Por Pedro Zambarda, editor-chefe.

Escreveu Hideo Kojima, o criador de Metal Gear e Death Stranding, em 5 de agosto de 2021: “Eventualmente, até mesmo os dados digitais não serão mais de propriedade de indivíduos por iniciativa própria. Sempre que houver uma grande mudança ou acidente no mundo, em um país, em um governo, em uma ideia, em uma tendência, o acesso a eles pode ser subitamente cortado”.
“Não poderemos acessar livremente os filmes, livros e músicas que amamos”.
A mensagem foi resgatada pelo próprio Kojima no começo de julho de 2026 como uma reação ao anúncio da Sony. Os aparelhos PlayStation, os consoles, não terão mais discos. Não terão mais mídia física.
Os primeiros afetados pela mudança são aqueles que gostam de retrogaming e de colecionar jogos físicos. Mas a mudança de empresas gigantes como a Sony, que deve puxar as concorrentes Microsoft e Nintendo, atenta na verdade contra a memória e a história dos videogames. Os games digitais que você comprar, caso eles tenham DRM, tornam-se verdadeiros alugueis de propriedade intectual e não uma compra.
Recentemente a Sony cortou filmes digitais de clientes como Exterminador do Futuro 2 sem fazer o devido ressarcimento. E tudo aponta para uma concentração de mercado em torno das big techs estadunidenses e dos países do norte global. Por isso importante a revolta de um desenvolvedor influente como Kojima. Um homem que tem quatro milhões de seguidores em diferentes contas de redes sociais.
Kojima é um dev que está integrando a indústria dos videogames com estrelas de Hollywood e diferentes cineastas e artistas. Anda com Scorsese, Robert De Niro e é amigo pessoal de Norman Reedus, com quem ele fez Death Stranding. Guillermo del Toro é outro cineasta que mudou sua mentalidade. Recém-saído da Konami, Hideo Kojima fechou contrato milionário com a Sony e agora estreita relacionamento com a Microsoft pelo jogo de terror OD.
Apesar dos elogios equivocados com inteligência artficial generativa, teve um posicionamento corajoso de defender a cultura dos games físicos que podem ser trocados e doados. Como um amante de vinil, CD e walkman, Hideo Kojima conversa com o fã e o desenvolvedor preocupado com a história, com a memória.
“Não poderemos acessar livremente os filmes, livros e músicas que amamos”.
A liberdade de acesso é a verdadeira cultura. A cultura é o que realmente torna os videogames importantes e relevantes.
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A indústria passa por uma profunda crise. A ponto de provocar um dos seus principais porta-vozes a fazer uma crítica devida.
** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do Portal UAI.
