Opinião: A queda e o retorno de Hideo Kojima dentro da indústria de games

Hideo Kojima publicou no Twitter em 17 de outubro: "Como não consegui dormir no avião, fiquei algum tempo ouvindo Quiet's Theme – Here's to You – Not Your Kind of People – Nuclear. Estou com lágrimas nos olhos".

Foto: Divulgação/The Game Awards

A reflexão solta do desenvolvedor de jogos criador de games consagrados, como Metal Gear, Zone of Enders e Policenauts, carrega uma verdade que esteve presente entre 2015 e 2016. O desenvolvimento de Metal Gear Solid V: The Phantom Pain, o primeiro da série a trazer o protagonista Big Boss num mundo aberto, foi carregado de problemas.

O jornal Nikkei denunciou no ano passado que o time de Kojima ficou isolado da internet e era constantemente vigiado em seu trabalho, num regime de vigilância que "lembra" a ilha de Shadow Moses do primeiro Metal Gear Solid (1998). A Kojima Productions, equipe que diretamente respondia ao criador da franquia e desenvolveu a engine FOX mais realista graficamente, teve o logotipo descartado na caixa final de Phantom Pain. A equipe foi responsável por Ground Zeroes, jogo de abertura do quinto episódio que saiu em 2015.

Embora as informações não vazassem para a imprensa por uma ação de relações públicas efetiva para blindar a Konami, era nítido em aparições públicas que o clima havia azedado entre o principal desenvolvedor de jogos e a empresa que o revelou desde 1987.

A verdade veio entre outubro, novembro e dezembro de 2015. No primeiro mês foi anunciada um período de "férias" de Kojima. No mês seguinte foi confirmado o desligamento do designer. No último mês do ano, a Konami vetou a participação de Hideo Kojima no The Game Awards (TGA), evento que reconheceu Phantom Pain como Melhor Jogo de Ação/Aventura e Trilha Sonora/Efeitos Sonoros.

Mesmo com a expulsão da empresa, Kojima manteve discrição na criação de sua Kojima Productions como projeto independente. E foi soltando, aos poucos, detalhes sobre Death Stranding, jogo que importou boa parte da equipe de P.T., o teaser de terror que ele fez com a Konami e deveria se tornar Silent Hills.

Hideo Kojima fez várias postagens nas redes sociais dando sinais que estava procurando por atores famosos para o novo projeto, assim como Kiefer Sutherland apareceu em Phantom Pain. Norman Reedus, Mads Mikkelsen e Guillermo Del Toro, entre alguns comentários sobre músicas e séries como Breaking Bad e Black Mirror.

Criou também uma série de vídeos no YouTube sobre filmes e seus gostos pessoais, para que os fãs conhecessem melhor o criador de Snake.

Na TGA de 2016, Kojima recebeu um prêmio de reconhecimento por sua obra do organizador Geoff Keighley, como Ícone da Indústria. E pôde finalmente expôr o seu lado a respeito do rompimento com a Konami.

"Ano passado eu achei que tinha perdido tudo. Vi agora que não perdi nada. Estou refazendo a minha vida", disse, com o troféu do The Game Awards em mãos.

Os desentendimentos e as limitações de trabalho forçaram um dos nomes mais conhecidos da indústria a passar por uma queda até conseguir o seu retorno ao mercado. Phantom Pain, quando saiu, se mostrou como um projeto incompleto. Dividido em duas partes, o jogo de mundo aberto mostra sinais que tinha pelo menos mais um ou dois capítulos que deveriam detalhar melhor a história de Big Boss, Quiet, Ocelot e Miller. A história ficou vaga e fechada nos cenários do Afeganistão e da África.

Mesmo com estes conflitos, Kojima manteve sua relevância e agora trabalha livremente num projeto independente. O que você espera de Death Stranding?

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** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do Portal UAI.

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