Jovem surdo cria empresa de campeonatos online entre deficientes auditivos e procura investidores

Com grande dificuldade, mãe e filho mantém empreendimento, buscando sensibilizar a sociedade e o mercado para o drama dos deficientes auditivos e alternativas de entretenimento.

  • por em 14 de março de 2016
Imagem: Vanderley e intérprete na apresnetação do negócio no Sebrae-DF

O jovem Vanderley Júnior, de 29 anos, é surdo desde os 11 meses e, mesmo com essa condição, nunca se deixou abater pelas dificuldades, apoiado pela mãe, Fátima F. Moura. Organizando informalmente campeonatos de games online desde 2004, Vanderley tornou-se agora o primeiro surdo no mundo a criar uma empresa deste gênero para pessoas com deficiências auditivas. No ano passado, ele decidiu colocá-los num circuito de competições valendo premiação e, hoje, mantém o Deaf Games, serviço especializado em introduzir esse público na diversão competitiva dos mobas, jogos que unem estratégia em tempo real e RPG.

"Ele mantém os surdos na ativa, sempre fazendo campeonatos mesmo sem premiação. Eu [fico] procurando ajuda para a empresa sair do papel e pesquisando tudo sobre jogos eletrônicos", explicou a mãe, em conversa com o Drops de Jogos. "Fico entre pesquisas sobre os eSports eletrônicos e receitas para fazer biscoitos", comentou Fátima, que tem se desdobrado como pode para manter o empreendimento. "É só eu e ele nessa luta. Ele formata computador quando aparece e estou tentando ajudar meu filho, chamando a atenção da mídia para ele. Quem sabe assim ele consegue ajuda", desabafou, esperançosa.

O Deaf Games já tem um modelo de negócios para investidores interessados e ganhou, recentemente, uma menção honrosa pela qualidade da apresentação da empresa no evento Compre do Pequeno, realizado pelo Sebrae de Brasília. Fátima contou que, apesar das dificuldades, o jovem conseguiu demonstrar seu negócio com a ajuda de um intérprete contratado de última hora com o auxílio de pessoas que se uniram ali mesmo para pagar o serviço de tradução em Libras, a linguagem brasileira de sinais. "Ele só não ganhou o primeiro lugar porque o negócio dele é a nível mundial e o evento era para pequenas empresas", acredita a mãe, informando que, mesmo assim, o jovem recebeu como prêmio um curso do Sebrae. "Mas não pode fazer, pois não tem intérprete", explicou.

Como explica o artigo do site Catraca Livre [indicado por Fátima e que vale a leitura], aproximandamente 70% dos surdos no Brasil não tem uma boa compreensão do português, isto é,  não consegue ler e escrever parcial ou totalmente a língua pátria. O Deaf Games serve como porta de entrada a estes jovens, criando vídeos tutoriais para surdos e também para jogadores sem deficiência, que acabam aprendendo com Vanderley os macetes dos novos games. "Assim que um jogo é lançado, ele faz um vídeo e posta nas redes sociais", comentou a mãe apoiadora.

Incansável, Fátima fez contato com a Eixo, Agência de Inovação e Empreendedorismo na Universidade Católica de Brasília , na tentativa de conquistar a pré incubação da empresa. "Estamos aguardando uma resposta. No sábado foi feita uma entrevista com um professor e o coordenador. Estou confiante que vai dar tudo certo", declarou, firme no propósito de ver o negócio crescer.

A empresa já conta hoje com o auxílio inicial de Elton Euler, fundador da startup Mubbit, que está em busca de parceiros para consolidar o empreendimento. O Deaf Games tem página na rede social Facebook e os vídeos podem ser conferidos no canal de Vanderley Junior, no YouTube, e no site Vaneov. Para os mantes de eSports, vale conhecer esta história, o inovador projeto e auxliar a família em sua empreitada.

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