita firula, apenas pela via do game design mesmo.

Drops de Jogos – Como foi a etapa inicial de idealização do game e como chegaram a esta estética e formato?

Leonardo Ferreira – A ideia é antiga, que eu protótipo pra lá e pra cá desde 2015.

Depois de lançar o meu primeiro jogo, eu passei um tempo off de desenvolvimento (não foi um lançamento muito bom, e foi meio difícil me recuperar).

O TTBAE é uma forma de dar cabo desses aprendizados, é um jogo mais objetivo, com menos gordura e que vai direto ao ponto.

Drops de Jogos – A apresentação visual do game é propositalmente simplista, confere?

Leonardo Ferreira – A estética é minimalista por duas razões: primeiro porque eu queria algo que eu fosse capaz de fazer sozinho (eu tecnicamente não sou artista, mas me interesso muito por visuais simples porém expressivos, tipo LocoRoco e Patapon), e que respeitasse o princípios de forma segue função.

Os inimigos, os Blokolonians, são todos retangulares pois essa é a dinâmica de jogos no estilo brick-breaker; a partir dessas limitações, tentei desenvolver uma estética que fosse interessante por causa, e não apesar, da simplicidade. O jogo também tem grande influência do design dos anos 70, das space operas e da disco music.

Drops de Jogos – O projeto possui fases com níveis de dificuldade diferentes na progressão do gameplay?

Leonardo Ferreira – Não é baseado em fases, é meio como um fliperama; mas quanto mais você joga mais recursos novos você habilita. eu gosto muito de jogos de celular, aqueles pra tia mesmo, então quis fazer algo nesse modelo, mas sem ser ‘evil’.

Drops de Jogos – O público pode esperar novidades e atualizações para o jogo?

Leonardo Ferreira – Tô planejando atualizar o jogo com conteúdo por pelo menos um ano; novos itens, inimigos, chefes e modos de jogo.

Além do mais, o jogo tem uma trama meio escondida que vai se revelando enquanto o jogador joga, e meu plano é gradativamente ir continuando ela até concluir na versão 2.0.

Drops de Jogos – Fale de seu início na cena brasileira de jogos e sua visão sobre o desenvolvimento de games no Brasil.

Leonardo Ferreira – Eu faço jogos desde pequeno e sou muito influenciado pela cena independente do final dos anos 2000 e começo da década de 10 (antes de uma certa consolidação e normalização que deixou os jogos indies todos meio iguais, meio sem graça).

Meu primeiro projeto grande foi o In Extremis, jogo de navinha experimental, que lancei em 2016 e tornei gratuito no ano passado.

Eu acredito no desenvolvimento independente como uma força expressiva e transformadora.

Things That Bounce and Explode, produzido com o sistema Game Maker e lançado no último dia 30 de março, pode ser adquirido pelo preço módico de apenas R$ 6,51 no Steam.

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Veja o vídeo da semana acima.

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** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do Portal UAI.

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