Dizendo-se vítima de ameaças e fake news, deputado anti-games faz vídeo defendendo “o debate de ideias”

"Não dá para o Estado se omitir", afirmou o deputado que não dialoga com os internautas.

Imagem: frame de vídeo

O deputado anti-games, da base aliada do presidente, deciciu se manifestar contra a onda de críticas que vem sofrendo desde o lançamento de sua proposta contra o que classifica como "jogos violentos".

Dizendo-se "vítima de ameaças físicas, injúrias, difamação e diversas fake news", o congressista afirmou não ter "absolutamente nada contra" os games e os jogadores, mas que o projeto é apenas um estudo. "Estamos nos aprofundando", declarou.

"Foram vários psicólogos, professores, pesquisas e evidências que nos trouxeram a fazer essa discussão, então, com relação à indústria dos jogos violentos", comentou no vídeo, salientando que os games em questão estão "trazendo uma certa dependência, não para todos, mas para algumas pessoas e principalmente os jovens, que no seu caráter, na sua formação, têm demonstrado, aí, uma reação muito agressiva, no seu lar e nas suas famílias". 

"Talvez seja o caso da gente responsabilizar estas indústrias, aqueles que estão produzindo games que estão trazendo transtorno na mente de algumas pessoas", observou, avaliando que "tem muita família, sim, que está sofrendo com esse problema aí dos games violentos", sem indicar as bases de suas afirmações.

Em uma semana de polêmica, o nobre deputado parece entender que ainda não precisa apresentar à sociedade as "pesquisas e evidências", que o levaram a optar pela criminalização dos produtores de jogos digitais que acredita serem responsáveis pela violência social, como se a mera declaração de suas impressões fosse suficiente.

O deputado parece recuar da associação sugerida entre os videogames e o crime recentemente ocorrido em uma escola, em Suzando. "Se pode trazer tragédias ou não, no caso de Suzano, é um outro fato a ser discutido, e aprimorado no projeto de lei", afirmou. Ao final, para enfatizar o quanto tem sido vítima da incompreensão e agressividade dos jogadores, o servidor público pediu "respeito, para ser respeitado". "Nós vivemos em uma democracia", alegou.

"Com certeza, a gente tem que fazer essa discussão, porque não dá para o Estado se omitir", propôs, após uma semana ausente das redes digitais e realizando manobras, como escamotear o projeto de lei em outro, engavetado há 10 anos.

O vídeo completo pode ser acessado através do Facebook, clicando nesse link.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do Portal UAI.

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