Eu não sei vocês, mas uma das minhas atividades preferidas para botar a lista de podcasts em dia é jogar videogame. Claro, um podcast é uma boa companhia para fazer as tarefas de casa – lavar louça, varrer e passar pano, limpar o quintal, etc. Mas existe um problema: ou essas tarefas não são demoradas o suficiente, ou a gente não faz elas todo dia, ou o principal: são chatas. Fala a verdade, praticamente ninguém faz faxina completa na casa todos os dias – mesmo que tenha tempo hábil pra isso – porque não é divertido.
E sabe o que é divertido e te permite ficar horas fazendo como uma atividade de fundo? Jogar videogame. Eu sei que normalmente o videogame é uma atividade primária, aquela que você dedica toda sua atenção a ela. Mas ele também funciona muito bem como algo secundário para quem quer ouvir podcasts. Existem vários jogos que você pode passar horas e horas em uma experiência puramente mecânica, enquanto dedica a maior parte da sua atenção para meia dúzia de desconhecidos falando na sua cabeça sobre algum assunto de seu interesse.
Se você ainda não é um adepto dessa prática, listarei aqui cinco jogos que são perfeitos para botar em dia qualquer podcast que esteja na sua lista. Todo funcionam muito bem para acompanhar qualquer tipo de conteúdo, desde resumos de notícias com menos de meia hora, mesas redondas esportivas com pouco mais de uma hora, episódios de quase 3h esmiuçando um trailer de 2 minutos, ou aquelas mesas de RPG que lançam episódios de 8h ou mais.
Powerwash Simulator

(Imagem: divulgação/Futurlab)
Podemos dizer que esse é o game definitivo para se jogar enquanto escuta um podcast. A própria natureza dele já é um descanso pra cabeça: pegue uma maquininha tipo WAP, entre num lugar sujo e deixe ele limpo. Não há praticamente nenhum grande raciocínio a ser feito aqui: é ver algo sujo e apontar sua mangueira pra ele até ficar limpo.
E essa natureza de jogo pra “cérebro lisinho igual peito de frango” torna ele perfeito para se botar de fundo enquanto ouve um podcast. Enquanto sua atenção está focada nas conversas e informações que você está ouvindo, seus dedos estão num movimento mecânico quase que automático pra limpar um quintal, uma casa, um parquinho infantil ou um antigo templo com inspiração asteca. Além disso, todo podcast fica melhor com um barulho de jato d’água de fundo.
Vampire Survivors

Vampire Survivors. Foto: Divulgação/Montagem Pedro Zambarda/Drops de Jogos
Outro jogo muito bom para se deixar de fundo é Vampire Survivors (ou o jogo de sua preferência do estilo “survivors”). Por ser basicamente um bullet hell que necessita apenas que você controle o direcional esquerdo, ele oferece muito pouco “resistência” para o seu cérebro. Ele não precisa ser algo que vá reter toda a sua atenção, e sua natureza de “jogo rápido mas viciante” permite que você fique apenas uns vinte minutinhos ali ou passe a noite toda jogando sem nem perceber.
Outro jogo que entra na mesma categoria é Balatro ou qualquer jogo de cassino/cartas se você for alguém que gosta dessas coisas. Eu não curto esse gênero, então não posso recomendar aqui. Mas, se você curte, esses jogos podem emular o mesmo efeito de um Vampire Survivors. Mas atenção que falo aqui de jogos de carta tipo cassino; jogos de carta tipo Magic ou YugiOh exigem uma maior atenção, e tentar jogá-los enquanto ouve podcast vai invariavelmente te fazer cometer erros básicos por falta de atenção, enquanto essa necessidade de dar atenção pras cartas vai te fazer perder trechos inteiros do podcast porque você estava concentrado no jogo e tudo entrou por um ouvido e saiu pelo outro.
Jogos de esporte

EA Sports FC 24. Fonte: Divulgação/Electronic Arts
Pode-se dizer que esses são alguns dos “jogos de ouvir podcast” originais, porque desde novo eu conheci algumas pessoas que jogavam International Supperstar Soccer numa TV enquanto deixava outra ligada no Globo Esporte. Aqui o esquema é escolher o jogo do seu esporte preferido, porque você já está tão acostumado com ele que não precisa ficar pensando em regras, jogadas nem nada – o ato de jogar se torna algo reflexivo e quase que puramente mecânico.
Então, se o seu esporte preferido é o futebol, começa uma nova carreira no EA Sports FC. Se for corrida, dá pra começar uma nova campanha no F1. Pros basqueteiros de plantão tem o NBA 2K. O importante é buscar o modo single player desses jogos, que você pode só mutar a narração e enfrentar partidas sem grandes expectativas. O multiplayer não é tão bom para a prática de ouvir podcasts, porque a natureza mais imprevisível dos jogos não permite que você dedique a maior parte da sua atenção para outra atividade.
Elden Ring

Elden Ring. Foto: Divulgação
Esse possivelmente é a minha dica mais estranha, porque você provavelmente acredita que qualquer jogo da From Software é algo que exige muito da sua atenção. Mas eu talvez seja a única pessoa no mundo com mais de 1000h de Elden Ring e que nunca fechou o jogo, e eu posso te falar com propriedade: ele pode ser sim uma experiência altamente mecânica. A hora que você larga mão da preocupação de ter que prestar atenção em cada barulhinho para não ser pego de surpresa e percebe que, se um inimigo for te pegar de surpresa, ele vai pegar sem fazer barulho nenhum, ER se torna um ótimo jogo para mutar e botar um podcast por cima.
Afinal, você só vai entender a história mesmo quando for no YouTube assistir um vídeo de 6h de explicação do VaatiVydia, então para de se enganar que você está prestando atenção pra tentar entender a história. Mais útil do que tentar entender a história de Elden Ring é botar um podcast de fundo e entender a história do Império Romano ou ficar por dentro das polêmicas da última rodada do Brasileirão. A hora que você para de dar importância para o gênero soulslike como um todo, você percebe que todos os jogos desse gênero são puramente exercícios mecânicos de identificação de padrões. E identificar padrões pode ser feito tanto no modo “dedico toda minha atenção a isso”, ou morrendo tantas vezes que você acaba identificando esses padrões por osmose. E eu descobri que pode ser muito mais divertido dar play num podcast e seguir a segunda opção.
JRPGs ou jogos de luta antigos

(Imagem: montagem por Rafael Silva/Drops)
Ambos possuem duas qualidades muito importantes para se ouvir um podcast: longos momentos entediantes e o fato do áudio próprio não ser necessário.
Jogos de luta são bem divertidos de se jogar contra outras pessoas, mas se tornam entediantes quando você precisa jogar sozinho. Principalmente aqueles anteriores a 2010, quando nem uma tentativa de “narrativa” eles tinham, mas era necessário fechar a campanha com todos os personagens para ganhar troféus ou habilitar personagens secretos. Neste sentido, a forma menos cansativa de fazer isso é botar um podcast pra tocar e encher de soco a CPU com cada um dos personagens por trocentas vezes seguidas.
Já os JRPGs exigem algo que todo mundo que ama o gênero sabe que é um porre: o tal do grinding. Seja pra subir de nível e não morrer pra um único golpe do próximo boss, ou farmar dinheiro pra comprar os melhores equipamentos disponíveis pros personagens, uma hora ou outra você vai precisar ficar andando em círculos no mapa e fazendo batalhas aleatórias com inimigos relativamente fracos. Nessas horas, um bom podcast pode ser seu melhor companheiro.
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** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do Portal UAI.


Que m*. O jogador hoje em dia quer tudo, menos jogar. Há estudos que dizem que ao fazer essas duas atividades, sua atenção se dispersa e resulta em uma experiência inferior ao fazer cada um em separado.
Amigo, desculpa estourar sua bolha, mas nem todo mundo quer virar jogador profissional de videogame. Abraços!