Não é de hoje que eu tenho um “pé atrás” com a figura de Hideo Kojima. Sim, concordo que ele é um dos game designers mais importantes da história dos videogames, e ajudou a definir o conceito de um “jogo AAA”. E, apesar de ele trazer diversos temas progressistas em seus jogos, eu nunca me senti à vontade para chamar ele abertamente de um game designer progressista.
Eu não sei dizer o motivo, mas sempre parecia que tinha algo errado ali. E as últimas ações e declarações do japonês deixam claro o que talvez sempre tenha me deixado desconfiado dele como aliado.
Primeiro, a confirmação dele na New Global Sport Conference, um evento saudita sem nenhuma tradição que ele emprestou o nome para ajudar a legitimar. Lembrando que a Arábia Saudita é um dos países com mais violações em direitos humanos no mundo, e vem investindo muito nos setores esportivos e de videogames para criar “manchetes positivas” e jogar todo esse histórico complicado para debaixo dos panos.
E, mais recentemente em uma entrevista para a Wired, Kojima é mais uma voz ativa na defesa do uso de ferramentas de inteligência artificial generativa no setor de jogos. E o que é mais triste: papagaiando aqueles mesmos argumentos que a gente vê sair da boca de qualquer CEO que tem milhões investidos neste mercado. “É o futuro”, “veio pra ficar”, “é preciso abraçá-la porque é inevitável”.
A morte também é inevitável, mas não é por isso que eu vou me jogar na frente de um ônibus em alta velocidade.
Nos últimos meses, Kojima tem deixado bem claro o porquê ele sempre me pareceu alguém “estranho”, e é porque ele é o tipo de pessoa que mais me dá asco: alguém que tem conhecimento e entende como as estruturas de poder moem as pessoas das classes de menor poder aquisitivo, mas não tem a empatia necessária para se preocupar com nada que não seja o próprio umbigo.
Porque para o Kojima atual, o CEO de uma empresa milionária, a IA generativa “dar certo” é mesmo algo muito bom: é menos custo e mais lucro. Mas essa posição vir de alguém como o Kojima me deixa pessoalmente muito triste. Porque eu sei que ele não é alguém que veio de berço de ouro e foi criado com um discurso de meritocracia Linkedinizado. Ele sabe exatamente como as estruturas de poder do capitalismo moem a carne, as lágrimas e os sonhos do proletariado – e ele tem uma carreira inteira de jogos exatamente sobre isso para provar que ele entende muito bem como tudo funciona.
Mas agora nada mais importa, porque ele já não é mais carne – é parte das engrenagens do moedor. E não tem vergonha nenhuma de se posicionar em favor do açougueiro. Ele pode até ser um desenvolvedor de jogos de esquerda, mas é um típico esquerdomacho – alguém que entende quais são as dinâmicas mais erradas que corrompem a sociedade, mas não tem vergonha nenhuma de usá-las quando elas o favorecem.
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** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do Portal UAI.

Meio exagerado, sensacionalista e pulando pra varias conclusões com poucas falas reais do cara. (Mais de metade do artigo são presunções com pouca base sobre o que o cara pensa).
Infelizmente é uma realidade que a Inteligencia artificial é uma inovação disruptiva inegavel no mercado, ele não falou nada de mais.
Agora como ela vai ser usada e regulada é outra coisa. E provavelmente isso vai infelizmente deixar varias vítimas no mercado. O jeito de minimizar as vitimas é cobrar por respondabilidade, regulamentação e adaptação da industria para a nova “revolução industrial”.
Você é saudosista e tudo bem. Acho que ele é um cara conhecido em se reinventar.
óbvio que ele sabe jogar com interesses no próprio nicho.
Sua analogia da morte é bem radical. Vou usar outra:
Se você tem um câncer vai deixar de fazer o tratamento ou só aceitar?
Mano, eu li seu texto todo, e só para não ter dúvidas, li de novo.
Foi um dos maiores besteirol que já li na minha vida!! Sou totalmente a favor de críticas, porém críticas embasadas. A maior parte do seu texto é mais pretensão e uma raiva,rancor,sua e ao que parece, política, também do que algum embasamento de verdade. Eu já li muita merda, porém igual a esse texto…na moral kkkk.