Por Pedro Zambarda, editor-chefe.

Esse ano completa 10 anos que me formei na Faculdade de Filosofia na USP. 16 anos da de jornalismo. Nesta semana, dei uma entrevista ao canal Sullz Player, do talentoso jornalista Sullivan Martinelli, e meio que falei pra ele, no meio do seu relato mais apaixonado sobre os videogames, que não tenho uma visão tão apaixonada pelo setor e que sou mais um “cabeça dura”.
Numa conversa na mesma linha, Pablo Miyazawa e Rodrigo Coelho, o Coelho no Japão, me contaram no Meteoro Brasil que o livro Nintendistas, sobre a história da Nintendo, é um esforço coletivo para preservar a memória, ameaçada pelas inteligências artificiais e essa cultura tecnológica que adora louvar o fascismo.
As duas conversas me mostram que, cada vez menos, enxergo os videogames como uma paixão, uma cultura de fã. Vejo as suas falhas, as demissões em massa, o desespero que toma conta dos entrantes e a crítica de quem já está dentro do mercado. E isso torna meu trabalho cada vez melhor.
Traio meus leitores no Drops de Jogos tornando-o Drops e abordando outras pautas. E conecto as outras pautas com os games.
E uma escrita sem paixões torna o processo mais metódico e menos guiado por revezes que são naturais na produção de conteúdo. Para um revés, há diversos outros pontos de vista que não são contemplados na imprensa que podemos dar espaço. Com uma multiplicidade de vozes, damos espaço para gente nova, expulsa das empresas maiores, crescerem nesse setor.
Acho que o sentido de indie, entre tantos e tantos tão mal explicados, é esse. É fazer sem paixão. É se magoar menos. É não guiar o seu jornalismo e a sua comunicação por ressentimento ou por afinidade.
É olhar de forma distante e enxergar, criticamente, o todo.
Em tempo: Guarde paixões para coisas mais interessantes na sua intimidade, se eu posso dar esse conselho.
Trabalho segue sendo trabalho.
** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do Portal UAI.
