Epic planejava processar Apple desde 2008, dizem documentos

Ação na Justiça

Epic Games e sua guerra contra a Apple. Foto: Reprodução/Tecmundo

Surgiram novos documentos trocados entre Apple e Epic Games que mostram que a desenvolvedora de Fortnite não iniciou o processo antitruste contra a fabricante do iPhone de forma espontânea.

Epic estava desde 2008 estudando este movimento e só começou a colocá-lo em prática em 2019. Em agosto de 2020, Fortnite foi banido da App Store ao tentar oferecer a compra de produtos no jogo por um sistema fora da loja da Apple. Diante do banimento, a Epic moveu uma ação contra a gigante sob a acusação de monopólio, já que o iOS não permite o download de apps fora da App Store (diferentemente do que acontece no Android).

Esperava-se que a Epic teria entrado na Justiça contra a Apple por conta do banimento. Entretanto, o fato foi apenas o estopim para uma movimentação já prevista. Um documento divulgado pela Apple, que reúne 500 páginas de informações trocadas entre as duas companhias, indica que a Epic tinha um projeto interno chamado Liberty, que estudava uma ação contra a Maçã desde 2008.

A proposta seria mesmo de questionar Apple e também a Google, por conta de suas lojas mobile no iOS e Android.

Em 2019, a Epic contratou companhias de comunicação e advogados para montar o discurso contra a Apple. Os dois argumentos principais são os já conhecidos: a taxa de 30% que a App Store cobra dos desenvolvedores, além de não permitir instalação de programas sem passar pela loja. “Isso tudo foi parte de um plano de mídia chamado ‘Projeto Liberty’”, diz o documento. “A Epic buscou mostrar a Apple como os caras maus de modo a apoiar os interesses de Fornite. Ironicamente, quando a Epic foi retirada do iOS, disse a seus jogadores que poderiam continuar jogando em consoles, PCs e outros aparelhos, demonstrando a existência de competição e ausência do monopólio”, afirma a Apple.

A própria Epic já tinha confirmado a existência do Projeto Liberty, mas ainda não havia falado sobre por quanto tempo trabalhava na ação. O embate entre as duas ainda segue na Justiça, com novo julgamento agendado para começar em 3 de maio. Até mesmo Tim Cook, presidente da Apple, deve ser ouvido como testemunha no caso.

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