Opinião: O caso do deputado que quer proibir “jogos violentos” no Brasil deveria repercutir internacionalmente

O deputado Júnior Bozzella, do PSL de São Paulo, protocolou em março o Projeto de Lei 1577/2019 com o intuito de proibir o desenvolvimento, publicação, importação e empréstimo de games considerados “violentos” no país. Bozella é representante da "nova política" no Brasil governado por Jair Messias Bolsonaro e pertence ao partido político do presidente da República.

Foto: Reprodução/Twitter

No ano de 2016, ele tentou ser prefeito de São Vicente. Elegeu-se dois anos depois como deputado federal de SP com apenas 12.661 mil voto, baixo para os padrões de sua legenda.

O projeto patético do deputado parece reviver o escândalo que tomou a indústria fonográfica e de videogames nos Estados Unidos em 1985. Na época, bandas como Twisted Sister e Frank Zappa chegaram a comparecer no Senado americano recomendando um selo indicativo de idade em produtos culturais ao invés da censura pura e simples. No entanto, o caso no Brasil é mais grave e revela o mais absoluto desconhecimento dos parlamentares sobre a vida cultural no Brasil.

Na ditadura militar que durou no Brasil entre 1964 e 1985, o governo federal censurou escritores, jornalistas e artistas que criticaram o regime. Não bastasse essa real herança maldita da censura, nos anos democráticos o público dos videogames ainda teve que encarar declarações como a da ex-ministra Marta Suplicy, que disse que jogos eletrônicos "não são cultura" em seu pacote social, além da tributação excessiva dos títulos em mais de 80%, tornando-o um produto inacessível para o brasileiro.

E, além do histórico obscuro, há uma pauta realmente suja por trás do projeto do deputado Bozzella: Culpar os jogos digitais pelo Massacre de jovens em Suzano que ocorreu neste ano. Em reportagens equivocadas publicadas na imprensa, como o artigo do jornalista Marcelo Godoy no Estado de S.Paulo, fóruns de anônimos de channers chegaram a ser creditados como "fóruns de games".

Em resumo, parte da imprensa creditou um espaço que foi usado para a prática de um crime como um espaço de videogames.

E não é caso de hoje. No passado, a morte de policiais militares foi associada com o jogo Assassin's Creed na boca do falecido apresentador Marcelo Rezende. Columbine também foi associado com o game Doom em uma reportagem da TV Record. E por aí vai.

A proposta de censura do deputado precisa ser encarada com a seriedade que merece, não apenas como uma "proposta polêmica". Veículos internacionais deveriam divulgar isso e lidar com a questão como ela é: Mais uma marca dos retrocessos no nosso país provocada por políticos oportunistas.

Figuras públicas oportunistas que não querem debater os reais problemas da juventude, como falta de educação, pobreza e desigualdade de oportunidades, geram propostas de lei censuradoras como esta.

É necessário, sim, fazer barulho quando funcionários públicos pagos com o dinheiro de todos nós promovem esse tipo de coisa.

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** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do Portal UAI.

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