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Partido comunista discute games, soberania digital e inteligência artificial

Por Márcio Filho, presidente da ACJOGOS-RJ, no site do PCdoB. A nova fronteira para encarar a big techs ainda está aberta. Precisamos estar alertas. Se a inteligência artificial é a nova fronteira tecnológica do século XXI, os games são o território onde essa fronteira já está sendo disputada — e onde o Brasil tem chance real de vencer.

Hoje, o setor de jogos eletrônicos movimenta mais de 200 bilhões de dólares por ano no mundo. Só no Brasil, mais de 70% da população já joga alguma coisa — no celular, no console, no computador. É o maior consumo cultural do país. Mas o que muita gente ainda não percebeu é que os games também são uma das mais importantes trincheiras para a soberania digital e para o projeto de desenvolvimento nacional.

Games são mais do que entretenimento: são poder. Mais do que simples passatempo, os games representam uma indústria de alta complexidade tecnológica, um espaço de formação simbólica e disputa de valores, um campo fértil para o uso criativo da inteligência artificial e, ao mesmo tempo, uma poderosa ferramenta de educação, saúde, cultura e cidadania.

Isso significa que quem controla os jogos, controla parte do imaginário social, das plataformas digitais e das tecnologias emergentes.

As grandes empresas do Norte Global já entenderam isso. Por isso investem em IA generativa nos games, em nuvens próprias, em coleta de dados comportamentais e em universos digitais proprietários. Estão construindo não apenas jogos, mas ecossistemas fechados de sociabilidade, consumo e subjetividade.

O Brasil precisa jogar o seu próprio jogo

O 16º Congresso do PCdoB acerta ao destacar a soberania digital como um dos desafios centrais do nosso tempo. E se quisermos ser soberanos no digital, precisamos incluir os games no centro da política pública de inovação, cultura e tecnologia.

Como escrevi recentemente na CartaCapital, o Brasil precisa jogar no modo campanha. E isso significa:

  1. Usar IA como apoio à criatividade popular
    Estúdios brasileiros pequenos já usam IA para revisar código, montar protótipos, gerar arte, testar níveis, isso permite que o talento de jovens periféricos, negros, indígenas e mulheres ganhe escala.
  2. Criar uma política nacional de jogos com foco público e soberano
    Um plano estratégico que una MCTI, MinC, MEC, juventude e desenvolvimento, com fomento direto, linhas de crédito, editais continuados e legislação específica.
  3. Formar uma geração de trabalhadores criativos e críticos
    Introduzir educação sobre games e IA nas escolas públicas, apoiando formações técnicas e superiores em game design, IA, arte e programação com olhar popular.
  4. Garantir infraestrutura digital pública
    Servidores, nuvem nacional, hubs de desenvolvimento e plataformas abertas, já que um país que depende das big techs não é soberano — e isso vale também para os games.
  5. Fomentar jogos com sentido social
    Games que falem do Brasil, da cultura popular, das lutas do povo, que ajudem a alfabetizar, ensinar história, promover saúde mental e prevenir violências.
    [1]

A trincheira onde juventude e futuro se encontram

Os games são, talvez, o único campo onde a juventude periférica do Brasil está em contato direto com as tecnologias do futuro: lógica, narrativa, colaboração, dados, design, IA. Mas hoje isso se dá de forma desorganizada, desigual e submissa às plataformas estrangeiras. Cabe a nós, comunistas, transformar essa realidade.

Devemos reconhecer que os games são instrumentos de massa, com potencial estratégico equivalente ao que o cinema teve no século XX ou o rádio teve nos anos 1930. Eles moldam a visão de mundo. E por isso, são ferramentas fundamentais na luta ideológica.

O jogo é agora

Se quisermos um Brasil que não seja colônia digital, precisamos tomar o controle. Não se trata de censurar, nem de competir com os gigantes em seus termos. Mas sim de criar o nosso próprio ecossistema de games: plural, popular, com inteligência coletiva, arte brasileira e IA a serviço do povo.

O PCdoB — partido da cultura, da ciência e da juventude — deve ser linha de frente nessa construção. Como já foi no campo da indústria, da educação, da saúde pública. Porque soberania digital não é tema de especialista: é trincheira política.

O jogo está dado. E o Brasil pode — e deve — jogar no modo campanha.

Usar IA como apoio à criatividade popular já é uma realidade em pequenos estúdios brasileiros, que utilizam a tecnologia para revisar códigos, montar protótipos, gerar arte e testar níveis. Esse processo permite que o talento de jovens periféricos, negros, indígenas e mulheres ganhe escala. Para consolidar esse movimento, é fundamental criar uma política nacional de jogos com foco público e soberano, um plano estratégico que una MCTI, MinC, MEC, juventude e desenvolvimento, garantindo fomento direto, linhas de crédito, editais continuados e legislação específica. Outro pilar essencial é formar uma geração de trabalhadores criativos e críticos, introduzindo a educação sobre games e inteligência artificial nas escolas públicas e apoiando formações técnicas e superiores em game design, IA, arte e programação, sempre com olhar popular. Também se faz necessário garantir infraestrutura digital pública, com servidores, nuvem nacional, hubs de desenvolvimento e plataformas abertas, já que um país que depende exclusivamente das big techs não pode ser soberano — e isso vale também para os games. Por fim, é indispensável fomentar jogos com sentido social, que falem do Brasil, da cultura popular e das lutas do povo, capazes de apoiar a alfabetização, ensinar história, promover saúde mental e prevenir violências.

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