O PlayStation 2 completou 25 anos de lançamento este ano, e eu sinceramente não estava muito ligando pra isso não. Afinal, nessa altura do campeonato não há muito o que falar sobre esse console: ele continua sendo o mais vendido da história e talvez o grande responsável pelo sucesso que a Sony possui hoje no mercado de games.
Mas eu estava lendo um artigo da Eurogamer que me fez lembrar de algo muito específico daquela época: a quantidade de jogos bons e “desconhecidos” que o console tinha. Claro, todo mundo conhecida Final Fantasy X, Metal Gear Solid 3 ou Devil May Cry, mas alguns dos meus games preferidos eram aqueles que eu encontrava no fundo da barraca de jogos da feira do rolo, pegando poeira porque ninguém tinha ouvido falar sobre.
E o mais interessante: esses jogos não eram deixado de lados porque era ruins, eles apenas não tinham marketing por trás. Alguns eram tão bons para a época que, se o mesmo conceito fosse usado hoje com a tecnologia e ferramentas atuais, provavelmente teria muita gente postando que é um “GOTY” nas redes sociais.
Por isso, resolvi trazer aqui 10 jogos do PlayStation 2 que poderiam estar entre os melhores do ano se fossem lançados em 2025.
Radiata Stories
Desenvolvido pela Tri-Ace (mais conhecida pela franquia Star Ocean), este jogo trouxe a “fórmula Marvel” para os videogames alguns anos antes do primeiro filme do Homem de Ferro chegar aos cinemas. Apesar de não trazer nenhuma grande inovação nas mecânicas do gênero – é um RPG/ação bem tradicional – a mistura de uma história de fantasia cheia de intrigas e traições políticas, mas onde boa parte dos personagens – inclusive o protagonista – são meio burros, tapados ou ambos, cria um humor involuntário que torna a narrativa deste RPG algo único e que é raramente replicado mesmo décadas depois.
Jet Li: Rise to Honor
Gosta de twin stick shooters? Jet Li: Rise to Honor era um twin stick brawler. O jogo trazia uma mecânica totalmente inovadora, onde você usava o direcional direito do controle para definir os golpes que seu personagem usaria. Apesar de meio estranho no começo, o sistema se tornava bem intuitivo depois que você pegava o jeito e permitia fazer combos incríveis até mesmo quando se estava rodeado de inimigos. Antes de Sleeping Dogs, este foi o primeiro jogo a realmente te fazer sentir que estava dentro de um filme de kung-fu.
Lord of the Rings: The Third Age
O PlayStation 2 também marcou os últimos anos que a EA se esforçava para fazer algo diferente em matéria de videogames, e LOTR: The Third Age é talvez o pico de uma época onde a vontade de extrair o máximo de franquias de sucesso já existia, mas junto dele também havia um mínimo esforço. The Third Age é uma história não-canônica que se passa em paralelo aos eventos da trilogia dos filmes O Senhor dos Anéis, mas ao invés de controlar os personagens da Comitiva do Anel nós conhecemos um novo grupo de guerreiros que está fazendo o mesmo caminho da comitiva, mas sempre chegando um pouquinho depois deles. Assim, temos o melhor dos dois mundos: um passeio por todas aqueles cenários e eventos que todo mundo amava dos filmes, mas com uma narrativa inédita, com novos personagens e que permitia vivenciar todos os principais momentos da Guerra do Anel por uma nova perspectiva.
Como jogo em si, The Third Age nunca foi mais do que um JRPG padrão que não inova mas também não se compromete. Mas lutar contra o Balrog dentro de Minas Tirith ao lado de Gandalf é ainda hoje um dos momentos mais marcantes de qualquer RPG que já joguei na vida.
Wild Arms 5
Mais um RPG que foi meio que ignorado na época mas merecia mais atenção. Wild Arms 5 é talvez a melhor entrada desta franquia leva todos os conceitos básicos de um JRPG – incluindo o estilo narrativo – para um cenário de velho-oeste. Wild Arms 5 ainda traz um novo sistema de espaços hexagonais, que levam o conceito de posicionamento e espaço para uma batalha de turnos.
Shadow of Rome
Um jogo pouco conhecido, mas que pode-se dizer que foi uma inspiração para o Spider-Man da Insomniac. Nesta história que se passa no período da morte de Júlio César e o início da queda do império romano, você deve controlar dois personagens distintos: Agripa, um centurião militar que foi preso e condenado a lutar como um Gladiador (sim, é basicamente o Maximus do filme com o Russel Crowe) e Octavianus, sobrinho do imperador Julio César. Enquanto Agripa é o personagem principal com missões baseadas em combate, em diversos momentos assumimos o controle de Octavianus, que deve se esgueirar sem ser notado pelos corredores do palácio – a mesma dinâmica entre Homem-Aranha e Mary Jane no primeiro Spider-Man. Ambos tem um objetivo em comum: desvendar o mistério do assassinato de Júlio César.
Shadow Hearts: Covenant
Outro RPG que foge dos cenários padrão do gênero, Shadow Hearts: Covenant se passa em um cenário gótico altamente inspirado pelas histórias de escritores como Edgar Alan Paul, Mary Shelley e H.P. Lovecraft. O jogo se passa na Europa durante a Primeira Guerra Mundial, e entre os protagonistas inclui uma soldada alemã, um titereiro chamado Geppetto, um lobisomem, um samurai e um vampiro que acha que é uma estrela da luta-livre, sendo este um dos melhores elencos de qualquer grupo de RPG já criado.
The Warriors
Um dos melhores “jogos baseados em filmes” já criados, The Warriors é uma espécie de continuação do filme de mesmo nome. Desenvolvido pela Rockstar, o jogo oferece a mesma “liberdade” típica de um GTA, mas aqui tudo é resolvido na base do soco e da paulada.
Dirge of Cerberus: Final Fantasy VII
Infelizmente até agora o único jogo de Final Fantasy VII a não receber um remake, Dirge of Cerberus é uma história baseada em Vincent Valentine (o cara que usa sobretudo, luta com duas pistolas e se esforça demais pra fazer todo mundo achar que ele é um vampiro – e que talvez seja o personagem mais edgy de toda a franquia Final Fantasy), e oferece uma perspectiva meio única de um jogo que é, ao mesmo tempo, de tiro em terceira pessoa e RPG de ação – algo que, infelizmente, só foi retomado pela Square na DLC do Prompto em Final Fantasy XV.
Black
Um ano antes da Activison dominar o mercado de jogos de tiro em primeira pessoa com Cal of Duty 4: Modern Warfare, o PlayStation 2 já conhecia Black, um jogo que antecipou basicamente tudo aquilo que as pessoas amaram no primeiro CoD:MW mas que – infelizmente para a EA – se tornou uma “jóia esquecida” ao invés de um game que dominou o mercado. Mas muita gente que teve a chance de jogar defende até hoje que este talvez tenha sido o melhor jogo de tiro em primeira pessoa da geração.
Gun
Cinco anos antes da Rockstar lançar o primeiro Red Dead Redemption, os fãs de velho-oeste tinham Gun do PlayStation 2 como o melhor jogo da vida. Apesar de não ter tantos espaços para explorar e ser bem mais compacto do que os games da Rockstar, o jogo já trazia uma história de vingança cheia de personagens de moral duvidosa, e é ainda hoje um ótimo game para quem procura por jogos de qualidade com cowboys, índios e roubos de trem.
Veja nossa campanha de financiamento coletivo, nosso crowdfunding.
Conheça os canais do Drops de Jogos no YouTube, no Facebook, na Twitch, no TikTok e no Instagram.
** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do Portal UAI.
