Por Pedro Zambarda, editor-chefe.
Recentemente entrevistei o jornalista Paulo Motoryn, da newsletter Noites Húngaras, colunista do ICL Notícias e ex-editor do Intercept Brasil. Falávamos no Meteoro Brasil de Willer Tomaz, advogado e amigo do candidato a presidente Flávio Bolsonaro alvo da Operação Sem Desconto da Polícia Federal.
Um fato que passou meio batido sobre Willer: Ele esteve nas viagens de Flávio Bolsonaro para encontros com os chefes dos negócios de cassinos nos Estados Unidos. Muito se fala sobre Michel Temer ter dado o pontapé das bets no Brasil, mas quem executou e implementou foi Flávio, filho 01 do ex-presidente Jair Messias Bolsonaro.
Em 23 de agosto de 2023, eu documentei esse fato com a cópia da “missão oficial” assinada por Flávio Bolsonaro e endereçada ao presidente do Senado, Davi Alcolumbre. Cito uma reportagem do site de extrema direita O Antagonista: O senador Irajá Silvestre Filho abriu nesta quarta (23) um item extra pauta na CAE, Comissão de Assuntos Econômicos, do Senado para aprovar o PL 2796/21, o Marco Legal dos Games de autoria de Kim Kataguiri.
O parlamentar toma essa ação com a sessão da comissão vazia e ela foi aprovada, segundo o jornal Estado de S.Paulo.
Irajá nega, via relatório, as emendas ao PL para retirar os fantasy games, que são próximos de jogos de apostas e fogem de novos impostos no governo Lula. O parlamentar está tentando forçar a barra para ir a voto no plenário do Senado.
Hoje, até por conta de seu partido, o PSD, Irajá Silvestre, o filho de Kátia Abreu, se diz da base aliada de Lula. No passado recente, no entanto, ele esteve em uma viagem custeada com dinheiro público no então governo Bolsonaro.
Em janeiro de 2020, o site Antagonista conta a seguinte história: Os senadores Flávio Bolsonaro e Irajá foram aos Estados Unidos. Passaram oito dias em Miami e em Las Vegas, com diárias pagas pelo Senado Federal. Quem autorizou a viagem dos dois em “missão oficial” foi o então presidente da Casa, Davi Alcolumbre.
Ao todo, Flávio e Irajá receberam R$ 26.928,72 para custear as hospedagens. Quase 27 mil reais em dinheiro público. Eles integraram uma comitiva da Embratur para “capitanear grandes corporações de cruzeiros dos EUA para operar no Brasil”.
Na época, há dois anos, a Embratur era comandada por Gilson Machado, o ministro “sanfoneiro” de Bolsonaro. Também esteve na comitiva o deputado federal Hélio Lopes, o Hélio Negão.
A agenda do grupo incluiu uma reunião com o presidente do Las Vegas Sand Coorporation, Sheldon Adelson, o bilionário que contribuiu com 25 milhões de dólares para a campanha de Donald Trump, o maior doador da campanha. Adelson, magnata de cassinos, foi também quem teria convencido Trump a mudar a embaixada de Tel Aviv para Jerusalém.
Em março de 2019, a legalização dos cassinos no Brasil foi tema de conversa entre Jair Bolsonaro e Trump, em Washington, que foi uma das principais bandeiras de Ciro Nogueira, do PP, liderança do Centrão.

Irajá e a viagem paga pelo Senado com Flávio Bolsonaro. Foto: Divulgação/Senado/Reprodução

Falei sobre o mesmo assunto com Maria Eduarda Cury, na época repórter do IGN Brasil.
A conversa na íntegra com Paulo Motoryn no Meteoro Repórter está publicada no canal Meteoro Brasil.

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