Por Pedro Zambarda, editor-chefe.
Nosso repórter aqui no Drops, o Rafael Silva, publicou um texto bastante crítico a Hideo Kojima na BGS 2025 que você pode ler aqui. Isso está gerando uma série de debates, embora no mérito eu concorde com o Rafa. Nenhum cultuamento acrítico de personalidade de jogos é bom. Tanto assim que eu escrevi um texto sobre o machismo de Kojima em 2022.
E mantenho cada linha publicada, assim como Rafael muito bem critica a presença do desenvolvedor mais influente de games num evento saudita ou sua defesa acrítica de inteligência artificial.
No entanto, este texto é um outro espaço para, sim celebrar. Com mais de quatro milhões de seguidores em cada uma de suas redes, Kojima postou pelo menos 73 vezes sobre o Brasil em sua conta no Instagram. De todos os posts, o carrossel de fotos com seu sósia, Gabriel Akihito, ultrapassou 700 mil curtidas. Somando com outro vídeo, é mais de um milhão de interações, com milhões somando todas demais imagens.

Kojima bebeu caipirinha (o que é um temor considerando a crise do metanol com suspeitas de atuação do crime organizado no Brasil), bebeu nosso café, comeu comida japonesa no Brasil, foi em uma churrascaria, apreciou o Burger King BR e se aventurou pelo Cup Noodles. Pisou na praia do Rio de Janeiro. Visitou o Cristo Redentor. Deu depoimentos para centenas de veículos de mídia nacional, ganhou bolo personalizado. Cogitou Death Stranding 3 na Amazônia para a plateia da Brasil Game Show. Viralizou.
Poderia ter dado uma passada na Área Indie para conhecer melhor a produção nacional de jogos independentes em nosso país, dando moral aos nossos devs. No entanto, não consigo ver muitos pontos negativos nessa “kojimania”.
O criador de Metal Gear, Death Stranding, Policenauts, Zone of Enders e Snatcher deu moral a um país que cultura e ama seus filhotes, inspirando gerações de desenvolvedores de jogos preocupados com narrativa, aspectos cinematográficos, interpretativos e (por que não?) políticos.
Já disse aqui que Kojima é um desenvolvedor de esquerda, por algumas temáticas. Hoje ele está muito mais próximo dos milionários e bilionários da indústria de games.
Mas deu moral a um país que ainda enfrenta desigualdades sociais profundas, o Brasil. E que é um dos maiores mercados de games do mundo, com o maior evento das Américas.
** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do Portal UAI.
