OPINIÃO: A The Game Awards não é o "Oscar dos games" - Drops de Jogos

OPINIÃO: A The Game Awards não é o “Oscar dos games”

Chamada de “Oscar dos videogames”, a The Game Awards está muito mais próxima de uma “apresentação hypada para acionistas” dos games.

The Game Awards 2023

The Game Awards 2023. Foto: Divulgação

Todo ano nesta época as discussões da “gamersfera” sempre giram em torno de quem foi indicado – ou deixou de ser indicado – para a The Game Awards. Quem merece GOTY, qual indie foi “esnobado”, que jogo não deveria estar ali por ser “woke demais”. Mas pouco se discute sobre uma faceta da TGA que cada vez mais me incomoda: ela não é uma premiação.

Sim, isso mesmo. Ela pode ter um júri internacional composto de jornalistas, influenciadores e criadores de conteúdo; pode ter jogos, empresas e profissionais da indústria indicados anualmente; pode ter troféuzinhos; pode até ter “Premiação” (no inglês Awards) no nome; mas não, ela não é uma premiação. Quer dizer, tecnicamente ela até pode ser, mas não em essência.

A realidade é que a The Game Awards é uma enorme propaganda que usa a premiação como desculpa para ganhar atenção orgânica da imprensa e atrair olhares dos jogadores.

Geoff Keighley – apresentador e criador do evento – adora vender a The Game Awards como “o Oscar dos videogames”. Sob um certo ponto de vista, ele até está certo – afinal, o Oscar é a premiação mais popular do cinema, enquanto a TGA é a “premiação” mais popular dos videogames.

Mas sabe uma coisa que você nunca vai ver no Oscar? Categorias “menores” tendo o vencedor anunciado durante o pré-show. Ou o vencedor de alguma categoria sendo anunciado na correria, sem qualquer cerimônia, entre dois trailers de jogos que ninguém sabe quando serão lançados.

Não importa se a categoria é “Melhor Filme” ou “Melhor Maquiagem”, no Oscar todas elas recebem o mesmo nível de atenção – no sentido de todas as categorias serem anunciadas no palco principal, com um discursinho sobre a importância dela, e espaço para que os vencedores possam subir e fazer os seus discursos de agradecimento. É brega, é demorado, é muitas vezes até chato de assistir, mas isso acontece porque o foco principal do Oscar é celebrar a indústria do cinema premiando aqueles que se destacam nela.

Enquanto isso, na The Game Awards os prêmios parecem mais uma desculpa pra reunir todo mundo ali e vender espaço publicitário. E isso fica claro quando, todo ano, Keighley passa mais tempo falando sobre um novo notebook gamer ou placa de vídeo de alguma empresa do que pra anunciar o vencedor de alguma categoria “menor”, como “Melhor RPG”.

Essa é uma crítica de alguém que gosta tanto da The Game Awards quanto do Oscar, e que acha que ambos tem sua importância. Mas, se formos comparar de verdade, premiações como a DICE Awards e a Game Developers Choice Awards estão mais próximas dos Oscar do que a TGA.

Porque, a cada edição, fica cada vez mais claro que a cúpula da The Game Awards entende que “celebrar a indústria de videogames” é em criar hype para novos lançamentos, e a premiação dos destaques do ano se torna cada vez mais algo secundário no evento. E isso não é exatamente errado ou proibido. Mas, se esse for mesmo o conceito, temos que parar de chamar a TGA de “o Oscar dos videogames”.

Até porque ela está cada vez mais próxima de ser a “apresentação hypada para acionistas com o único objetivo de criar otimismo futuro e fazer subir o valor das ações de todo mundo” dos videogames.

Veja nossa campanha de financiamento coletivo, nosso crowdfunding.

Conheça os canais do Drops de Jogos no YouTube, no Facebook, na Twitch, no TikTok e no Instagram.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do Portal UAI.

Subscribe
Notify of
guest
0 Comentários
Inline Feedbacks
View all comments