Funcionárias relatam ambiente tóxico em estúdio de Batman: Arkham

Machismo na indústria

  • por em 21 de agosto de 2020

Imagem: Rocksteady via LinkeIn

A desenvolvedora dos games da série Batman: Arkham, Rocksteady, acaba de entrar para o mal afamado hall das produtoras com ambiente de trabalho insalubre para as mulheres, de acordo com relatos de funcionárias, agora tornados públicos.

Os episódios teriam ocorrido em 2018 mas, uma recente reportagem do jornal britânico The Guardian revelou que pouco ou nada foi feito para mitigar estes problemas.

À ocasião, funcionárias do estúdio elaboraram um documento acusando a existência de uma cultura de comportamentos machistas impróprios, casos de assédio, investidas masculinas sem consentimento e “termos inapropriados em relação à comunidade trans”, entre outros problemas na empresa.

Agora, o periódico britânico informa que, segundo revelações de uma das funcionárias que optou pelo anonimato temendo represálias, não houve avanços significativos sobre o assunto.

“A única coisa que tivemos como resultado foi um seminário com a companhia inteira que durou uma hora. Todo mundo que atendeu teve que assinar uma declaração confirmando que recebeu o treinamento. A sensação era de que era apenas uma forma de eles se protegerem”, declarou a profissional.

Após a publicação do artigol, a roteirista Kim MacAskill, uma das ex-funcionárias da Rocksteady signatária da carta, postou um vídeo reforçando as críticas ao ambiente tóxico empresa.

Foi uma época horrível”, declarou. “Ninguém perguntou se estávamos bem […] Você se sentia como um alienígena, que ninguém quer chegar perto”, comenta a escritora no vídeo, disponível abaixo no idioma original, em inglês.

Procurada pelo The Guardian, a Rocksteady comunicou que sempre buscou “criar um lugar fundamentalmente construído via respeito e inclusão” e que teria tomado “medidas firmes para resolver os problemas” relatados em 2018.

“Nos dois anos seguinte ouvimos cuidadosamente e aprendemos com nossos empregados, trabalhando para garantir que cada pessoa na equipe sinta-se apoiada”, declara a desenvolvedora em nota.

Após a publicação do artigo, um “pronunciamento não solicitado” foi emitido por algumas das funcionárias responsáveis pela carta de 2018, através do Twitter da empresa, alegando que o artigo não representa a posição de todas as mulheres que trabalham na desenvolvedora.

“Quando a carta foi recebida pelo estúdio, ações imediatas foram feitas que resultaram em diversas reuniões com as mulheres do estúdio para nos permitir um espaço seguro para falar sobre qualquer problema que estávamos enfrentando, descobrir estratégias para resolver estas questões e o que o estúdio poderia fazer seguindo em frente”, afirma trecho da declaração.

Vimos no The Enemy.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do Portal UAI.